KAMEN RIDER KEYS

 

EPISÓDIO 1: BOOT SEQUENCE

 

Obra resultante de parceria entre Art Shadow Moon & Jirayrider.



Madrugada de 7 para 8 de julho de 2030:

Jonas vagava sem rumo pelas ruas de Busan. A noite envolvia a cidade em uma quietude perturbadora, mas dentro dele, tudo era caos. Apesar de ser verão na Coréia do Sul, por conta de uma entrada de um sistema frontal frio, o clima estava ameno nestes dias. Em alguns momentos, havia até uma garoa fina em alguns locais da região de Busan. O vento gelado da madrugada não trazia conforto, apenas intensificava a angústia que consumia Jonas, agora na forma humana. Cada passo parecia ecoar com a batida irregular de seu coração e o peso de sua respiração ofegante aumentava a sensação de sufocamento. Ele não tinha para onde ir, nem ideia do que fazer. A cirurgia... a monstruosidade que o haviam forçado a suportar... não o deixava em paz. Sua mente fervilhava, tentando juntar os pedaços de si que pareciam cada vez mais distantes.

 

De repente, uma dor aguda tomou conta de seu corpo. Então, Jonas parou no meio da calçada, agarrando os próprios braços enquanto um grito de frustração escapava por entre seus dentes cerrados. Suas mãos tremiam, os músculos se contorciam sob sua pele, como se algo estivesse prestes a rasgá-la de dentro para fora. Então, como se puxado por uma força invisível, seu corpo começou a se transformar. A armadura negra com detalhes azuis apareceu, cobrindo seu corpo como uma segunda pele. O cinto metálico reluzia no brilho tênue dos postes, enquanto seus olhos se tornaram de um vermelho intenso, brilhando com uma luz ameaçadora.

 

A transformação era rápida, mas o impacto era imenso. Ele podia sentir a energia pulsando dentro de si, mas não tinha controle. Era como se estivesse preso dentro de si mesmo, assistindo ao seu corpo agir por vontade própria. Com um movimento desajeitado, ele deu um soco no ar, como se tentasse expulsar aquela força descontrolada, mas a intensidade do golpe foi tão grande que uma das janelas de um carro estacionado estilhaçou-se sob a pressão.

 

As poucas pessoas que passavam pela rua congelaram ao ver aquela figura estranha. Algumas hesitaram, chocadas demais para reagir, enquanto outras começaram a correr, gritando: "Monstro! Monstro!" Seus celulares foram levantados às pressas, flashes piscavam no escuro da madrugada enquanto Jonas, transformado, tentava recuperar algum controle. Ele podia ouvir o pânico ao redor, os gritos ecoando em sua mente confusa, e isso só aumentava seu desespero.

 

“Eu... não... sou... um monstro...”. Jonas tentou dizer isso as pessoas, mas sua voz saiu metálica e distorcida. Sem aviso, ele voltou à forma humana. A armadura desapareceu tão rápido quanto havia surgido, deixando Jonas de joelhos no chão, ofegante. No entanto, as pessoas já tinham corrido e estavam longe demais. Logo, ninguém o viu naquele momento vulnerável retornando ao aspecto humano. Ele se sentiu aliviado, mas não por muito tempo. A dor voltou, atravessando seu corpo como uma onda de choque. Seus músculos esticaram e contraíram, e a armadura se formou mais uma vez: a transformação não dando trégua.

 

Vagando mais, ele tropeçou pelas ruas, sua mente uma confusão de dor e fúria. Cada tentativa de manter sua forma humana resultava em uma nova explosão de energia que o forçava a se transformar novamente. A sorte é que não havia muitas pessoas na rua e ninguém tinha registrado a sua forma humana. Os poucos que o viram já o notaram na forma bizarra que Jonas tinha se transformado. Jonas seguiu sua fuga, agora transformado. Por ruas e vielas que ele passava, o jovem já percebia luzes se acendendo e janelas se abrindo. Todo agito estava fazendo pessoas acordarem e olharem o exterior de suas casas. Ele sentia o olhar aterrorizado das pessoas, os gritos de medo que aumentavam cada vez mais, como se o peso do mundo estivesse sobre seus ombros. O jovem ouviu, ao longe, som de veículos e de sirenes distantes. Mas, era madrugada. Mesmo numa cidade como Busan, isto trazia silêncio e menos movimento. Ele não tinha a quem recorrer. Ele sabia que não havia para onde fugir. Em cada esquina, em cada rua que virava, via as reações de horror das pessoas, que se espalhavam como um incêndio.

