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Lendas Garo - Boku ga ai go tsutate yuku - Capítulo 01

  

 
Lendas GARO 

Olá, queridos leitores!

Ano Novo, novos projetos...

A exemplo do Kamen Rider Legend e do Super Sentai Spirits, trago aqui , mini sagas sobre o universo Garo, ou melhor; "Os Lendas Garo"


Pra começar, trago o presente conto, baseado no primeiro Garo, Kouga Saejima e Kaoru, o seu grande amor, sob a perspectiva do pequeno Raiga, que se tornaria o segundo Garo, segundo a cronologia oficial da franquia. 

Espero que curtam!



Garo - Boku ga Ai o Tsutaete Yuku

 (Eu Continuarei Transmitindo o Amor)

Capítulo 1: O Ouro e a Cor

— Gonza-chan, o papai está sorrindo nesta foto?

A voz de Raiga quebrou o silêncio da biblioteca Saejima.

A Poeira dançava nos raios de sol que atravessavam as janelas altas. O cheiro de papel envelhecido misturava-se a algo mais sutil; uma essência suave de laranja, o perfume que sua mãe costumava usar.

Gonza Kurahashi ajustou os óculos e inclinou-se sobre a fotografia.

Ali estava Kouga, jovem e sério como sempre, mas com algo diferente no olhar. Ao seu lado, Kaoru sorria radiante, uma mancha de tinta amarela na bochecha.

— Sim, jovem mestre. À maneira dele.

Raiga apertou os joelhos contra o peito, afundando-se na poltrona de couro grande demais para seu corpo franzino.

— Ele nunca sorri assim em casa....É estranho...

Os dedos pequenos traçaram o contorno do rosto do pai.

— Sempre parece... cansado. Ou esperando que algo ruim aconteça.

Gonza fechou o álbum com cuidado. Por um momento, apenas o tique-taque distante do relógio preencheu o espaço entre eles.

— Seu pai carrega um peso que poucos podem compreender, Raiga-sama. Desde que Mestre Taiga partiu, naquela batalha...

 A voz de Gonza falhou por um instante.

Ele, após pensar um pouco, conclui:

— Kouga-sama foi forjado para ser uma lâmina contra a escuridão. E lâminas não sabem sorrir.

— Então por que ele sorri aqui? —indagou o pequeno Raiga.

O velho serviçal sorriu.

— Por causa de sua mãe. Kaoru-sama sempre carregou uma luz que equilibrava toda a escuridão. O amor deles... — Piscou rapidamente. — O amor deles amoleceu o coração do Mestre Kouga.

Raiga franziu o cenho, processando com seriedade incomum para a idade.

— Mas os Cavaleiros Makai são os mais fortes! Ele não podia simplesmente escolher ser feliz?

A mão de Gonza pousou no ombro do menino, carinhosa e solene.

— Um Cavaleiro Makai tem o poder de cortar o Mal, jovem mestre. Mas não tem o poder de curar as feridas que a escuridão deixa.

 Após uma breve pausa, Gonza prossegue:

— Seu pai era um espadachim perfeito, um guerreiro completo. Mas como homem...estava incompleto.

O silêncio se instalou novamente. Gonza fechou os olhos, e o passado se materializou.

---

Flashback

O ateliê cheirava a tinta fresca e terebintina. Raios de sol criavam padrões dourados no chão manchado de cores. O som rítmico do pincel contra a tela como uma respiração.

Kouga observava Kaoru trabalhar com a mesma intensidade com que estudava seus inimigos, mas sem a tensão habitual.

— Você está me observando de novo...

Kaoru não desviou os olhos da tela. Um sorriso brincava nos lábios.

— Isso me deixa nervosa.

—Seus movimentos são interessantes.

Kouga responde com a voz grave, mas sem a frieza costumeira.

— Você gasta muita energia com coisas desnecessárias.

Kaoru riu e mergulhou o pincel numa mistura de azul e branco.

— Você é um Cavaleiro Makai, não um crítico de arte.

Ela espalha a cor pela tela com movimentos largos e confiantes.

— Eu não luto. Eu crio.

—Você destrói Horrors, eu crio beleza. O sentimento é a parte importante.

Em seguida, ela virou-se para ele, o pincel ainda na mão.

—Você não entende isso, entende?

Kouga se levantou.

Seus passos silenciosos mesmo no chão de madeira.

Parou atrás dela, observando a tela por sobre seu ombro.

Estendeu a mão e limpou uma mancha de tinta verde na nuca dela.

— Eu entendo a necessidade de proteger o que é bonito.

Kaoru girou nos calcanhares, com os olhos arregalados.

Então um sorriso se abriu em seu rosto, tão brilhante que por um instante o cansaço crônico nos olhos de Kouga pareceu evaporar.

— Bom.... — Inclinou a cabeça, estudando-o. — Então, quando você voltar de sua próxima caçada, me diga o que você acha que valeu a pena proteger.

—Mas não me diga "o mundo" ou "a humanidade". Me diga algo real. Algo específico.

Kouga segurou o olhar dela. Não respondeu, mas acenou levemente.

