Ola Tokuleitores!
Antes de mais nada desculpem pelo atraso!
Por motivos pessoais acabei não postando o final ontem, mas agora finalmente chegamos à conclusão dessa história.
Por isso, sem mais delongas...
Boa leitura!

Jiraiya VS Garo #7
Sem Misericórdia.




A lâmina da Espada Ancestral, após ser lançada por Jiraiya, penetrou violentamente no crânio do Horror, fazendo um corte fino e limpo bem no meio dos olhos do monstro, causando um grande estrago na parte de trás da cabeça.

Um golpe tão rápido que mal foi registrado pela criatura, com seu corpo descendo lentamente até o chão, já morto assim que seus pés mal tocaram o solo, cuja grama ia definhando conforme era tocada pelo sangue negro que escorria farto.

O ninja então correu na direção do inimigo morto, enrolando uma pequena corrente no cabo de sua espada e quando finalmente o alcançou, com um salto, pisou no ombro do monstro, usando-o como apoio para conseguir alcançar outros inimigos que se mantinham no ar.

Sua mão segurava a ponta da corrente, cuja outra ponta estava presa ao cabo da Espada Ancestral.

Um Horror com garras imensas agarrou o ninja pela cintura, deixando seus braços livres.

O último erro de sua existência.

Com um violento puxão, Jiraiya arrancou a Espada Ancestral da cabeça do inimigo morto, conseguiu cortar ao meio outros que tentavam se aproximar e assim que suas mãos envolveram o cabo da espada, ele se libertou com um chute bem aplicado na área da barriga do monstro que o segurava e, desenhando no ar um círculo na horizontal, o partiu em dois.

O ninja foi descendo, os braços abertos procurando o melhor modo de aterrissar, mas sem baixar sua guarda, o que resultou na amputação de dois braços, quatro pernas e três asas de outros monstros que foram tolos em se aproximar, por achar que seu alvo se encontrava indefeso.

Uma chuva de sangue negro caiu ao redor de Jiraiya, assim que ele pousou, antecedendo a queda de vários monstros despedaçados ao seu redor, mas o ninja não se dava tempo sequer para perceber como seu ataque havia sido espetacular, pois logo mais dez outros horrors o cercavam, garras e presas à mostra, urros animalesco, misto de ódio e fome, mas que em nada serviam para amedrontar o guerreiro.

Smith, a I.A. da armadura do ninja tentava atualizá-lo com informações de seus inimigos, mas era praticamente inútil, pois Toha seguia atacando por puro instinto, ignorando os avisos, até que a armadura parou de tentar se comunicar, esperando apenas o momento em que o ninja precisasse dele.

Parecia que algo assim não iria acontecer tão cedo.

Mal se conseguia enxergar o brilho azulado da lâmina da Espada Ancestral por debaixo do sangue negro que a cobria, conforme Jiraiya continuava avançando contra a horda de horrors, visando eliminar de uma vez por todas o monstro que havia possuído sua irmã.

Tamanha era sua concentração em abrir caminho, que mal percebeu um monstro estendendo as garras contra suas costas e ele não perdeu tempo olhando para trás, pois sabia que sua retaguarda estava protegida.

O som de um rugido sofrendo uma leve alteração, soando quase como algo eletrônico, se elevou aos sons da batalha, conforme Garo, o cavaleiro dourado, acabava de cortar o monstro traiçoeiro em vários pedaços, sobrando pouco mais que poeira mal cheirosa se espalhando pelo ar.

Sua espada agora se apresentava com o dobro do tamanho, muito maior do que um ser humano comum e a cada vez que o cavaleiro girava sua arma, vários monstros eram destruídos.

Satã Ashura, agora não mais que uma pequena criatura amorfa, continuava com dois apêndices esticados dos lados dos corpos, resquícios de seus outrora ameaçadores braços, mantendo dois pequenos portais abertos, por onde vinha a enxurrada de horrors.

- Precisamos nos aproximar... - Kouga destruía mais alguns inimigos, conforme ia se aproximando de seu aliado. - Se não fecharmos logo esse portal, o domo erguido por Jabi vai acabar se desfazendo.

Comprovando as palavras do cavaleiro, a monge Makai exibia uma face tomada por grossas gotas de suor, deixando claro o esforço para manter sua magia ativa.

- O seu amigo luta sempre assim? - Zero, outro cavaleiro makai, usava suas lâminas duplas para destruir três monstros que se aproximavam pelo lado esquerdo. - Ganhou meu respeito!

- Nos treinos ele é bem mais contido! - Kanin Chang Kung Fu ergueu sua mão esquerda e imediatamente uma coluna de fogo pareceu brotar do chão, torrando cerca de dez monstros. - E você Barão Owl?

