Olá Tokuleitores!
Sejam bem vindo a mais um capítulo da saga do Peacemaker!
Nesse capítulo, espero, haverá uma virada de roteiro que, espero novamente, agrade a todos os leitores.
Por isso, sem mais demoras... Boa leitura!

Kamen Rider

Peacemaker #6

Humanidade.


“Querido Aruto. Meu filho.

 

A missão na América do Sul foi a mais difícil de todas e o que descobri lá foi o que me impediu de voltar para o Japão e para você…

 

Eu… Não consigo continuar…

 

Minha mente, nesse momento está febril, talvez eu ainda tenha veneno correndo nas veias, mas…

 

Não… Não importa mais nada.

 

Agora tenho um novo objetivo e, espero que, um dia, você realmente veja essas mensagens e me perdoe…

 

Eu realmente sinto muito meu filho amado...

 

De seu pai... O humano... Soreo Hiden,”

 

XXX

 

Pouco a pouco os sistemas da WarGear Phoneutria foram reiniciando, ela havia recebido uma pancada forte na cabeça e, assim que despertou, levou uma das mãos até o local avariado.

 

- Se estiver doendo, pode falar “aí”… - não longe dela, estava Warhammer e só então Phoneutria percebeu que ambas estavam sem as armaduras. - O impacto na base da cachoeira desativou nossas Formas de Guerra… Uma “salvaguarda” que o doutor Osaka incluiu para que nossas armaduras não fossem avariadas demais… Em breve devemos conseguir acioná-las outra vez.

 

- Entendo… - a WarGear tentou se erguer, mas não conseguiu firmar a perna direita e só não caiu por ter sido amparada pela companheira. - Desculpe WarHammer… Rodando diagnóstico… Pelo visto meu tornozelo trincou com o impacto da queda… Calculo um tempo de 28,13 minutos para consertá-lo…

 

- Não sei se teremos esse tempo para ficar paradas… Nosso alvo conseguiu inverter nossos papéis e agora está nos caçando… Qual a sua última lembrança?

 

- Rodando rotinas de memória… Eu estava olhando o corpo do Peacemaker caindo, então ouvi um silvo agudo, seguido de uma explosão e… E então despertei aqui…

 

- Isso aconteceu a cerca de duas horas… Desde então já mudei nosso esconderijo algumas vezes… Parei aqui por que, confesso, carregar um WarGear não é uma tarefa fácil para um humano.

 

- Lógico. O peso médio de um WarGear de combate sem a armadura chega perto dos duzentos quilos… Me surpreende como você, sendo uma humana comum, conseguiu… O mais prudente teria sido arrancar meu Drive de Guerra e acionar a auto destruição. Por favor, me explique suas decisões.

 

- Humanos são inexplicáveis, eu acho… Muitas de nossas decisões são baseadas em emoções… Ainda que não me lembre do meu passado e que o Doutor Osaka tenha implantado um chip de controle em minha cabeça, bem como vários aprimoramentos físicos, eu ainda possuo autonomia para muitas das minhas decisões… Como, por exemplo, poupá-la ao invés apenas de te destruir…

 

Os fones da WarGear geravam uma imagem holográfica, representando como seu cérebro ia assimilando as novas informações, enquanto seu rosto permanecia inexpressivo.

 

- Realmente não faz sentido nenhum…

 

A resposta da humana foi um riso alto, solto, como havia tempo que ela não ria, sempre pulando de conflito em conflito, fosse como “animal de exibição” do Mercador da Morte, ou fosse enfrentando o Peacemaker, que insistia em entrar no caminho deles.

 

Uma pausa forçada como aquela permitia que Warhammer dedicasse um tempo para pensar, tentando se lembrar do passado anterior ao momento em que ela despertara na mesa de operação, enquanto o Doutor Osaka realizava o procedimento que a transformou em uma Kamen Rider.

 

“Quem sou eu?...” ela disse assustada, conforme percebia que não era possível se mover, presa como estava à mesa de operação “não importa mais quem você é… Mas sim no que vai se tornar” foi a resposta do cientista, antes de colocá-la para dormir novamente.

 

As memórias seguintes já eram dela aprendendo a acionar a sua armadura, a lutar e sempre colocar os desejos de seu salvador acima dos dela, uma vez que lhe foi dito como o doutor Osaka havia salvo sua vida após um acidente.

 

Nem mesmo um nome além de Warhammer lhe foi dado.

 

O passeio pelas lembranças foi interrompido quando o som de passos apressados chegou até os ouvidos eletrônicos da Phoneutria.

 

- Alguém está se aproximando…

 

- Não estamos em condição de entrar em combate… Ali tem uma caverna, consegue correr até lá?

 

- Sim.

 

- Perfeito, vai na frente que eu vou pegar alguma vegetação para cobrir a entrada… Daí tentamos ficar lá até nos recuperarmos…

 

A WarGear acenou positivamente com a cabeça e seguiu para dentro da caverna, conforme sua companheira, sem ter certeza de como havia tido aquela ideia, conseguiu rapidamente erguer uma barreira de folhagem diante da entrada da caverna e logo ambas estavam juntas, em completo silêncio, prestando atenção, principalmente, no que os sensores da Phoneutria captavam.

 

- Eles agora estão em um veículo de grande porte, - pouco mais de uma hora se passou até a WarGear se levantar de repente, o tornozelo já recuperado. - Não chega a ser o blindado, mas, ainda assim, algo grande… Avançam devagar para não comprometer muito as árvores e, provavelmente, por estarem nos rastreando…

 

- Certo… - com muita concentração Warhammer conseguiu acionar sua armadura, mesmo que ainda estivesse extremamente danificada, conseguindo fazer funcionar precariamente o canhão em seu braço. - Não vamos muito longe se ficarmos apenas fugindo.

