Quando um período de paz antecede a tempestade.

Olá Tokuleitores.

Após vencerem o Encouraçado, uma das várias ameaçascriadas pelos vampiros, teremos um capítulo mais calmo, preparando o terreno para o que está por vir.

Portanto, sem mais delongas... Boa leitura.


Caçador Escarlate.

Episódio #05.

Em casa finalmente.


Já faz quantos dias?


Pelo menos duas semanas.


Dentro da Torre da Luz, alguns técnicos, enquanto rodavam uma série de diagnósticos dos sistemas de defesa, conversavam sobre um raro período prolongado de paz, desde que a invasão vampírica havia começado.


Alguns andares acima, outra dupla refletia as dúvidas dos técnicos.


Eu não gosto disso Vermelho.


Me conte alguma novidade.


É sério. Fizemos quantos resgates esses dias? Uns vinte? E totalmente sem interferência dos vampiros. Tô te dizendo, isso não tá me cheirando bem.


Sem responder, Metalder apenas se levantou e foi até uma janela próxima, de onde ele poderia ver o parquinho construído em um platô interno próximo e, mesmo de longe, observava a filha de Shiro Koga brincando e se divertindo com a mãe.


Ambas em segurança, afinal, essa era a principal diretriz da mente de Metalder.


Finalmente estou em casa.


Como de costume, a mente positrônica do androide acabava realizando um salto temporal, relembrando o exato momento em que entrara na casa que pertencia à família do cientista, que havia sacrificado a própria mente para reanimar o corpo de um antigo guerreiro mecânico.


A única maneira que Shiro havia enxergado para salvar as duas pessoas mais importantes de sua vida, mesmo sabendo que as chances dele se perder na transferência mental serem imensas.


E, de fato, o próprio Metalder percebeu uma gradual e constante diminuição em suas capacidades de interação social e, por muitas vezes ter até assustado sua filha, após uma longa conversa com sua esposa, ambos decidiram que seria melhor ele manter distância, até que a ameaça vampírica fosse eliminada e ele encontrasse uma maneira de voltar para seu corpo.


Novamente, como sempre fazia em momentos como aqueles, Metalder seguiu até o antigo laboratório de Shiro Koga e, onde antes ficava a câmara desenvolvida para estudar o androide, agora fora convertida para preservar o corpo do cientista.


Antes que me questione, o estado continua inalterado. Estamos mantendo-o estabilizado, com todas as proteínas e o que mais precisar para que se mantenha o mais saudável possível, mas ainda não consegui desenvolver uma maneira segura de reverter a transferência mental.”


A voz de Sakura, a IA assistente do doutor Koga, nunca soou tão mecanizada e sem vida.


Era algo real ou uma impressão captada de forma imprecisa pelos receptores auditivos de Metalder?


Ele não saberia dizer e, no momento, não importava.


Ainda perdido em pensamentos e tentando entender se tais dúvidas poderiam ou não interferir em sua missão, de proteger os humanos dos vampiros, Metalder quase se sobressaltou quando alarmes começaram a soar.


Em minutos ele se encontrava com Top Gunther e os demais líderes de segurança da Torre da Luz na sala de guerra, criada para lidar com todas as emergências que surgiam quase que diariamente, uma vez que a situação que enfrentavam era única e imprevisível.


Nossos sensores captaram a aproximação de três tanques do exército.


Podem ser sobreviventes precisando de ajuda?


imaginamos isso, mas assim que nossas câmeras de segurança se aproximaram…


O segurança deixou a frase no ar, conforme o telão principal de vigilância exigia a imagem dos veículos de guerra, que avançavam rápido, mas o que chamou a atenção dos presentes eram as sombras que pareciam flutuar ao redor dos tanques.


Que ótimo, tanques cercados por algo parecido com os tsunamis vampíricos. Esses desgraçados não param de inventar essas bizarrices.


Isso não importa no momento, o que precisamos é debelar mais essa ameaça e garantir que não se aproximem da Torre. Podemos evitar contato direto com os vampiros por meio das luzes que nos cercam, mas elas de nada adiantarão contra os projéteis que esses tanques vão disparar.


Metalder sabia que estava a destacar algo óbvio, mas sabia também que, às vezes, era necessário deixar bem clara a ameaça à frente para que todos agissem e reagissem da maneira mais rápida e eficiente para que pudesse realizar a contento sua principal missão.


Proteger a vida de todos que estavam se abrigando dentro da Torre.


E, para isso, ele faria tudo que estava a seu alcance. E mais além se necessário.


Enquanto a dupla de androides se dirigia para a garagem da Torre, dessa vez pretendendo usar outro tipo de veículo para ir até onde se desenrolaria o combate, no alto de um prédio próximo, três pares de olhos emitiam um sinistro brilho rubro.


As ovelhas, em pânico, reagem como o esperado irmãs, em breve será nossa vez de nos refestelar no sangue de todos aqueles que foram tolos de não aceitar nossa superioridade e sequer pensarem que poderiam oferecer algum tipo de resistência.”


Um riso foi compartilhado mentalmente por três vampiras, que se sentiam em êxtase, apenas pela antecipação do massacre que pretendiam realizar, atendendo aos pedidos de seu mestre, o que as deixava ainda mais excitadas.


Quando viram duas motos partirem velozes da Torre da Luz, trocando apenas um breve aceno de cabeça, não precisavam de mais nada para se entender, as três saltaram para a rua, onde dariam início ao plano que haviam arquitetado.


Um plano que poderia significar o fim da principal resistência humana.