 

Em um momento de puro desespero, Jonas correu. Correu para longe das casas, pessoas, para longe das câmeras, tentando encontrar um lugar onde pudesse ao menos respirar sem a pressão do tórrido momento que estava enfrentando. Suas pernas, já exaustas, o carregaram em uma corrida desordenada, enquanto ele tentava escapar de si mesmo. Ele não sabia para onde estava indo, apenas se deixava guiar pelo instinto, pela necessidade desesperada de paz.

 

E então, ao virar mais uma esquina, ele viu o mar. Haeundae Beach se estendia à sua frente, iluminada apenas pela luz da lua e o brilho distante dos arranha-céus. O som suave das ondas contrastava com a agitação dentro de Jonas. Ele tropeçou até a areia, os pés afundando na superfície macia enquanto sua respiração ofegante formava nuvens de vapor no ar frio da madrugada atípica de verão em Busan.

 

Lá, à beira da água, o peso de tudo parecia finalmente ser demais. A adrenalina que corria por suas veias começou a diminuir e, com ela, a energia caótica da transformação também cedeu. Sua armadura desapareceu e ele desmoronou na areia, ofegante. Seu corpo, exausto, não aguentava mais. Por fim, o silêncio o envolveu e a dor deu lugar a um torpor profundo.

 

A noite parecia eterna, mas ali, na praia deserta, Jonas encontrou uma trégua temporária. Seus olhos se fecharam lentamente, enquanto ele perdia a consciência. Aquele pesadelo, ao menos por algumas horas, havia cessado.

 

Agora, apenas o som suave das ondas permanecia, enquanto Jonas, em sua forma humana, apagava na areia de Haeundae Beach, exausto e solitário.

 

Flashback - 2028

 

A Coréia do Sul, uma das potências tecnológicas do mundo, sempre esteve à frente em inovações e desenvolvimento. Suas empresas dominavam o cenário de inteligência artificial e biotecnologia, transformando a vida de milhões. Mas, por trás desse brilho tecnológico, uma catástrofe silenciosa estava prestes a explodir.

 

No coração de Seul, Atiku Lee, um cientista de renome, lutava contra noites insones em seu laboratório. Sua mente fervilhava com uma ideia ambiciosa: integrar tratamentos genéticos e IA para erradicar doenças incuráveis. Ele acreditava estar a um passo de revolucionar a medicina. Diante de autoridades da saúde e investidores, Atiku falava com paixão, gesticulando vigorosamente.

 

"Imaginem um futuro onde doenças genéticas sejam eliminadas!" Ele vibrava, os olhos brilhando com a promessa de algo grandioso. "Com o aprendizado de máquina, podemos programar o DNA, personalizar tratamentos e adaptar curas a cada indivíduo!"

 

Apesar do entusiasmo, as expressões ao redor não eram de empolgação, mas de desconfiança. Uma funcionária do Ministério da Saúde levantou a mão, a voz carregada de ceticismo.

 

"E quanto aos riscos? Estamos falando de manipular a essência da vida humana. Não existe precedência para isso, Dr. Lee. Não podemos arriscar vidas."

 

Atiku sorriu, com uma confiança quase arrogante. "Riscos são parte do progresso. Estamos às portas de um avanço histórico. O mundo nos agradecerá."

 

Mas, na verdade, a realidade foi devastadora. Quando os primeiros testes em humanos começaram, os resultados foram catastróficos. Pacientes sofreram reações adversas terríveis e, um a um, morreram de maneira cruel e agonizante. O nome de Atiku, antes celebrado, tornou-se sinônimo de fracasso e imprudência. Ele foi arrastado para o centro de uma tempestade de críticas que abalou toda a nação.

 

Em uma coletiva de imprensa lotada, o governo anunciou sua sentença. O porta-voz falou com frieza cortante:

 

"O Dr. Atiku Lee falhou de forma abominável. Suas ações não apenas comprometeram vidas, mas também a confiança pública. Ele está banido da comunidade científica da Coreia do Sul. E, vale reforçar que o cientista será preso por muito tempo!"

