KAMEN RIDER KEYS

 

EPISÓDIO 2: CODE BREAKER

 

Obra resultante de parceria entre Art Shadow Moon & Jirayrider.



Manhã de 8 de julho de 2030:

 

O sol despontava no horizonte, tingindo o céu com tons alaranjados e rosados. Algumas nuvens ainda pairavam e uma leve garoa caía sobre a Haeundae Beach, em Busan. A brisa matinal soprava suave, mas o cenário pacífico contrastava brutalmente com a violência que se desenrolava ali.

 

Keys, montado em sua moto Valkirion, avançava em disparada pelo asfalto, com o motor rugindo como uma fera à solta. A raiva fervia em seu peito enquanto ele via o rastro de corpos mutilados ao longo da praia. Homens, mulheres e, entre tais corpos, uma criança, pequena e inocente, agora em pedaços sob a luz suave da aurora. Um nó de fúria apertava sua garganta, transformando-se em pura determinação.

 

Sem hesitar, ele acelerou ainda mais e viu sua presa: uma figura gigantesca com couraça de rinoceronte biocibernético, com implantes metálicos reluzindo sob os primeiros raios do sol. Era uma máquina de matar e Keys sentia que aquele monstro era o responsável por toda a carnificina.

 

"Chega!", murmurou para si mesmo, cerrando os punhos no guidão da Valkirion.

 

Com um movimento calculado, ele engatou uma curva violenta e lançou a moto diretamente contra o rinoceronte. O impacto foi brutal; o monstro foi jogado para trás, mas antes que pudesse se recompor, Keys já havia dado meia-volta, acelerando para atropelá-lo novamente. Mais um golpe e o monstro foi arremessado alguns metros, com o chão tremendo com o peso do impacto. Na terceira investida, a força foi tão intensa que o monstro soltou um urro de dor ao ser esmagado contra o solo. Keys parou sua moto, olhos fixos no monstro caído, as mãos tremendo de raiva.

 

No entanto, o rinoceronte se levantou, agora, com os olhos vermelhos e brilhando intensamente. Com um grunhido ameaçador, abriu a mandíbula, e uma energia mortal começou a pulsar em seu interior. Antes que Keys pudesse reagir, o monstro disparou um raio devastador. A explosão o lançou para trás e, então, Keys perdeu o controle da moto, que deslizou e caiu a alguns metros. Keys se ergueu, respirando fundo, enquanto o monstro se aproximava, rindo de forma gutural.

 

"Então, você é o tal Kamen Rider…" o monstro rosnou, com uma voz grave e distorcida. "Eu sou Rinus Trojan, uma criação da Brain Machine. Você pode não aceitar, Keys, mas eu e você somos o início do fim para essa humanidade caótica."

 

Keys estreitou os olhos. "O Império Brain Machine e o vírus DEMON... todos já sabem quem vocês são. Desde que vocês começaram a atacar, o mundo os conhece. É claro que agora graças ao poder Keys, eu fui inteirado de tudo pela própria IA embarcada no meu corpo. Mas, nada justifica a atitude do Sr. Atiku Lee."

 

Trojan riu, sua voz ecoando ameaçadora. "Não somos apenas um vírus, garoto. Somos o futuro. E você pertence a nós, goste ou não… é parte de você."

 

Revoltado, Keys retrucou: "Eu pertenço a ninguém além de mim mesmo." Sem hesitar, tomado pela fúria, Keys avançou contra o monstro. "E eu vou provar isso te destruindo!"

 

Um grito de fúria – misto de dor e determinação – escapou de Keys, ecoando pela praia. "Aaaaaaahhhhh!!!"

 

Trojan lançou uma sequência de lasers, mas Keys se esquivou com agilidade e avançou diretamente. Com um soco, atingiu o rosto cibernético do monstro, seguido por uma sequência de golpes potentes. Cada ataque explodia em faíscas ao atingir a couraça metálica de Trojan.

