A partir deste capítulo, as postagens de Amizade Estelar e Crônicas de Amizade Estelar serão feitas por mim, TreinadorPokémon. Agradeço ao meu amigo escritor Jirayrider por todos esses anos de dedicação e camaradagem. Que tenha sucesso em suas próximas empreitadas!
NOTA DO AUTOR: este capítulo do spin-off deve ser lido após o capítulo 31 de Amizade Estelar.
20 – O encontro dos Nambara e uma revelação inesperada
Enquanto Mai e Hayate salvavam Néfer das garras de Urk e Kirt, longe
dali, na cidade litorânea de Kamakura (mais especificamente na Hamburgueria
e Restaurante X, de propriedade de Yuuma Oozora), Ryuuta
Nambara, o Blue Three, tinha um encontro muito especial...
Aproveitando a amizade com o colega Defensor e proprietário daquele
pequeno e acolhedor espaço, Ryuuta escolhe o local para o encontro com seus
parentes, os quais não via há mais de dois anos...
Seu tio, o renomado Professor Ken’ichirou Nambara, e seus primos, Kanoko e Kenta Nambara.
No horário combinado, a família Nambara chega ao estabelecimento, onde
Ryuuta já os aguardava.
Assim que chegaram, o jovem mergulhador faz as devidas apresentações a
Oozora que, após a
simpática recepção de boas-vindas, os conduz até uma mesa mais reservada do
estabelecimento e depois se retira, para atender os demais clientes.
Mesmo sendo amigo de Ryuuta e com grande curiosidade sobre Kanoko, uma
das crianças escolhidas pelo lendário Pássaro Dourado, Oozora prefere deixá-los
à vontade.
Devidamente ambientados com aquele estabelecimento e com a hospitalidade
do proprietário e amigo de Ryuuta, a família Nambara em princípio conversa
sobre amenidades.
-Ryuuta! Há quanto tempo não te vejo, meu querido sobrinho...! - começa Ken’ichirou.
-Mas, admito que é culpa minha...
-Passei esses últimos anos mais fora do Japão do que aqui...
-A descoberta do Pássaro Dourado tem demandado muito de mim...
-Isso não é segredo para você...
-Depois disso, minha vida mudou muito...
-Simpósios, palestras..., enfim...
-Às vezes tenho
saudades da época em que era um pesquisador comum...
Ryuuta responde, concordando com o seu tio e se lamentando ao mesmo
tempo.
-Tio “Ken”... Também estava com saudades de você...
-E da Kanoko, e do Kenta... – ele olha
para seus dois primos mais novos, que sorriem em resposta.
-Mas, minha vida tem estado bem corrida também nesses últimos tempos...
-Nossos trabalhos..., você, com a sua descoberta e pesquisa, e eu, como
mergulhador... acabam por tomar muito do nosso tempo...
-E isso é ruim...
-Passamos tanto tempo afastados que nem parece que somos parentes...
Ryuuta abaixa a
cabeça.
Um sentimento de
culpa toma conta da sua mente...
Sempre calmo e ponderado,
e às vezes mal interpretado como alguém sem brilho (embora os Bioman o
considerassem como um ponto de equilíbrio na equipe, que tinha em Shirou um
líder determinado e enérgico, em Shingo o integrante mais emocional, em Jun a
integrante mais combativa, e em Hikaru a integrante mais doce), Ryuuta, dessa
vez, foge um pouco das suas características.
Ao rever sua
prima e seu primo, que o chamavam de “tio” devido à diferença de idade, Ryuuta
sente culpa.
Culpa, por saber
das duras situações que eles passaram anos atrás, quando foram perseguidos por Satã
Goss e MacGaren, e ele nada pôde fazer para ajudá-los.
Seus olhos
marejam...
-Me perdoem, meus
queridos!
-Vocês correram
tanto perigo e eu não fiz nada...
-Mesmo eu tendo
super-poderes... o que é o mais irônico de tudo isso.
-Me sinto
culpado...
-Me sinto
egoísta...
O professor
Nambara, seu tio de sangue, tenta amenizar aquele sentimento ruim que visivelmente
abatia Ryuuta:
-Ryuuta, meu sobrinho...
não se cobre tanto...!
-Nós sempre
soubemos que os seus desafios como Bioman eram imensos...