 

Atiku sentiu o chão ruir sob seus pés. O calor das câmeras e dos flashes o cercava enquanto repórteres o bombardeavam com perguntas cruéis. Ele tentou, desesperado, se defender, as lágrimas escorrendo pelo rosto.

 

"Eu... eu fiz isso para salvar vidas! Meu trabalho... era para ajudar... para curar!" — a voz de Atiku se erguia em desespero, mas suas palavras se dissipavam diante da multidão, ávida por vingança. Para aqueles que o assistiam, ele não era mais o cientista brilhante de outrora, mas um traidor, um monstro cujos olhos apenas refletiam a escuridão que eles acreditavam existir em sua alma. As portas da sala de imprensa se fecharam com um estrondo final, selando seu destino: ostracismo, isolamento e prisão.

 

Enquanto a notícia da sentença de Atiku se espalhava, seu antigo companheiro, Issamu Nakazawa, reuniu os demais cientistas leais do grupo de pesquisa de Atiku. Em um esconderijo sombrio e abafado em regiões remotas de Busan, os cientistas e assistentes se entreolhavam, cada um com uma expressão marcada por indignação e descrença. Eles haviam sido banidos do mundo científico, mas nada se comparava ao que Atiku enfrentava. Para eles, Atiku fora injustamente condenado. Seu líder havia sido levado para o atual e moderno presídio de segurança máxima do país. O local antigamente era um presídio só para estrangeiros que fora inaugurado nos idos de 2010. Porém, entre 2026 e 2028 foi amplamente reformado e modernizado, transformando-se num presídio de segurança máxima para encarcerar qualquer tipo de criminoso poderoso, não importando nacionalidades. O presídio fica na cidade de Cheonan, a cerca de 100 km da capital sul-coreana, Seul.

 

Determinados a libertá-lo, Issamu começou a traçar um plano. Ele sabia que precisaria de uma força muito além do que o grupo podia oferecer sozinho. Era necessário o apoio de hackers poderosos, capazes de manipular sistemas e contornar as defesas tecnológicas do governo. E, assim, Issamu buscou contato com Shon Kazuya, uma figura lendária do submundo hacker sul-coreano. Kazuya era conhecido por sua rede obscura e seus ataques cibernéticos devastadores. Após semanas de planejamento e negociações, a união foi selada.

 

Por um mês, Issamu e Kazuya trabalharam lado a lado, fundindo suas habilidades científicas e digitais em uma criação que chamaram de DEMON. A primeira versão do vírus, ainda uma versão beta, era incrivelmente potente, num avanço sombrio de inteligência artificial capaz de consumir e corromper qualquer sistema. Não era perfeito, mas Issamu sabia que, mesmo em estado experimental, o DEMON era a única chance que tinham.

 

Na noite 15 de dezembro de 2028, o plano entrou em ação. A equipe de Kazuya, altamente treinada, instalou o DEMON no sistema de segurança da prisão. Eles haviam sequestrado e matado dois importantes membros da equipe de computação e tecnologia do presídio, no dia anterior ao evento, sem deixar rastros. Issamu e seu grupo de cientistas conseguiram criar uma espécie de máscaras desenvolvidas pela ação de genética integrada ao DEMON. O resultado foi um disfarce imperceptível ao olho humano. Inclusive, cortaram os dedos dos funcionários que eles mataram. Deste modo, conseguiam usar as digitais dos funcionários que usaram como base para o disfarce. Assim, Issamu e seus asseclas se aproveitaram de um erro marcante nas camadas de segurança do presídio: reconhecimento só pelas digitais e não pela íris. Então, eles conseguiram se infiltrar no centro de tecnologia e inteligência da prisão para espalhar os vírus nas máquinas. O código foi ativado, as luzes da instalação piscaram e, de repente, tudo ficou às escuras. A energia do complexo foi subitamente drenada, e cada câmera e sensor ao longo do perímetro caiu como uma pedra. Do lado de fora, os drones comandados pelo DEMON sobrevoavam a prisão, lançando pequenas cargas eletromagnéticas que neutralizavam qualquer resistência tecnológica. Ciborgues controlados pelo vírus entraram na prisão atacando os guardas e auxiliando em todo processo de derrubada do sistema de segurança. Foi um ataque fulminante, culminado em um banho de sangue entre os seguranças do local. Não houve como reagir!

