Olá Tokuleitores! Eu tardo, mas não falho!
Mais um capítulo, chegando mais próximo do fim dessa série, espero que todos gostem de mais esse capítulo!
Boa leitura!


Jiraiya R #10
Renascer do Mal.




Pouco tempo atrás.

Manabu mal conseguiu abrir um de seus olhos, tamanho o inchaço resultante da surra que havia tomado de Retsuga, e logo desejou que não tivesse conseguido ver o show macabro que acontecia à sua frente.

Ele estava preso pelas mãos e pés com pesadas correntes, devidamente chumbadas numa estrutura que lembrava um imenso “X”, localizado de frente para um tipo de altar, sobre o qual havia sido estendido um lençol que um dia fora branco.

O tecido agora estava encharcado de sangue e diversos outros fluídos corporais da mulher que, também amarrada, tentava se debater, procurando resistir à agonia que tomava seu ser.

O jovem ninja/policial não havia perdido a empatia, apesar de todos os horrores que já testemunhara ao longo de sua vida, por isso se compadeceu com a situação de sua outrora inimiga.

Benikiba soltava outro urro de dor.

Mais sangue empapava o lençol sob o corpo dela.

Retsuga parecia prestes a atacar as estranhas criaturas que assistiam ao parto, tamanha era sua agonia ao ver o objeto de seu doentio amor sofrer daquela maneira. Por Benikiba o ninja aguentara todas as dolorosas experiências que o transformaram num monstro.

Mesmo em meio à névoa que deixa seus pensamentos turvos, facilitando assim seu controle, fazendo-o obedecer a comandos simples como “destruir” ou “matar”, o gigante mantinha-se de costas para uma parede de metal, afundando boa parte da mesma golpeando-a com sua cabeça repetidas vezes.

- Madogarbo... - três criaturas falaram em uníssono, sem perder o foco da operação que conduziam. - Leve esse lamuriento daqui... Se algo nos distrair, o parto terá problemas e não preciso lhe dizer como é importante esse renascimento não é?

- E o que me sugerem? - o monstro se recostava numa parede, cheio de atitude desafiadora, deixando claro seu desprezo pelas criaturas à sua frente. - Colocar uma coleira e levá-lo para passear?

- Não nos importamos com isso... Leve-o para onde quiser... Se preferir mande essa besta até o local onde estão os reféns e deixe-o se divertir com a tal ninja... Reiha... Ou seja lá qual for o nome dela... Pelo visto, sexo selvagem o deixa mais calmo...

Madogarbo deu de ombros e, colocando uma mão num dos ombros do gigante, chamou sua atenção, explicando que precisavam sair dali.

Um rosnado ameaçador foi a resposta, bem como um afastar do ombro, deixando momentaneamente a mão de Madogarbo suspensa no ar, tremendo levemente de ódio.

Após retomar o controle e prometer deixar com que Retsuga se divertisse com a prisioneira mais tarde, o monstro da extinta Biolon saiu, deixando Manabu, que ainda fingia estar desacordado, tentando desesperadamente encontrar uma saída. Os monstros cirurgiões continuaram seu ofício, basicamente acompanhar e observar o trabalho de parto, evitando apenas que a mãe morresse antes do tempo, uma vez que, em meio à dor, um grande mal voltaria ao mundo.

Manabu tentava mover os pulsos de alguma forma que o aperto das correntes que o prendia se afrouxasse o suficiente para ele se livrar, mas apenas conseguia ferir sua pele, de onde começava a escorrer sangue, praticamente lavando os elos de metal que estavam ao redor de seus pulsos.

Um grito de dor, agonia e terror se espalhou, forçando o jovem policial a fechar ainda mais os olhos, começando a se mover violentamente, sem ligar se chamaria a atenção dos cirurgiões ou não.

Ele sentia que precisava salvar Benikiba.

Agora.

Uma das mãos começou a escorrer para fora, graças à “lubrificação” resultante de seu sangue e um sorriso começou a surgir, mas logo até mesmo esse fio de esperança se partiu quando o salão foi tomado pelo horrível som de carne se rasgando.

Manabu ainda permaneceu preso, uma das mãos pendia debilmente ao lado do corpo, enquanto os cirurgiões se afastavam, deixando o policial vislumbrar o show de horror que acontecia à sua frente.

O corpo de Benikiba jazia imóvel, um corte se iniciava pouco abaixo da linha de seus seios, terminando numa massa de carne retalhada, de onde pendiam suas pernas e que serviam de abrigo para o que acabara de nascer.

Uma criatura amorfa, sua pele totalmente negra, exceto nos locais cobertos de sangue, que ia escorrendo lentamente, enquanto “aquilo” parecia começar a se erguer sobre suas pernas que iam crescendo e se fortalecendo.

Em poucos segundos ele ia tomando uma forma que lembrava a humana e Manabu foi forçado a fechar os olhos quando mãos em forma de garras se dirigiram ao que restara de uma das coxas daquela que havia lhe dado a luz.

Com um movimento selvagem ele arrancou um naco de carne, levando-o aos lábios, que tremiam de ansiedade e fome.

O jovem apenas ouviu os guturais sons de mastigação e de algo sendo engolido e só conseguiu vencer seu medo e abrir os olhos quando ouviu algo como passos de alguém que se aproximava.

