Olá Leitores!

E eis que temos uma nova estréia! Hanna Barbera Heroes! Ou HB Heroes.

Um projeto que pensei após ter a ideia de fazer um redesign do visual do Space Ghost, o que seria apenas uma série de ilustrações, no espaço de uma semana, se tornou esse novo projeto, primeiro com uma minisserie em 3 edições e depois... Só o amanhã dirá!

Assim que essa primeira mini se encerrar, Legado Rubro retornará com tudo.

Portanto, sem mais delongas...

Boa leitura!


1 - O despertar do Fantasma.

 

A escuridão era completa, tranquilizadora e reconfortante.

 

De repente a não consciência foi dando espaço para uma série de sentidos e sentimentos, uma percepção incompleta e confusa do que poderia estar acontecendo ao seu redor, dentro dele, em seu corpo, em sua mente.

 

Fragmentos de memória o atacaram em flashs tão violentos que cada cena lhe dava a impressão de estar recebendo um potente soco no meio da face, fazendo seu corpo convulsionar dentro do espesso líquido ao seu redor.

 

Líquido.

 

Ele estava dentro de um tipo de cápsula, ao voltar o olhar para o restante do corpo percebeu que o mesmo ia sendo coberto por um traje preto e depois por peças brancas e vermelhas, tudo sendo construído, aparentemente, pela união de pequenos insetos, um tipo estranho de aranhas.

 

Nanotecnologia.

 

O termo surgiu em sua mente entorpecida e em segundos ele compreendeu o que significava, conforme o uniforme terminava de cobrir seu corpo e, quando uma máscara se formou ao redor de sua cabeça, o líquido começou a escorrer até que, assim que ficou vazia, a cápsula se abriu.

 

Com passos trêmulos e sem firmeza ele saiu, percebendo estar em um moderno laboratório, mas, olhando ao redor, era possível divisar vários trechos do local, com painéis semi destruídos e alguns aparelhos abertos, de onde era possível ver faíscas vindo de fios expostos e cortados.

 

Algo acontecera ali e não foi agradável.

 

Conforme ele caminhava, a firmeza nas pernas ia voltando pouco a pouco, era possível perceber seu reflexo em algumas paredes que, apesar de todo o estrago ao redor, permaneciam reflexivas o suficiente para ele se ver.

 

O corpo possuía uma musculatura avantajada, sua cabeça, braços e parte da cintura, bem como de suas coxas, estavam cobertas pelo traje negro e por sobre ele, na região do peitoral e dos ombros uma armadura branca, assim como do joelho para baixo, também com peças brancas e detalhes vermelhos.

 

Ele viu dois braceletes também vermelhos, com três botões dourados em cada um, a mente já imaginando qual seria a função deles, bem como do restante do traje.

 

Não conseguia lembrar do motivo dele ter sido colocado na câmara de recuperação, outra informação que ele sentia surgindo na mente, o que fez com que percebesse que, a cada passo dado, tanto o corpo quando seu cérebro parecia se ajustando à realidade que o cercava.

 

Apesar de não ter lembranças ainda de quem exatamente ele era, todas as funções dos aparelhos que o cercavam iam jorrando por sua mente, que se adaptava de imediato a tudo o que ia ocorrendo.

 

Permanecendo em pé diante de um terminal que parecia, ao menos, mais inteiro que outros, mais uma vez, de modo completamente instintivo, ele começou a mover os dedos por um teclado virtual, acionado por sua aproximação.

 

"Olá X02598. O que deseja?"

 

- Hum... Eu... Essa é minha denominação? - Até o tom da própria voz era estranha para ele, era como se fosse a voz de um completo estranho. - Esse é... Meu nome?

 

"Essa unidade de Inteligência Artificial não pode responder a essa questão. Deseja saber algo mais?"

 

- Qual a sua denominação?

 

"Alpha Spectre modelo 0589743680258257412398"

 

- Vou te chamar de Spectre então... Pode ser?

 

"Essa unidade não possui nenhuma objeção."

 

- Muito bem... Será Spectre então... Vejamos... Onde estamos e o que aconteceu a esse local? Eu vejo vários sinais de combate, muita avaria espalhada por tudo...

 

"Estamos no laboratório médico e de genética Ômega Chromus... Sobre a cadeia de ações que atingiu esse local... Banco de dados corrompido... Banco de dados corrompido... Não é possível precisar, por esse terminal, a formulação de uma resposta ao questionamento."

 

- Hum... - aquilo era por demais desencorajador, mas o homem de uniforme não podia desistir de encontrar respostas. - Existe algum terminal onde eu possa requerer informações a respeito do meu questionamento?

 

"Buscando... Aguarde..."

 

Sem outra opção ele começou a andar e investigar o local ao redor, outros terminais nem ligavam e enquanto andava ao redor da cápsula de onde ele saíra, ele quase pisou em algo metálico.