-Nós também não
tínhamos paradeiro certo a maior parte do tempo...
-Por segurança,
tínhamos que mudar de lugar com frequência...
-Por mais forte
que fosse, você não podia nos proteger de Satã Goss e lutar contra o Doutor Man
ao mesmo tempo...
-Às vezes, as
coisas saem do nosso controle...
-Então, não se
culpe!
-Pois eu não te
culpo, e garanto que a Kanoko e o Kenta também não!
Ao ouvir aquilo,
Ryuuta sorri, grato por ter um peso retirado dos seus ombros.
Tentando mudar o
rumo da conversa, nesse instante, ele sorri para seus primos, mudando o rumo da conversa:
-Vejam vocês, meus queridos Kenta e Kanoko...
-Como cresceram...!
Kanoko sorri, um pouco encabulada, enquanto o pequeno Kenta, sempre ligado
em histórias de ação, imediatamente pergunta:
-E aí, tio Ryuuta? É verdade que o senhor voltou a ser um Bioman?
-Que da hora! Conta pra gente!
-Quando eu crescer, eu quero ser um herói também!
-E mais,
quero ser o membro azul de um esquadrão, igual ao senhor!
Nesse momento, Kenta simula um soco no ar...
Pego de surpresa com a fala direta de Kenta, Ryuuta sorri sem graça,
coçando a nuca:
-Pelo visto, as notícias correm rápido... hehehe...
Kanoko dá uma bronca no irmão caçula:
-Que é isso, Kenta? Assim você constrange o tio Ryuuta...
-De repente, ele não quer que as pessoas saibam...
Ryuuta responde:
-Relaxa, Kanoko! Não é nenhum grande segredo que eu sou o Blue Three...
Ele sorri para Kenta, apontando para Oozora (que estava atendendo os
clientes de uma mesa próxima) e dizendo:
-Olhe discretamente para o dono desse restaurante...
Kenta faz conforme pedido por
Ryuuta.
Falando baixo para não constranger o amigo Oozora, Ryuuta diz:
-Ele é o Change Pégasus, do Esquadrão Relâmpago Changeman!
-E, olha
só... também o integrante azul do seu esquadrão, igual a mim!
Enquanto Kanoko e Ken’ichiro arregalam os olhos de surpresa com aquela
revelação, Kenta abre um largo sorriso, dizendo, também em tom baixo:
-Tio, depois eu posso pegar um autógrafo com ele?
-Claro que pode, Kenta! - responde Ryuuta,
rindo.
-Tenho certeza que o Oozora
vai ficar muito orgulhoso em saber que tem um fã...
O Professor Nambara, curioso, observa:
-Então, ele é um dos Changeman...?
-Engraçado... Até hoje eu me pergunto o porquê dos Changeman não terem se
encontrado com o nosso querido amigo...
-Afinal,
“ele” esteve aqui na Terra ao mesmo tempo em que os Changeman combatiam o
Império Gozma...
Ryuuta reconhece o “amigo” a qual seu tio se referia, dizendo:
-Você deve estar se referindo ao Jaspion...
-Nós, os Bioman, e os Changeman até hoje também nos questionamos sobre
isso...
Mal sabia a família Nambara que Jaspion e os Changeman já haviam se encontrado, sim, em uma ocasião muito especial... (*138)
Mas isso já
era assunto para outra história.
Ryuuta aproveita e emenda:
-Aliás, vocês têm notícias dele?
Agora é Kanoko quem responde:
-Infelizmente, não, tio!
-Depois que ele levou o bebê Taazan para o Planeta de Edin, nunca mais
tivemos contato...
-Eu e meus amigos sentimos muita falta dele.
O Professor
Nambara vai no mesmo sentido, com um certo ar de tristeza:
-Jaspion foi uma
das pessoas mais corretas e íntegras que conheci, com um raro senso de
justiça...
Ryuuta queria saber mais
sobre a experiência que seus familiares tiveram com o Pássaro Dourado, algo que
foi debatido algumas vezes nas reuniões entre os Esquadrões.
Ele pergunta:
-A propósito, Kanoko... mate uma curiosidade minha...
-Conta para mim como foi essa experiência com o Pássaro Dourado, e como
foi a sensação de, tão pequena, lutar ao lado de um herói como o Jaspion...