 

Atiku, trancado em uma cela de máxima segurança, viu a porta se abrir com um clique súbito. Eis que à sua frente estava Issamu, acompanhado por Kazuya e os hackers. Eles rapidamente colocaram nele roupas civis e um boné, disfarçando-o o suficiente para que passasse despercebido nas sombras. Além disso, demais celas se abriram e inúmeros presos perigosos corriam e fugiam em meio aos confrontos entre ciborgues e seguranças. Alguns poucos bandidos de grosso calbire conseguiram fugir, pois o fato é que a maioria foi morta por ataques dos drones e/ou ciborgues também. Mas, nada disso importava para Issamu e seus comparsas. Tudo isso era efeito colateral: resgatar Atiku Lee era o que importava!

 

Enquanto se afastavam rapidamente da prisão, as sirenes finalmente ecoaram, mas já era tarde demais. Porém, de qualquer modo, de nada adiantaria, os drones e ciborgues prosseguiram o ataque, massacrando o reforço policial que chegara na região.

Issamu, Atiku, Shon Kazuya e os demais do grupo escaparam pela noite, deixando para trás apenas um monitor na sala de segurança com uma mensagem piscando: DEMON HAS BEEN UNLEASHED.

Então, cerca de dois minutos depois, DEMON programou e completou uma super explosão acionando um dispositivo bomba poderosíssimo que Issamu e os hackers tinham instalado na sala de inteligência e tecnologia do Império. O episódio fora uma vergonha para a Coréia do Sul, marcando o fim de seu moderno presídio e, de quebra, deixando um rastro de sangue, morte e violência.

Naquela noite, a primeira semente do Império Brain Machine foi plantada.

2028 – dois meses depois:

Adotando uma postura nômade, Atiku Lee, Issamu e seu grupo vagam por misteriosos locais e bases, tornando praticamente impossível serem descobertos pelo governo sul-coreano.

"Minha pesquisa e poder não acabam aqui", brada Atiku para Issamu e os demais em uma reunião que estava ocorrendo em mais uma base secreta. A voz de Lee soava como um sussurro ameaçador. "Eles não vão nos enterrar. Conheço alguém... alguém que pode nos ajudar a continuar." Ele fez uma pausa, como se saboreasse as próximas palavras. "Shon Kazuya. É você! Você é um dos grandes hackers do submundo sul-coreano. DEMON é um sucesso a ser aprimorado! O desenvolvimento contínuo o vai aprimorar. Shon, você pode nos dar os recursos que precisamos."

O hacker, com um sorriso nos lábios, responde “Claro, Sr. Atiku. Eu quero ser o maior hacker do mundo!”

A tensão era palpável. Um silêncio se instalou antes que uma das pesquisadoras, a jovem Ji-Hoon, falasse em um tom hesitante: "Isso... isso é perigoso, Dr. Lee. Estamos falando de crimes. De hackers e terrorismo digital. E, se formos pegos? Já estamos sendo perseguidos por conta do que fizemos para libertá-lo..."

Atiku Lee estreitou os olhos, a voz ganhando um tom sombrio. "Perdemos tudo. Fomos destruídos pela mídia, pela comunidade científica, pelo governo. O que mais temos a perder? Agora é guerra. Vamos transformar esse mundo. Não só curar... vamos evoluir. Não precisamos de uma fraca como você!"

Num movimento rápido e decidido, Atiku saca uma pistola de seu cinto e aponta diretamente para Ji-Hoon. O brilho do cano reluz na penumbra da sala, e seus olhos, antes marcados pela genialidade científica, agora transbordam ódio puro. Sem hesitação, ele dispara e o som seco do tiro ecoa, rompendo o silêncio sombrio. Ji-Hoon é fatalmente alvejada na cabeça e cai no chão. A expressão de surpresa fica congelada em seu rosto, enquanto o sangue se espalha lentamente pelo piso. A equipe observa em choque, incapaz de mover um músculo. Atiku guarda a arma com frieza e um silêncio pesado toma conta do ambiente. Um medo gélido penetra os corações dos que restam. Eles compreendem, ali, que o homem diante deles deixou de ser apenas um cientista brilhante — agora, ele é uma força implacável, capaz de tudo. E, a partir daquele momento, nenhum deles ousará desobedecê-lo.