 

Trojan cambaleou para trás, mas, em um movimento brusco, retaliou com um soco pesado que atingiu Keys no peito, fazendo-o recuar. Keys se equilibrou, limpando a armadura dos cacos que se partiram com o golpe. Os olhos vermelhos de Kamen Rider brilhavam intensamente, sem hesitação. Num movimento rápido, o teclado e o tablet se manifestaram como hologramas, sincronizando-se com os chips e a pedra de seu cinto. Uma onda de energia atingiu Rinus Trojan, forçando-o a tropeçar para trás. Espantado, o vilão percebeu algo: “O poder dele reconstituiu a parte da armadura dele que eu acabei de danificar”.

 

“É, verdade... Nem tinha percebido isso!”, brada Keys que sente agora um poder enorme emanando de si.

 

O poder interativo entre o cinto, tablet e teclado fez com que Keys materializasse uma espada laser, o sabre energético Codebreaker, que surgiu com um brilho azul intenso, cortando o ar com um som agudo.

 

"Hora de te apagar para sempre, Trojan... Prepare-se!" 

 

Rinus, ainda determinado, materializou uma foice energética, sua lâmina brilhando em tons de roxo e preto. A arma parecia ressoar com uma energia sombria, quase viva. 

 

"Acha que pode me destruir? Você é só um experimento descartável!" Trojan rugiu, avançando. 

 

Keys acionou o sabre Codebreaker, que brilhou com linhas azuis incandescentes, enquanto ele assumia uma postura de combate. Quando os dois oponentes, empunhando as suas armas, se chocaram, o impacto reverberou como um trovão, gerando ondas de energia que explodiram ao redor, estilhaçando janelas e fazendo carros próximos sacudirem violentamente. 

 

A batalha era feroz e desenfreada. Trojan girava sua foice com precisão letal, cada movimento criando arcos brilhantes que tentavam envolver Keys. O Rider, por sua vez, se movia como um raio negro, desviando por milímetros e contra-atacando com cortes rápidos e devastadores. 

 

Num momento crítico, Trojan usou o cabo da foice para empurrar Keys para trás, emendando com um salto mortal que culminou em um golpe vertical. Keys bloqueou o ataque com seu sabre, mas o impacto o lançou para trás, deslizando no asfalto e deixando marcas fumegantes. 

 

"Isso é tudo que você tem?!" Rinus zombou, enquanto a foice se desmaterializava e, num flash, retornava ainda maior, a lâmina agora bifurcada como mandíbulas afiadas. 

 

Keys, em resposta, ativou novamente o sabre Codebreaker. Linhas adicionais de luz começaram a pulsar na lâmina enquanto ele avançava novamente contra o maléfico rinoceronte. Cada golpe trocado gerava uma chuva de faíscas e uma pressão crescente no ambiente. 

 

Mas, então, Trojan, em um movimento traiçoeiro, girou a foice e a lançou como um projétil direto para um carro onde um civil estava escondido. A lâmina cortou o ar como um demônio faminto e... impactou com uma explosão de energia, destruindo o veículo e lançando o homem para longe. 

 

Keys parou. Pasmo, ele ficou com seus olhos arregalados ao ver o corpo do civil caído e imóvel no chão, com o sangue manchando o concreto. "Não..." ele murmurou, um nó apertando em sua garganta. 

 

"HAHAHAHA! Não consegue nem proteger os fracos!" Trojan gargalhou, erguendo a foice de volta. 

 

Uma sombra de ódio cruzou a face de Keys. Ele ergueu o sabre e o brilho azul tornou-se quase branco. Sua respiração tornou-se pesada, seus passos mais lentos. Quando ele falou, sua voz estava tingida de uma fúria implacável: 

 

"SEU MALDITO!"

 

O embate recomeçou, mas desta vez, Keys estava imparável. Cada golpe de sua lâmina era devastador, forçando Trojan a recuar. O chão rachava sob os dois gladiadores devido à intensidade dos ataques. Deste modo, a foice de Rinus começou a ser despedaçada aos poucos, emitindo faíscas instáveis. 