O guerreiro inglês não respondeu, usando sua espada para cortar alguns monstros, que tentavam se aproveitar da distração momentânea do grupo, enquanto viam os companheiros lutando com todas as suas forças.

- Normalmente Toha se contêm... – Foi a vez de Agnes se pronunciar, continuando sua sentença após ajeitar o corpo inerte de sua cunhada, tentando mantê-la o mais coberta e quente possível. – Esse é um raro momento em que, por não estar enfrentando humanos comuns, ou mesmo os incomuns, como os ninjas do passado, ele pode liberar todo o seu poder de combate...

Ela silenciou por um momento e então ergueu a mão direita espalmada para frente.

Quando os colegas que a observavam, prestando atenção em suas palavras, se voltaram para onde ela apontava, a kunoichi fechou o punho e no mesmo instante três horrors morreram sob uma chuva de adagas.

Impressionados, os guerreiros se colocaram mais uma vez em posição de combate, prontos para derrubar os monstros que Jiraiya e Garo viessem a deixar se aproximar, enquanto às suas costas, Agnes continuava sua explanação.

- Some esse momento de “liberdade”, ao ódio pelo monstro que possuiu a Kei e temos um Jiraiya que simplesmente não vai parar até que todos nós estejamos em segurança e que o maldito Satã Ashura pague por todo o mal que fez.

Palavras impressionantes...” a armadura prateada não deixava que os demais vissem o rosto irônico de Zero “Nunca vi o Kouga lutando desse jeito também... Pelo visto sua vontade de sair na própria busca finalmente parece estar abrindo uma brecha naquela armadura dourada que não o deixava demonstrar seus sentimentos”.

Os pensamentos foram interrompidos quando ele precisou se defender do ataque de seis horrors, devidamente rechaçados e destruídos por suas espadas.

Naquele momento, parecendo indiferentes ao que acontecia com os amigos, Jiraiya e Garo se postavam um de costas para o outro, quando foram cercados por dez horrors que aparentavam muito mais poder do que os derrubados anteriormente.

Esses tinham o corpo maior e mais musculoso, as pernas, mesmo pequenas e atrofiadas eram mais grossas que um homem, os imensos braços ficavam curvados, os punhos no chão, ajudando o corpanzil a se mover, como fazem os gorilas.

A cabeça era uma confusão horrível de olhos, presas e bocas deformadas de onde pingava uma saliva negra e ácida. Línguas bifurcadas surgiam por todos os lados, lambendo lábios carnudos repletos de bolhas cancerígenas, que explodiam numa profusão de pus fedorento.

Nos anos que se seguiram ao fim da guerra dos ninjas, Toha, Agnes e outros amigos se reuniram muitas vezes a convite de Lenin Wild, o ninja americano de Hollywood, para sessões de cinema na mansão dele.

Por isso, num momento em que Toha parecia ter noção do quanto era louca a situação em que se encontrava, não resistiu a encarar um dos horrors e usar a frase de um clássico filme de ação.

- Você é muito feio.

Garo deu uma rápida olhada por cima do ombro, em seu íntimo tinha receio do companheiro finalmente ter perdido a sanidade, mas ao vê-lo assumindo uma sólida posição de combate soltou um silencioso suspiro de alívio, enquanto ele mesmo se preparava.

Mesmo sua espada gigante não parecia mais tão grande quando comparada com aqueles monstros.

Foi Jiraiya quem deu o primeiro passo, ao ver que, enquanto estavam cercados, os demais horrors se viam livres para avançar contra seus amigos, sua irmã, sua esposa.

Aquilo ele não permitiria.

Ninguém mais sofreria nas mãos daquelas criaturas enquanto ele estivesse respirando.

A Espada Ancestral abriu um imenso sulco na cabeça do monstro que estava mais próximo, acabando por ficar presa e enquanto o ninja puxava com toda a força o cabo de sua arma, tentando soltá-la, um dos punhos gigantescos se moveu com uma velocidade absurda, dando um soco do alto para baixo, que resultou numa imensa cratera.

Todos os olhos do monstro ficaram arregalados quando ele ergueu seu braço e percebeu que havia destruído apenas o chão.

Sua confusão não durou quase nada uma vez que uma dor lancinante veio de suas costas, quando várias shurikens se enterraram em sua carne, fazendo-o se virar a tempo de ver Jiraiya terminar seu prodigioso salto, pousando a poucos metros de distância.

- Agora Smith!

Seguindo o comando de seu usuário, a I.A. acionou o controle à distância das estrelas de metal, fazendo o corpo do Horror se convulsionar diante de milhares de volts de eletricidade. O fedor era um misto de carne podre e queimada, que que forçou o ninja a colocar uma mão diante do rosto, apesar dos filtros de sua máscara.