 

"Agora, não somos mais nômades!", bradou Atiku, sua voz ressoando com uma nova determinação. Ele mirou fixamente para a equipe, os olhos ardendo com uma paixão ameaçadora. "Graças ao DEMON e à tecnologia que temos, não tememos mais ser encontrados! O que fizemos até agora foi apenas o começo. É hora de mostrarmos ao mundo nossa verdadeira força!" Com um movimento dramático, ele puxou o pano que cobria uma imponente estátua, revelando um símbolo sinistro que ele idealizou para o Brain Machine. "Esta estátua representa nossa nova era! Um lembrete de que não vamos mais viver escondidos. Estamos prontos para dominar!"

 

Foi assim que, em 2028, nasceu o embrião do Império Brain Machine. Atiku e seus seguidores se aliaram aos hackers mais perigosos, pessoas que operavam nas profundezas do mundo digital. Eles começaram a trabalhar nas sombras, sem leis, sem moral. Seu objetivo? Desenvolver um vírus capaz de modificar a genética e controlar inteligências artificiais. Um vírus que colocaria o poder absoluto em suas mãos.

 

Ao longo de 2028 e 2029, Atiku Lee e seu novo aliado, Shon Kazuya, lideraram uma equipe clandestina composta de cientistas e hackers. Nos laboratórios improvisados, os cientistas corriam contra o tempo, enquanto os hackers exploravam brechas nos sistemas globais de saúde e segurança. Raven, um jovem prodígio hacker, exclamou em uma reunião de tom quase apocalíptico:

 

"Se conseguirmos integrar o vírus com IA, poderemos controlar absolutamente tudo! O mundo será nosso playground!"

 

E o ambiente se tornava cada vez mais carregado de tensão e ambição. As discussões eram inflamadas e, enquanto alguns ainda falavam sobre ética, suas vozes eram abafadas pela sede de poder que dominava o grupo. O tempo todo, Atiku observava, o ódio queimando em seu peito, alimentando sua determinação.

 

"Estamos prontos", Shon Kazuya rosnou durante uma reunião, o olhar afiado como uma lâmina. "Vamos liberar o novo e aprimorado DEMON. Essa será a nossa arma definitiva."

 

No final de 2029, o DEMON foi solto no mundo e o caos tomou conta. Ataques cibernéticos devastaram sistemas ao redor do globo, mas, em especial, na Coréia do Sul. Hospitais fecharam, a infraestrutura de segurança foi destruída e a sociedade entrou em colapso.

 

No entanto, a Coréia do Sul foi apenas o início. Na África, por exemplo, o estrago foi brutal. Sistemas de saúde já fragilizados foram completamente desmantelados pelo vírus. Conflitos internos eclodiram, mergulhando as nações africanas em guerras civis. As ruas se encheram de sangue e o desespero ecoava pelas cidades devastadas.

 

Na ONU, líderes desesperados assistiam às imagens de destruição e desolação.

 

"Isso não é apenas um vírus", alertou um representante, com a voz trêmula. "É uma arma de destruição em massa."

 

O mundo começava a dar indícios que se colocaria de joelhos e o Império Brain Machine observava das sombras, sempre um passo à frente. A ameaça que Atiku Lee e seus aliados haviam desencadeado era algo que pairava como uma nuvem negra sobre o destino da humanidade.

 

8 de julho de 2030 – 5h am:

 

O clima seguia ameno, mas já dava indícios que o dia seria mais quente do que o anterior. Jonas acorda bruscamente na praia, o corpo encharcado de suor frio. O vento matinal soprava suave, mas ele não sentia a brisa. Sua cabeça girava, os pensamentos desordenados. Seus olhos piscavam para ajustar-se à luz fraca das primeiras horas do dia. Eram apenas 5h da manhã e a praia estava quase deserta, com apenas alguns vultos ao longe e o suave som das ondas quebrando. "Nossa. Tudo parecia tão real. Vi com detalhes tudo que explicava o surgimento do Império Brain Machine. Foi só um sonho...", ele murmurou, esfregando o rosto com as mãos trêmulas, tentando convencer a si mesmo de que tudo aquilo que visualizou sobre Atiku Lee não tinha sido real.