Seu queixo foi agarrado e ele conseguiu perceber os cirurgiões caindo aos pedaços na direção do chão, enquanto suas narinas pareceram queimar quando um hálito tenebroso o atingiu como um golpe.

- Grite para mim...

E o mundo explodiu em dor.

XXX

O presente.

- Não consigo derrubá-los! – Agnes distribuía suas adagas, que se cravavam fundo na carne pútrida dos inimigos, que pareciam não sentir os ferimentos que lhe eram infligidos. – Como podemos enfrentar algo assim?

A cabeça de um dos inimigos praticamente explodiu, fazendo com que a Kunoichi se voltasse para trás, vendo Lenin Wild com suas novas armas, cujos canos ainda soltavam fumaça.

- Sempre falo pro Toha ver mais filmes de zumbis... Destrua suas cabeças e eles não levantam mais e... Mas o que é isso?

O corpo do zumbi, com os restos do pescoço avermelhados por causa da carne ainda em brasas, se erguia, a espada em punho tentando atingir sua oponente, que escapou por pouco, derrubando o zumbi com uma rasteira, conseguindo assim um espaço para se afastar e recuperar o fôlego.

- Tá de sacanagem! Zumbis não funcionam assim! Eu sempre soube que esse Dokussai é um sacana mesmo... Mas ir contra o mestre Romero? Acaba com ele Toha!

Apesar de não conseguir prestar atenção nas palavras do amigo, Jiraiya continuava a evitar os zumbis, correndo diretamente para seu maior inimigo, agora revivido e emanando uma energia negra que era intoxicante.

Os dois finalmente se encontraram, as lâminas das espadas soltando faíscas, mal sendo vistas ao saírem de suas bainhas, tamanha a velocidade dos combatentes.

- Parece que ficou mais forte rapaz... Mas eu também fiquei!

Com um urro que ecoava ódio, o vilão fez seu oponente dar vários passos para trás, num esforço tremendo para não cair de costas, assim que a espada de Dokussai fez um arco ascendente, mal defendido por Jiraiya, que continuava surpreso com a volta de seu inimigo.

- Como você fez isso? Como você retornou?

- Esse seria o momento de lhe revelar todo o meu plano maligno, dando tempo para que você e seus amigos pudessem arranjar um jeito de me derrubar? Não dessa vez...

A espada negra de Dokussai deixava para trás imagens fantasmas, tamanha a velocidade com que se movia, um ataque por cima, pela direita, por baixo na vertical, o ninja só conseguia se defender por pouco, mas logo alguns cortes começaram a surgir na armadura, mesmo quando ele pensava ter conseguido se defender.

Na verdade assim que as lâminas se chocavam, num movimento insanamente rápido, Dokussai girava o corpo e conseguia acertar a armadura ancestral mais de uma vez, causando danos que Toha não conseguia acompanhar com os olhos.

O que mais o espantava era que Dokussai usava apenas uma mão para lhe atacar, a outra trazia um estranho embrulho, cuja parte de baixo agora começava a pingar um líquido viscoso e vermelho.

Isso atraiu não só a atenção, mas também os piores temores de Jiraiya, dando a brecha que seu inimigo estava esperando.

A espada de lâmina negra mergulhou no ombro do ninja, que só não largou a espada por uma teimosia sobrenatural, uma vez que a dor se espalhou pelo corpo, como se este pegasse fogo.

- Venha cá... – Dokussai afastou o punho ainda bom do ninja com um reles tapa, enquanto o erguia do chão segurando-o pelo ombro de onde acabara de arrancar sua espada. – Hum... Ainda mantém a arma segura, mesmo sem forças para erguê-la? Pena que tamanha obstinação não vai ajuda-lo... Veja isso.

Ele foi virado na direção oposta do rosto do vilão e seus olhos, querendo se fechar, para sempre se possível, contemplaram uma cena que ele jamais esqueceria.

Madogarbo deixava Jiban caído, como se o policial de aço não passasse de uma marionete que perdeu as cordas, ali perto era possível ver Retsuga arrastando Storm e os zumbis, seguindo as ordens de seu mestre, contiveram a vontade de devorar Agnes e Wild, mantendo-os aprisionados.

Não era possível ver se estavam mortos ou vivos.

Com um movimento do pé, Dokussai ergueu uma tampa de metal do chão, deixando a rua ser inundada com o fedor do esgoto que corria logo abaixo, ergueu seu inimigo sobre o buraco e lançou seu golpe de misericórdia.

- Nem me darei ao trabalho de te matar, isso apenas faria com que sua agonia acabasse e, mesmo se você conseguir se recuperar e voltar, será tarde demais... Outra vez...

Dokussai sacudiu o saco que carregava e de lá algo caiu, quicando e rolando até parar ao bater no peito de Jiban, fazendo com que aquela imagem terrível ficasse gravada na mente do ninja vencido.

Jazia ali, no meio da rua e da sujeira a cabeça de Manabu Yamashi.

Logo depois Jiraiya foi largado, caindo no esgoto e sentindo as águas imundas o tomarem conforme sua consciência ia se apagando.

O último som que chegou aos seus ouvidos foi a odiosa risada de Dokussai.

E então só escuridão.

Continua?