 

Em um movimento violento, Keys girou o Codebreaker em um arco completo, acertando a foice com tanta força que ela se despedaçou em milhares de fragmentos brilhantes. Rinus Trojan mal teve tempo de reagir antes que Keys o atingisse letalmente. 

 

"Termination Slash: Override!"

 

Keys saltou no ar, girando o Codebreaker em alta velocidade. Quando desceu, o golpe final atravessou Trojan como um meteoro, explodindo em um clarão ofuscante. 

 

Com um corte profundo, Keys atravessou a couraça do monstro, que entrou em pane e explodiu em uma detonação devastadora. No entanto, quando a poeira e a fumaça baixaram, uma visão chocante o aguardava.


Keys caiu de joelhos ao ver o que estava à sua frente: um ser humano, ferido e sangrando, agora lentamente perdendo as forças. O coração de Keys disparou quando ele reconheceu o rosto do homem deitado no chão. Era Nobuhiko Kurama, um amigo da faculdade, desaparecido há dois meses.

 

"Nobuhiko…" murmurou Keys, a voz trêmula, enquanto se aproximava e se ajoelhava ao lado dele, desesperado.

 

Com um sorriso distorcido e cruel, Nobuhiko ergueu os olhos, quase sem fôlego. "Você… achou mesmo que era o único?" Sua voz era um sussurro, abafado por uma risada gorgolejante. "Hahaha… Antes de você, existiram muitos como eu. Mas você… você é o ápice… o perfeito. Fui ousado em tentar te matar, mas a ordem… a ordem era só te levar de volta. Fui tolo! Não temos chance contra a perfeição que você é, meu caro Keys. Não se preocupe, eu sei quem você é… mas não vou mencionar o seu nome. Não vou te expor a estes moribundos que a tudo filmam e registram. Hahaha!"

 

"Por que… Nobuhiko, por que você fez isso com você mesmo?" a voz de Keys vacilou, cheio de confusão e dor.

 

"Existem olhos por toda parte", Nobuhiko riu, tossindo sangue, os olhos brilhando de malícia. "Há pessoas escondidas, observando, gravando tudo… Eles sabem de você… Sabem que você vai voltar. É seu destino. Você… é a união máxima de IA, vírus e tecnologia… Nós vamos dominar, Keys. Isso… é só o começo."

 

"Não, isso acaba agora!" Keys respondeu com raiva, com os punhos cerrados. Mas, Nobuhiko apenas riu, exibindo um riso frio e desumano.

 

"Você… não pode… mudar quem você é… e o que fizeram de você…" A voz do jovem Nobuhiko começou a falhar e, seu corpo, antes tão sólido, começou a se desintegrar, apagando-se como um holograma que sofreu um erro fatal. Aos poucos, restou apenas o vazio, o ar pesado ao redor. Nobuhiko desapareceu nos braços de Keys, como uma imagem corrompida que sumia em um erro irreparável de sistema num computador.

 

Ao redor, alguns civis corriam em pânico, enquanto outros, escondidos nas sombras, observavam e gravavam tudo com seus dispositivos.

 

Enquanto o sol começava a romper as nuvens, iluminando a cena sombria que Keys acabara de deixar para trás, uma sombra misteriosa se aproximava silenciosamente, os passos ecoando por trás de nosso valoroso herói. Kamen Rider Keys, ainda em modo de alerta total, não hesitou ao perceber a aproximação; saltou para o ar e, sem perder um segundo, liberou seu Rider Punch, um soco poderoso que rasgou o ar com um impacto devastador.

 

“Tome! Seu miserável! Rider Punch!”

 

A sombra foi lançada ao chão e rolou, mas, para a surpresa de Keys, ergueu-se lentamente, sacudindo a poeira, como se o golpe tivesse sido pouco mais que um incômodo.