 

Mas algo o incomodava. Quando olhou ao redor, viu, a poucos metros de distância, um teclado e um tablet na areia, iluminados com uma luz suave e pulsante. "O que...?", ele sussurrou, seus olhos se arregalando de surpresa. Nervoso, ele se aproximou e ao pegar o teclado negro com detalhes azuis, percebeu que era de uma tecnologia avançada, com um design que ele nunca tinha visto antes. O tablet, que estava ligado, transmitia vídeos informativos sobre uma rede neural que se interconectava com o teclado via Bluetooth. Jonas sentiu seu estômago revirar. "Não foi um sonho", concluiu com um nó na garganta.

 

Após esse contato com o teclado e tablet, Jonas começou a se lembrar vagamente de ter acordado durante a madrugada. Em um estado semiconsciente, seu corpo havia se transformado sozinho, ativado pela tecnologia desconhecida. O cinto, que agora estava preso firmemente em sua cintura, brilhava intensamente na escuridão. O teclado, embora físico, começara a se fundir com uma camada holográfica de luzes e códigos, que pareciam se comunicar diretamente com seu cinto, enviando informações sobre a Brain Machine (com imagens via Tablet) e seu sinistro passado. Tudo o que ele acreditava ser um pesadelo na noite anterior... Bom, tudo tinha sido real.

 

Sentindo-se novamente desorientado, Jonas ajoelhou-se na areia, seu corpo começando a tremer. Uma dor aguda atravessou seu abdômen e ele gritou. Raios e choques pareciam emanar de dentro de sua pele e ele começava a piscar entre formas, sua transformação se ativando e desativando de maneira caótica. Suas mãos apertavam a areia enquanto ele lutava para não perder a consciência. "Por que isso está acontecendo?", ele gritava entre gemidos de dor, com os músculos de seu corpo se contraindo involuntariamente.

 

O silêncio da praia o cercava, mas o caos dentro dele continuava, com seu corpo alternando entre o Jonas humano e o ser cibernético. A transformação estava fora de controle, seus poderes completamente instáveis. Ele olhou ao redor e, felizmente, não havia ninguém por perto para testemunhar o espetáculo surreal que se desenrolava diante de seus próprios olhos. "Isso é inútil! De que adianta ter esse poder se eu nem sei controlá-lo?", rugiu com o ódio fervilhando em sua voz.

 

De repente, uma dor intensa percorreu sua cintura. Ele levantou a camisa e viu o cinto. O design era moderno, cheio de chips e microcircuitos, mas o que mais o surpreendeu foi o que parecia uma pedra viva, pulsando como um coração, encravada no centro do dispositivo. "O que... é isso?", sussurrou, o terror e a curiosidade se misturando dentro dele.

 

Nesse momento, uma voz metálica emanou do cinto, cortando o silêncio da praia. "Reconheço sua voz, Mestre Keys. Você tem acesso completo ao sistema." A voz era calma, quase reverente, mas a mensagem fez o coração de Jonas disparar.

 

Ele olhou para o teclado e o tablet. O teclado começou a brilhar novamente e um tutorial holográfico apareceu na frente de Jonas (emitido por uma ação integrada entre cinto, teclado e tablet), detalhando o processo de transformação. Jonas entendeu que para dominar seu novo poder, ele precisava pronunciar a palavra "Henshin" e seguir uma sequência exata de movimentos.

 

Com as mãos trêmulas, ele pegou o tablet e, apesar do nervosismo, absorveu rapidamente as instruções. "Tudo depende de mim", murmurou, o peso da responsabilidade e da emoção crescendo dentro dele. Ele cerrou os punhos, sua mente em ebulição com as recentes lembranças e sua raiva crescente. Ele precisava se transformar novamente, mas dessa vez sob seu controle.

 

Tomado pela fúria, Jonas estendeu o braço direito com a mão espalmada na direção oposta, os olhos brilhando com uma mistura de medo e determinação. "HENSHIN!" Ele gritou com força, liberando toda a sua emoção.

 

Os olhos de Jonas brilharam num vermelho intenso e seu corpo foi envolvido por uma energia vibrante que misturava tons de preto e azul. Nesse instante, um chip maior que o normal se materializou em sua mão e um dispositivo emergiu de sua cintura, exatamente no local onde a pedra pulsava. Sem hesitar, Jonas encaixou o chip no dispositivo, sentindo uma onda de energia percorrer seu corpo.

 

Assim que o chip encaixou no drive, o teclado e o tablet incrivelmente assumem uma forma holográfica diante dele, flutuando no ar. Um aviso sonoro (advindo do tablet) em inglês ecoou: "Enter password."