 

Ele se abaixou e percebeu ser um aparelho de entretenimento holográfico, cuja tela surgiu dentro de uma moldura de projeção.

 

Com o dedo de movendo para o lado ele tentou acessar as pastas que surgiram, mas assim como Spectre, havia muita informação corrompida.

 

O máximo que ele conseguiu foi ver uma pasta com vários jogos infantis, uma ou outra foto com definição tão baixa que mal podia identificar quem estaria nelas, mas era possível perceber dois adultos, duas crianças e um tipo de animal de estimação.

 

Quando estava para desistir, uma última imagem lhe chamou a atenção.

 

Era uma ilustração obviamente feita por uma criança pequena, dada a simplicidade do traço, mas, para surpresa do homem, o desenho apresentava alguém com um uniforme que lembrava muito o dele, com um nome escrito com uma letra que, provavelmente, pertencia à mesma autora do desenho.

 

"Atenção X02598... Terminal funcional encontrado seguindo as diretrizes do seu pedido... O local seria a ponte de comando da nave... Se preferir posso transferir os dados para seu traje, bem como uma sugestão do menor trajeto desse ponto onde estamos até o local desejado... Posso transferir os dados?"

 

- Além dos dados, você pode transferir sua consciência total? - ele então ergueu o bracelete que cobria seu pulso direito. - Algo me diz que precisarei de mais ajuda pelo caminho... O que me diz?

 

"Se assim desejar... tal transferência levara poucos segundos... Aguarde..."

 

Assim como o prometido, logo o homem de uniforme estava diante da porta de saída do laboratório, o dedo indicativo da mão direita a centímetros do botão que a abriria.

 

"O botão da porta precisa simplesmente ser apertado para que as portas deslizem para os lados, a fim de nos deixar sair do laboratório, porém sinto, em sua linguagem corporal, uma hesitação inesperada... Algo de errado X02598?"

 

- Apenas um sentimento de insegurança... - mesmo sem ser necessário, o homem levava um de seus braceletes diante do rosto, sentindo mais facilidade de se comunicar com a IA daquela forma. - Um frio na barriga...

 

"As leituras de seus sinais vitais indicam que tudo está em funcionamento, apenas foi detectado um aumento nos hormônios relacionados à ansiedade... Prefere esperar X02598?"

 

- Não. Vamos lá. - ele então apertou o botão, as portas de metal correram para os lados, com um ranger alto, deixando claro que não eram utilizadas a um certo tempo e antes de sair do laboratório, ao se lembrar da ilustração infantil que tinha visto, após um comando mental o uniforme gerou uma capa dourada e transparente e então, exibindo um sorriso tímido nos lábios, ele foi saindo. - E pode me chamar de... Space Ghost.

 

 

Conforme deu os primeiros passos para fora do laboratório, as luzes do corredor foram se acendendo enquanto ele se dirigia para a Ponte de Comando.

 

Com o canto do olho ele via as informações com o caminho mais curto, indicado por sua companheira Spectre.

 

Pelo caminho era possível ver os mesmos sinais de destruição que estavam espalhados pelo laboratório, paredes exibindo rasgos no metal, o que já era preocupante, pois, segundo as informações que iam chegando a cada instante direto na mente dele, teria de ser algo absurdamente forte para fazer aquele tipo de estrago.

 

- Nenhum sucesso com aqueles dados corrompidos Spectre?

 

"Por enquanto nada, estou realizando análises e rodando várias sub rotinas para tentar descobrir o que poderia causar tal efeito nos meus bancos de dados, mas por enquanto nada..."

 

- Tudo bem... Continue a procurar... - mais uma olhada no caminho marcado até a ponte. - Pelos meus cálculos, se for caminhando devo chegar à ponte em uma hora...

 

"Não é realmente necessário andar..."

 

No mesmo instante mais informações inundaram a mente do homem uniformizado e, após um momento de concentração ele se viu ficando a alguns centímetros do chão.

 

- Eu posso voar? Incrível!

 

Ele estendeu os punhos fechados para frente, deixou o corpo em posição vertical e partiu a uma grande velocidade na direção da ponte de comando.

 

Com um sorriso imenso no rosto ele seguia rápido pelos corredores, ansioso para chegar logo ao seu destino e descobrir tudo o que fosse possível sobre ele mesmo e a situação em que estava.

 

Conseguir lembrar generalidades ou descobrir as capacidades dos aparelhos ao seu redor, mas não ter nenhuma lembrança pessoal do que acontecera com ele antes de despertar na cápsula, era frustrante, mas em breve ele teria suas respostas.

 

"Afinal de contas" ele pensou "O que poderia dar errado?"

 

"Atenção Space Ghost! Atenção Space Ghost! Aproximação de forma de vida desconhecida!"

 

- Como é que é?

 

E então o inferno começou.


Continua.

Galeria de imagens.

Space Ghost.