 

Quando a figura se levantou completamente, revelou-se um ser imponente, envolto em uma manta sacerdotal negra, com um capuz que escondia parcialmente sua face bestial, uma fusão de leão e máquina, que emanava uma aura de mistério e poder. Ele, então, se apresentou ao herói. Com a voz ecoando grave e metálica, ele diz: “Eu sou... Darklion.exe. Sou um desertor do Império Brain Machine.”

 

O leão cibernético deu um passo à frente, analisando o herói que tinha diante de si. “Você é rápido e poderoso, Keys. Nem tive tempo de explicar por que estou aqui...”

 

Sem esperar que o leão terminasse, Keys avançou novamente, agora com seu Rider Kick, um chute cheio de fúria e desprezo. “Não me importa quem você é!” gritou, ao atingir o leão com toda a força. Darklion.exe cambaleou para trás, absorvendo o golpe, mas surpreendentemente se levantou, sacudindo a poeira mais uma vez.

 

“Parece que Rinus estava certo sobre você,” disse o leão, respirando pesadamente, porém mantendo uma postura firme. “Mas, saiba que você pode usar essa força para deletar todo o mal e resetar o que foi corrompido. Eu não vim lutar com você. Eu... quero que entenda que pode salvar a humanidade. Estou aqui para oferecer ajuda.”

 

A resposta de Keys foi um olhar gelado e mais uma explosão de golpes. Ele avançou brutalmente, seus socos e chutes implacáveis conectando-se contra o leão com precisão mortal. O impacto dos golpes ecoava pelas ruas da área residencial próxima à orla da praia onde ocorria todo imbróglio. Darklion.exe recuava, mas não retaliava. Apenas desviava dos ataques, mantendo-se no limite, evitando um confronto direto. Keys não deixou de perceber essa hesitação e intensificou os golpes. “Você fala demais!” gritou, enquanto desferia um chute forte o suficiente para fazer o leão colidir com a parede.

 

Darklion.exe finalmente tentou se distanciar, com seu corpo demonstrando sinais de cansaço. Keys, enfurecido, decidiu terminar a batalha de uma vez. Sacou sua espada: a Codebreaker. A lâmina com brilho azul-neon estava pronta para a aplicação do golpe final. Mas, antes que pudesse desferi-lo, Darklion.exe surpreendeu Kamen Rider Keys com um poder inesperado. Com um movimento sutil, o tenebroso leão ativou uma habilidade telecinética, que suspendeu Keys no ar e o lançou contra a parede oposta, em um golpe que fez o chão vibrar.

 

Keys se recuperou rapidamente, fitando o leão com uma raiva implacável. Saltou sobre sua moto, Valkirion, pronto para atropelar o adversário sem piedade. “Agora você não escapa, desgraçado!” brada, acelerando a moto. No entanto, quando Keys se aproximou a toda velocidade, o leão desapareceu, envolto em sombras e deixado apenas uma impressão sutil no ar, como se nunca tivesse estado ali.

 

Keys, confuso e furioso, passou a correr pelas ruas e becos da região com sua moto, procurando por qualquer sinal de Darklion.exe. Porém, não havia mais nada; o leão tinha sumido, deixando o herói com o coração acelerado e uma frustração crescente.

 

Enquanto continuava a busca, Keys percebeu que várias pessoas se aproximavam, algumas filmando, outras tirando fotos, com suas expressões variando entre o espanto e o medo.

 

“Você viu isso? Foi um Kamen Rider?” alguém exclamou.

 

“Mas... eu pensei que eles só existissem no Japão!” outro respondeu, incrédulo.

 

“Não seja tolo,” disse alguém mais velho. “Os Riders protegem o mundo todo. É a lenda que sempre ouvimos... E essa lenda está bem diante dos nossos olhos!...”