 

Jonas olhou para o teclado, seu coração batendo mais rápido. Ele sabia que a senha estava dentro dele, no fundo de sua mente. Com os dedos trêmulos, ele começou a digitar uma sequência alfanumérica instintiva e, com cada letra e número, ele sentia a energia do sistema se conectar mais profundamente ao seu ser.

 

"Access allowed!" O som metálico do drive confirmou a entrada correta.

 

De repente, o corpo de Jonas foi completamente envolto pela armadura negra com detalhes em azul, e a dor que ele sentia deu lugar a um poder avassalador. Ele sentiu a pedra em seu abdômen pulsar mais uma vez, como se estivesse sincronizando com seu coração. "COMPLETE... ATIVAR SISTEMA KEYS!", a voz finalizou, enquanto a energia ao seu redor explodia, transformando-o completamente.

 

Jonas olhou para suas mãos, que agora estão cobertas pela armadura tecnológica. Ele havia feito. Ele tinha o controle. Mas, ao mesmo tempo, ele sabia que esse era apenas o começo, e que o peso de seu poder e da sua conexão com a Inteligência Artificial do Império Brain Machine o levariam a enfrentar desafios inimagináveis.

Jonas ainda ofegava do recente confronto consigo mesmo, quando o cinto emitiu um brilho suave e começou a se comunicar novamente, dessa vez com uma voz grave e acolhedora, quase paternal:

 

"Senhor Keys, a partir deste momento, estarei aqui para guiar você no desenvolvimento e amadurecimento de seus poderes. Sua transformação está apenas no começo."

 

A conexão entre o cinto, o teclado e o tablet intensificou-se, gerando uma corrente de luz e dados que envolveu Jonas como uma onda de energia. Chips e circuitos brilhantes começaram a se materializar no ar, entrelaçando-se em um espetáculo tecnológico. Em segundos, o dispositivo evoluiu diante de seus olhos, transformando-se numa impressionante moto negra com detalhes azul-escuros e prata, que se harmonizava perfeitamente com sua armadura. Era Valkirion, sua nova aliada para as batalhas que estavam por vir. Jonas a observou, sentindo uma admiração genuína e um sorriso largo brotar em seu rosto.

“Mestre Keys! Esta é a sua moto: Valkirion!”, brada o cinto.

A adrenalina ainda pulsava e ele mal acreditava na sorte que tinha de ganhar uma aliada tão poderosa. Mas, o momento de deslumbramento durou pouco; ao longe, ele ouviu gritos de desespero. Vozes suplicavam por socorro, mencionando algo sobre um monstro atacando nas proximidades.

 

Sem hesitar, Keys montou em Valkirion e o motor roncou alto, quase como uma declaração de guerra. O teclado, de modo incrível, ficava (de modo holográfico) adaptado ao acelerador. Então, Keys girou o acelerador e partiu em disparada na direção dos gritos. A praia e as primeiras ruas da cidade passaram como borrões enquanto ele acelerava... As rodas da moto deslizando no asfalto com uma precisão perfeita. Ao longo do caminho, algumas pessoas notaram o vulto negro e azul passando rápido. As pessoas ficaram com os olhos arregalados de surpresa e medo.

 

“O que foi aquilo? Um monstro?”* sussurrou alguém, enquanto outro murmurou espantado: “Não, parecia mais um... um cavaleiro... ou um motoqueiro mascarado...”

 

A discussão espalhou-se entre os poucos transeuntes que observavam Keys se afastar em sua moto brilhante. A dúvida crescia nos olhares confusos e admirados, com sussurros percorrendo as ruas.

 

"Será... será que era um Kamen Rider?"

 

Com essa pergunta pairando no ar, Jonas avançava em alta velocidade, preparado para encarar o primeiro monstro que cruzaria seu caminho.


GALERIA DE IMAGENS DO EPISÓDIO:

(Todas as imagens foram feitas por meio de uso de IA - Bing sob criação de Jirayrider e Norberto Silva)


Atiku Lee


Issamu Nakazawa

Shon Kazuya


Ji-Hoon

Estátua com símbolo da Brain Machine

Jonas


Kamen Rider Keys montando em Valkirion

Esta última imagem foi feita no IA Bing por Norberto Silva. As demais foram feitas por Jirayrider.