---

Fim do Flashback

— Quando Mestre Kouga voltou daquela caçada ...

 A voz de Gonza embargou.

— Ele entrou no ateliê coberto de sangue e cinzas. Kaoru-sama largou os pincéis imediatamente, mas ele a deteve. E disse: "Valeu a pena proteger a sua pintura."

Raiga arregalou os olhos.

— Só isso?

— Só isso. Mas para ele, foi tudo. Ele começou a ver o mundo através dos olhos dela.

—Deixou de enxergar apenas a escuridão.

O menino ficou quieto, processando.

Quando falou novamente, sua voz carregava compreensão que parecia ir além de seus anos.

— Ele precisava que a mamãe o lembrasse de ser uma pessoa... não apenas Garo.

Gonza piscou surpreso, ajeitando os óculos para esconder a emoção.

— Exatamente, Raiga-sama. Ela era o coração dele.

Raiga fechou os olhos, tentando visualizar aquele momento.

Seu pai sorrindo, sua mãe pintando, os dois existindo num mundo onde Horrors não eram a única realidade.

Era difícil imaginar.

O Kouga que ele conhecia era uma figura austera, sempre partindo para missões perigosas, sempre retornando mais cansado, mais silencioso.

Quase sussurrando, Raiga diz:

— Gonza-chan...

—Você acha que eu vou conseguir fazer alguém sorrir assim um dia? Como a mamãe fazia com o papai?

O velho serviçal apertou gentilmente o ombro do menino.

— O amor não é algo que se aprende como técnicas de espada, jovem mestre. Ele simplesmente acontece.

Os olhos do velho serviçal brilharam.

 — Mas você já carrega a essência dele dentro de você...E a luz da sua mãe também...Isso te fará completo num sentido maior.

Raiga abriu os olhos e olhou para suas próprias mãos. Pequenas, ainda incapazes de empunhar uma espada, mas já capazes de sentir.

De lembrar.

De amar.

“Forte como o pai” - pensou.

“Humano e luminoso como a mãe” -desejou.

Lá fora, o sol começava a se pôr, tingindo o céu com tons de ouro e âmbar.

Cores que Kaoru teria adorado capturar.

Cores que Kouga aprendera a valorizar.

Raiga compreendeu, naquele momento silencioso, que Garo não era apenas ouro e aço.

Era também cor e vida.

O guerreiro que ele se tornaria começava a ser forjado ali, naquela tarde de memórias e fotografias amareladas. Não apenas com técnicas de combate e códigos de honra.

Mas com amor... 

 
Gonza Kurahashi- o serviçal leal dos Saejima


 
Kaoru e o pequeno Raiga


2 Comentários

  1. Meu amigo Jirayrider, que episódio maravilhoso, as personalidades, os estilos, os maneirismos, a maneira de cada um deles agir foi simplesmente fiel ao que vi na série! Eu lembro dessa postura, eu lembro desses comportamentos, eu lembro dessa capacidade do Kouga de ser rígido e fechado, e ainda assim, como bem diz Gonza, à maneira dele, ser de certo forma cordial! Incrível a definição de Gonza, "ele é uma lâmina contra o mal e lâminas não sorriem", isso é Kouga Saejima na essência pura, e sem dúvida alguma, respeitar esses comportamentos, mantém a narrativa nos fazendo considerar estar de verdade em um dos momentos dessa série maravilhosa! Me causou muita emoção ver tu referenciar o momento em que Kouga consegue se melhorar, definindo que ele agora havia encontrado algo que merecia ser protegido, isso mudou seu estilo pra sempre e fez com que tudo nele se tornasse melhor do que já era, o guerreiro implacável, se tornou mais implacável ainda, por conta do amor que Kaoru conseguiu cativar nele! E cara, Gonza sem dúvida é um dos grandes pilares desse universo, sem ele, Kouga talvez jamais tivesse ascendido com cavaleiro makai, porque a vida dele não foi fácil (de Kouga no caso) e talvez Gonza tenha sido o grande responsável por seu sucesso, pois de nada valeria o poder que Kouga detinha, sem os direcionamentos de Gonza! Gostei muito, texto maravilhoso, reflexivo e que nos faz ver pontos importantes desse segundo personagem tão importante na franquia, que é Raiga Saejima, parabéns meu amigo, mandou muito bem nesse trabalho!! \0/

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  2. Grande Lanthys!

    Através de nossas conversas no chat, sobre como você admira o Raiga, eu tive uns tempos atrás a ideia de como surgiu isso.

    Ao assistir a saga do Kouga nas temporadas em que ele era o Garo, pude compreender o papel do Gonza e da Kaoru e encontrei o fio da meada.

    Tudo o que você disse batia.
    Então, decidi fazer


    Sinta-se um pouco responsável por esse trabalho, que foi feito com muito carinho, apesar de o foco não ser as lutas contra os Horrors, mas as lições que o pequeno Raiga aprenderá para se tornar o Cavaleiro Dourado que ele viria a ser no futuro.



    Garo é um universo fascinante e vale a pena homenageá-lo!

    Gratidão !

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