 

As vozes ecoavam pela rua e, Keys, sentindo a raiva subir e, não sabendo lidar com aquela situação que, ao mesmo tempo em que o sufocava, provocava-lhe medo e angústia, gritou em resposta: “Saiam da minha frente! Saiam, todos! Eu não aceito rótulos de ninguém... entenderam?”

 

Ele acelerou com tudo, passando por eles como um raio, com as pessoas mal conseguindo sair do caminho a tempo, surpresas e aterrorizadas pela velocidade e a determinação furiosa do misterioso herói mascarado.

 

Enquanto Keys deixava a cena, apenas a poeira de sua passagem restava. Assim, os espectadores ficavam para trás, espalhando murmúrios de admiração e temor.

 

Keys acelera a moto pelas ruas da cidade, mas logo, ele decide procurar um local mais tranqüilo para voltar à sua forma humana. Ele precisa de um momento de anonimato. Rapidamente, encontra um beco deserto, longe das movimentações frenéticas da cidade. Estaciona a moto e sai da estrada, indo até uma parede de concreto que o esconde das vistas alheias. Ele toca no cinto de Kamen Rider Keys, sentindo os chips e a pedra viva em seu interior. A sensação de querer voltar à sua forma normal é urgente, mas ele não sabe como fazer isso.

 

Com o coração acelerado, ele pergunta em voz baixa, quase sem esperança: “O que devo fazer para voltar ao normal?”

 

O cinto responde de imediato. Ou seja, o teclado e tablet se materializam diante de nosso herói. Keys então, apenas, digita uma senha no teclado. Após isso, na tela do tablet surgem imagens se organizando, formando um tutorial. 

 

“Você possui toda uma tecnologia embarcada em seu corpo. Todavia, o principal é a parte biológica dentro da sua armadura. Sua humanidade, seus sentimentos, emoções, pensamentos e desejos são o que permitem que você altere sua forma. Relaxe e busque sua essência humana. Unifique sua vontade com o sistema e sua transmutação será feita.”

 

Por debaixo daquela forma de Keys, Jonas fecha os olhos, sentindo o peso da missão que tem pela frente, mas também a carga emocional de estar em um estado tão distante de si mesmo. Ele respira fundo, sentindo as batidas do seu coração. Ele sente o calor da pedra viva e, como uma última tentativa, ele diz em pensamento: 

 

“Eu quero voltar ao normal. Mas, preciso da moto. Preciso dela para continuar”.

 

Uma luz intensa emana do cinto e o processo de transmutação começa. Em um flash de brilho, ele vê a armadura se desfazendo e em seu lugar surge a forma humana de nosso guerreiro: Jonas. Ao mesmo tempo, uma alteração começa a ocorrer na sua moto de combate: uma nova moto começa a tomar forma. O modelo tem design moderno, mas familiar. Afinal, trata-se de Valkirion que assume a forma de uma moto convencional de uso diário, uma Hyosung GV 300 S Aquila, modelo 2021. Deste modo, a máquina potente se transmuta em elegância, transformando-se em uma máquina que Jonas conhece bem, uma moto que lembra seu estilo e a agilidade que ele precisa para o dia a dia normal.

 

Jonas sorri, aliviado, mas seu pensamento logo o leva de volta para o que realmente importa. Ele monta na moto e começa a rumar para casa. O vento bate em seu rosto enquanto ele acelera e a cidade passa ao seu lado como um borrão. No entanto, sua mente não consegue se afastar das lembranças.

A denominação que lhe deram lhe soava inadequada e indigna. “Kamen Rider... Que tolice! Por que as pessoas gostam de rotular algo que nada sabem?...”

“Como se tudo fosse uma simples história de ficção...”

“Eles me colocaram um nome qualquer, como se isso fosse o suficiente para acabar com todos os meus problemas”...

“Não serei o que outros querem... Seguirei as minhas convicções...”