Sem se render às náuseas, ele se apressou em recuperar a espada e assim que conseguiu retirá-la do corpo carbonizado, o monstro ainda se moveu, mais um espasmo que um ataque real, esticando as presas que haviam restado na direção do inimigo.

Um corte horizontal perfeito, separando cabeça de corpo, foi a resposta de Jiraiya que, sem ao menos parar um segundo para recuperar o fôlego, se dirigiu para o próximo monstro.

Kouga mantinha a fisionomia séria por baixo de seu elmo dourado, mesmo com sua espada mais poderosa, ele ainda precisava de mais de um golpe para destruir os monstros que os haviam cercado.

Não sentia a mesma preocupação com os companheiros que Jiraiya, ele confiava que Zero e Jabi conseguiriam fazer frente a ameaça, por isso sua cabeça focava apenas dos entes queridos que ainda estavam desaparecidos.

Por isso ele pretendia terminar logo aquele combate, chegar até Satã Ashura antes que Jiraiya o alcançasse e arrancar do Horror alguma possível pista do paradeiro de sua esposa, de seu filho e da mulher que o rapaz escolhera como companheira.

Tal objetivo ele alcançaria a qualquer custo.

Satã Ashura sentia crescer em seu íntimo um sentimento que viera a conhecer a pouco tempo, quando deixou o orgulho lhe cegar, acreditando ser páreo para o cavaleiro dourado e o ninja, depositando a derrota de seu antigo servo somente à incompetência do mesmo.

Vendo o modo como seus horrors mais poderosos eram derrotados, ele entendeu o motivo de Dokussai ter sido vencido tantas vezes em sua vida anterior e na nova, dada pelo demônio no pacto que ambos haviam fechado.

Ainda assim Satã Ashura não podia conceber ser derrotado por aqueles míseros humanos.

Venham a mim meus servos!”

A voz do monstro reverberou pelas mentes não só dos horrors, mas também de todos os heróis que tentavam impedi-lo.

Venham a mim... TODOS os meus servos...”

- Toha!

A voz de Agnes, seu grito de desespero, fez Jiraiya retirar com violência sua espada do corpo já em decomposição de mais um Horror que acabara de abater e, ao se voltar para onde estava a esposa, ele entendeu o motivo do desespero.

Agnes e o Barão Owl tentavam segurar Kei, mesmo ainda aparentando estar sem sentidos, seu corpo começara a flutuar na direção de Satã Ashura, enquanto Zero e Kanin Chang Kung Fu tratavam de eliminar os últimos monstros que ainda os rodeavam.

- Não... Não vai fazer isso de novo!

Sem parar para nada Jiraiya começou a correr na direção do amontoado de Horrors que ia se formando ao redor de Satã, aparentando estar assumindo uma nova forma gigante, o que poderia encerrar aquela tão fatigante batalha.

Todos os aliados davam demonstração de cansaço, as espadas que usavam pareciam cada vez mais pesadas, a armadura de Zero deixou seu corpo assim que o ele abatera o último monstro que os atacara, Kanin Chang Kung Fu não conseguia mais se manter em pé e Jabi também já se abaixara, mantendo-se apoiada sobre um de seus joelhos.

Nem mesmo Agnes e o Barão Owl conseguiriam conter Kei por muito mais tempo.

Era agora ou nunca.

Com uma prece e uma despedida silenciosa no coração, Jiraiya acelerou, a lâmina da Espada Ancestral parecia brilhar como nunca e ele só torcia para que conseguisse dar o salto que era necessário.

Os músculos de suas pernas gritaram de dor, alguns pontos negros espocaram em sua visão e o desespero começou a tomar o espírito do ninja quando ele percebeu que seu impulso não fora o suficiente, deixando-o à mercê de seu inimigo.

Satã Ashura se rejubilou.

O Horror mestre percebeu a tentativa frustrada de ataque de seu inimigo e, sentindo-se seguro e vencedor, ele afastou os Horrors que se aglutinavam ao seu redor, pretendendo ver melhor quando o imenso braço, formado por diversos monstros, estendia suas garras na direção de Jiraiya.

Nesse momento um urro selvagem ecoou na noite.

Com vários monstros ainda agarrados à sua armadura Garo também se lançara no ar, fazendo um movimento circular com sua imensa espada, a lâmina de lado, que atingiu com força incrível as solas dos pés de seu aliado, garantindo assim o impulso que ele precisava.

Antes que Satã Ashura pudesse sequer pensar em se defender, não apenas a Espada Ancestral, mas todo o corpo de Jiraiya, agora parecendo um míssil, atravessou seu corpo deformado, deixando para trás um imenso rombo no tronco do monstro.