 

Ela se colocou diante da entrada da caverna, conseguindo ver através da vegetação que usou para escondê-la, apontando o canhão diante do corpo, mal conseguindo se manter em pé, devido aos ferimentos e ao cansaço, mas com uma determinação férrea.

 

Os tensos segundos se tornaram minutos e então o veículo se aproximou o suficiente para que os sensores de sua armadura o captassem, ela fez um sinal para que sua companheira se concentrasse na sua recuperação e então começou a reunir energia.

 

Não demorou para que um veículo pesado e adaptado para andar na floresta surgisse na mira do canhão da Warhammer e, mesmo com os braços ainda tremendo, ela disparou.

 

A explosão fez o veículo tombar de lado e então a Kamen Rider humana se colocou em movimento, correndo na direção do blindado caído, disparando mais vezes até que tudo não passasse de uma pilha de escombros.

 

Warhammer foi se aproximando com cuidado, canhão pronto para um novo disparo, ela queria ter certeza do fim de seu inimigo e, assim que se aproximou o suficiente, percebendo que, mesmo com a magnitude de seu disparo anterior, deveriam haver mais escombros, era como se o veículo fosse somente uma carcaça.

 

A rider percebeu a armadilha um segundo antes de se virar a tempo de erguer o canhão, disparando contra seu oponente, que vinha do alto do morro onde ficava a caverna, errando-o por pouco, o que foi suficiente para que ele atingisse seu braço, destruindo sua arma.

 

Por causa dos recursos que sua armadura estava destinando para cuidar dos ferimentos resultantes da queda na cachoeira, ela não conseguiria formar outro canhão tão cedo.

 

Desse modo, torcendo para que seu inimigo ainda estivesse longe de estar recuperado, ela partiu para o combate direto.

 

- Fuja e siga até o ponto de encontro! - Phoneutria ainda permanecia na caverna, mas podia ouvir a companheira. - Eu seguro ele.

 

Peacemaker lutava em silêncio, o ombro estava melhor, mas a queda na cachoeira, ainda que fazendo parte do plano desesperado de Karin e Hideki, além do ferimento recebido quando aquela desastrosa missão havia começado, continuava latejando.

 

E era justamente sobre essa área que Warhammer parecia disposta a atingir, com socos certeiros, enquanto seus chutes visavam os flancos do inimigo.

 

“Acho que nunca seus sinais vitais estiveram tão instáveis...” a voz de Karin ressoava nos ouvidos de Soreo “Ainda acho que deveríamos ter abortado a missão quando te pescamos no rio… Nunca vi você e a armadura tão judiados..”

 

- É uma chance de acabarmos com essa caça ao maldito Osaka. - Ao bloquear um chute que visava sua cabeça, Peacemaker percebeu que os golpes estavam ficando mais fracos. - Você está ferida!

 

Aproveitando a descoberta, o Rider começou a desferir golpes mais fortes, querendo encerrar logo a luta, sabendo que, se a situação se prolongasse ainda mais, ele não resistiria.

 

Um soco acertou a lateral da cabeça da Warhammer, acabando por destruir parte do capacete, fazendo-a cair perto dele, mantendo o rosto escondido, outra das diretrizes que o Mercador da Guerra havia inserido em sua mente.

 

“Jamais mostre seu rosto. Jamais.”

 

Ainda assim, fraca como estava ela não pode impedir que o Peacemaker a segurasse pelo ombro, voltando seu rosto na direção dele, que pretendia encerrar a luta com um soco, mas seu golpe nunca foi dado.

 

Soreo a soltou e deu passos hesitantes para trás.

 

- Não… Não pode ser…

 

Ele desativou a armadura e os dois inimigos se encararam, olhos arregalados, sem conseguir encontrar palavras.

 

Nesse momento, antes que pudesse esboçar uma reação Soreo sentiu uma dor excruciante vinda de suas costas, caindo de lado e revelando  Phoneutria atrás dele, a manopla do veneno ainda pingando.

 

- Eu mandei você ir embora… - ainda atordoada, Warhammer foi erguida facilmente pela WarGear. - Por que…

 

- O convívio com você está me fazendo ter ações ilógicas, eu acho...

 

A WarGear estendeu seu punho de veneno contra o inimigo caído que, desesperado, tentava em vão se erguer.

 

- Não! - a reação de Warhammer pegou de surpresa tanto a WarGear quanto ela própria. - Digo… Não dá tempo… Os colegas dele devem estar chegando… Vamos embora. Agora.

 

E assim um desesperado Soren foi deixado para trás, mal conseguindo se mexer, estendendo a mão na direção da floresta onde as inimigas haviam desaparecido.

 

Pouco depois Karin e Hideki realmente chegaram, iniciando um atendimento emergencial ali mesmo, injetando uma vacina contra o veneno da Aranha Armadeira que ela havia conseguido sintetizar assim que Soreo confirmou o tipo de animal que servia de base para a WarGear inimiga.

 

- Soreo! Fique firme…

 

- Ele tá querendo falar algo Karin… Descansa amigo… Depois você fala e...

 

Hideki se calou, quando Soreo agarrou o seu braço, falando uma única palavra antes de perder os sentidos.

 

- Yoshino...

 

 

 

Continua.

Ilustração da Kamen Rider Phoneutria