Jonas está tão nervoso que, segue com sua moto, agora em sua forma humana, mas sem perceber que nem estava de capacete. A disparada veloz pela estrada leva Jonas de volta no tempo, para o momento em que sua vida mudou para sempre. Ele se lembra da última vez que viu seu pai. Era uma manhã de outono, no Brasil, muitos anos atrás. Um homem da ciência, sempre com o sorriso firme e a confiança em seus olhos: seu pai, o cientista que estava no centro de todas as suas aspirações. Ele era o orgulho da família, trabalhando em biotecnologia para revolucionar o mundo e, por isso, foi convidado para uma missão científica nos Estados Unidos. Jonas era adolescente na época e não compreendia o que significava perder alguém tão importante.

 

“Não vai demorar, filho. Vou voltar logo. Prometo que, quando eu voltar, teremos toda a vida pela frente.”

 

Aquelas palavras ainda estavam frescas em sua mente, como se tivesse sido ontem. Mas, cinco meses depois, a tragédia aconteceu. O telefone tocou naquele fatídico dia. A notícia foi um golpe: uma explosão em um laboratório de biotecnologia nos Estados Unidos. O pai de Jonas morreu naquele dia, sem aviso, sem tempo para mais nada. A dor, o vazio, a sensação de perda tomaram conta de Jonas e de sua mãe. Eles estavam longe, sozinhos e tudo o que restou foram as lembranças de um futuro interrompido.

 

Jonas acelera, as lágrimas começam a cair sem aviso. "Eu não podia perder você, pai... Não podia!..." Ele sussurra para si mesmo. "Eu prometi que não deixaria sua morte ser em vão. Eu vou ser grande como você queria. Vou fazer algo grande. Algo que valha a pena."

 

A dor aperta seu peito e Jonas pensa nos sacrifícios que sua mãe fez para mantê-los unidos, para ajudá-lo a seguir o caminho da ciência. Mesmo com todas as dificuldades financeiras, ela estava ao seu lado, sacrificando tudo para que ele pudesse estudar e se graduar. E, sua mãe batalhou a ponto de Jonas conseguir a organização de sua tentativa de desenvolver um mestrado na Coreia do Sul. Ou seja, era a chance de buscar um futuro melhor. Eles passaram por tudo juntos e, agora, Jonas precisava fazer por sua mãe e pelo seu pai. Ele acelera ainda mais a sua moto, tentando afastar os pensamentos tristes.

 

Mas, então, o celular de Jonas vibra, interrompendo seus pensamentos. Ele olha para a tela e, de repente, seu corpo se enrijece. Trata-se de uma ligação de sua mãe. De pronto, ele estaciona a moto e atende.

 

“Onde você está, Jonas? Você sumiu! SOCORRO! Está acontecendo algo... eu não sei... socorro...!”

 

A ligação cai antes mesmo que Jonas pudesse pronunciar alguma palavra. Todavia, mesmo naqueles poucos segundos de ligação, antes que ele pudesse entender o que estava acontecendo, ele ouviu gritos e o som de destruição ao fundo. O caos. O pânico. A confusão. 

 

“MÃE!!!!!!! NÃO!!!!!!!”

 

Jonas grita, seu coração acelera em um desespero avassalador. Ele não tem tempo para pensar. A moto acelera, cortando as ruas da cidade, enquanto ele tenta desesperadamente ir até a sua amada mãe. Tudo o que ele sente agora é o desespero a tomar conta da sua mente a ponto de afetar o limite de sua sanidade mental, já tão abalada por tudo o que lhe ocorrera nos últimos dias. Misturado a isso, o pânico de perder o último pedaço de família que restou. O que quer que tenha acontecido, ele vai chegar a tempo. Ele tem que chegar...

Ele precisa chegar!


GALERIA DE IMAGENS DO EPISÓDIO:


(Todas as imagens foram feitas por meio de uso de IA - Bing sob criação de Jirayrider)

Darklion.exe

(Misterioso Leão do episódio zero)


Rinus Trojan




Nobuhiko Kurama


Jonas na moto