Mesmo com o corpo girando em pleno ar, devido ao impacto, o ninja ainda conseguiu se voltar para as costas do inimigo, executando um perfeito corte semicircular, que separou o corpo de Satã Ashura em duas partes, que começaram a cair em direção ao chão, já se decompondo, junto com os últimos horrors que ele havia atraído.

Um pequeno monte de uma gosma extremamente fedorenta caiu no chão, onde a grama morreu de imediato, deixando uma pequena área onde mais nada poderia gerar vida.

Jabi finalmente pode liberar seu poder, desfazendo o domo de energia com uma explosão silenciosa, caindo sentada, exausta e recuperando o fôlego com muita dificuldade, com Zero colocando uma mão em seu ombro, dando os parabéns pelo trabalho bem feito.

O Barão Owl se apoiava no cabo da espada, cuja ponta da lâmina estava enterrada na terra, ao mesmo tempo em que um fatigado Kanin Chang Kung Fu finalmente conseguia recuperar seu fôlego e ficar em pé.

Kei jazia desacordada no colo de sua cunhada, enquanto Agnes, agora sem sua máscara, voltava um olhar repleto de lágrimas na direção de seu marido.

Jiraiya se mantinha de pé, conforme as névoas negras, resultantes da morte de Satã Ashura eram levadas pelos ventos da noite.

Kouga, já sem sua armadura dourada, apenas acompanhava seu mais novo companheiro caminhando na direção da irmã que conseguiu resgatar, graças principalmente à sua tenacidade em não aceitar tê-la perdido para o mal.

Um exemplo a ser seguido.

XXX

Muito longe dali, uma mulher trajando uma armadura branca terminava de conferir os relatórios que seu servo havia trazido.

Ela se recostou num tipo de trono, adornado com os restos de todos aqueles que haviam sido tolos o bastante para ficar em seu caminho, ao lado da imensa arma que havia sido enviada para destruir ela, sua família e seu mundo.

Todos haviam falhado.

- E agora mestra? O que faremos?

- Não aconteceu nada além do que eu já esperava... Era óbvio que tal criatura abjeta nunca poderia sair vitoriosa, mas ao menos temos mais noção do poder daqueles que podem vir a se colocar contra nossa... Empreitada.

- Qual o próximo passo então?

- Prepare nossas forças... Tenho outros agentes sendo acionados nesse exato instante... - o a mulher então se levantou, tomando nas mãos uma imensa espada. – Ainda vai demorar anos até chegarmos, mas quando isso acontecer tudo estará perfeito para minha vangança...

Diante dela surgia um holograma do terceiro planeta do sistema solar e então fechou seu punho sobre sua futura conquista.

XXX

Meses depois.

- Ela dorme tão tranquilamente... Será que um dia vai se recuperar?

- Não se preocupe Toha... Jabi ficará aqui em minha casa, até que sua irmã desperte e estará ao lado dela para o que precisa... Além disso, sob os cuidados de Gonza eu acho possível uma recuperação completa.

- Obrigado Kouga... Muito obrigado mesmo.

Os dois guerreiros trocaram um cumprimento firme, selando uma amizade que perduraria durante muito tempo.

- E o que vai fazer agora?

- Consegui algumas informações, logo após a derrota de Ashura... - ele se lembrou de um horror que, demonstrando uma sapiência que faltava à maioria dos demais que Satã havia convocado, pediu misericórdia, prometendo contar tudo o que o cavaleiro quisesse saber do mundo sombrio. - Confesso que pretendia aprisioná-lo para tentar descobrir o paradeiro de minha esposa e filho, mas não poderia arriscar o destino do mundo, nem pelos meus entes queridos... Agora com essa ameaça encerrada, Partirei em busca deles e não pretendo parar até encontrá-los...

Ele olhou para uma grande caixa, feita por um amigo monge, onde o horror era mantido prisioneiro, podendo se comunicar apenas com Kouga. Um sorriso involuntário surgiu em seu rosto.

- Se um dia precisar de ajuda... - Toha estendeu para o cavaleiro Makai um moderno e pequeno comunicador. - É só pedir que irei o mais rápido possível.

- Uma cena linda... - Jabi se aproximava, ao seu lado vinha Agnes. - Mas vamos embora que é melhor deixarmos nossa jovem o mais descansada possível... Vocês poderão voltar outra hora para visitá-la...

Os dois guerreiros esboçaram um sorriso com o jeito da monge makai e assim que o casal voltou para a cidade e Kouga finalmente partiu, tanto Jabi quanto Gonza, após mais algumas horas tratando de Kei foram dormir.

A madrugada já ia alta quando a garota se levantou de repente, abriu os olhos e os voltou para uma janela próxima.

- Está chegando... E com ela vem também a morte... Morte para todo o mundo.

E então Kei voltou a dormir.




Fim?