-Devido à minha profissão, eu soube por cima...
-Só fui entender um pouco, quando você enviou uma carta...
-Mas, numa carta não dá para saber tudo...
Nesse momento, a comida chega.
Entre uma garfada e outra, relembrando aqueles inesquecíveis momentos,
Kanoko conta a sua trajetória ao lado de Jaspion e das Crianças Irradiadas Pela
Luz do Pássaro Dourado.
Em dado momento, Kanoko detalha a Ryuuta os poderes místicos concedidos
a ela e aos demais pelo Pássaro Dourado, e como isso foi fundamental para
Jaspion derrotar Satã Goss.
Enquanto comiam, a conversa seguia animada.
Depois é Ryuuta quem conta sobre a sua jornada como Bioman, desde a luta
contra o Império Neo Gear do Doutor Man, até chegar na sua atual missão
ao lado dos Changeman, deixando a família Nambara espantada e admirada com as
incríveis aventuras de Ryuuta, mas também emocionada com a triste história dos Flashman.
Neste momento, no entanto, Ryuuta se lembra de um detalhe importante...
Nas diversas reuniões com os Changeman e os Flashman, muito se falou, e
se cogitou, sobre um certo padrão que envolvia os parentes dos Flashman...
Todos eles eram, de alguma forma, ligados a pessoas com talentos
especiais ou a grupos de heróis, banhados por algum tipo de força mística.
Dan “Norio” Yabuki, o Green Flash, era irmão caçula de sua colega Bioman, Jun
Yabuki, a Yellow Four.
Hiroki “Go” Asuka, o Blue Flash, era o irmão caçula de Ryu Asuka, o Mask
X-1, ligado aos Maskman.
Os pais de Sara Tokimura, a Yellow Flash, era o casal
Tokimura, amigos de Sanjuurou Sugata, mentor dos Maskman.
Por fim, Lú Tsubasa, a Pink Flash, era prima biológica de Mai
Tsubasa, a Change Phoênix.
Intrigado com essa lembrança, Ryuuta pergunta de modo repentino, mudando
a expressão facial:
-Estranho... Me veio uma coisa na cabeça agora...
-Kanoko, minha querida, pode parecer um pouco absurdo o que eu vou te
perguntar...
-Mas é algo importante...
Nesse momento, ele pausa, hesitando.
Kanoko, percebendo o desconforto do seu primo, pergunta:
-O que foi, tio...? O que você quer
perguntar?
Ryuuta tenta desconversar, presumindo que sua pergunta seria inadequada:
-Nada não, Kanoko... – ele diz, fazendo um gesto desinteressado com a mão.
-Acho que é besteira minha... Uma cisma boba...
-Acho que estou imaginando coisas...
O Professor Nambara observa a mudança na expressão de seu sobrinho e diz:
-Ryuuta, se tem algo que te preocupa, por favor compartilhe conosco...
-Por tudo o que vivemos ao lado do Jaspion, de repente a gente pode te
ajudar...
-Como estudioso do Pássaro Dourado, uma força mística do universo, e
tendo uma filha escolhida por essa entidade cósmica..., tudo isso mudou
radicalmente o meu modo de enxergar a vida...
-A história dos Flashman, que você acabou de nos contar, é muito triste.
E me orgulho muito em ver você, meu sobrinho, empenhado em ajudar
a descobrir o paradeiro dos pais daqueles jovens tão sofridos...
-De repente, se for o caso, podemos usar os dons psíquicos da Kanoko e
ajudá-lo nessa busca...
Kanoko concorda:
-Tio Ryuuta...
-Papai tem razão! Graças ao Senhor Deus do Universo, eu fui uma das
escolhidas pelo Pássaro Dourado para, sempre que necessário, ajudar a fazer o
bem e a propagar a paz no mundo...
-Não é porque Satã Goss foi derrotado e o Jaspion foi embora, que a
minha missão acabou...
-Mesmo adolescente, eu tenho consciência disso...
-Meus amigos, as outras Crianças Irradiadas pela Luz, também sabem disso...
-Foi o próprio Jaspion, antes de partir, quem nos deu essa missão...
-Sempre lutar pela paz e pelo bem das pessoas...
Satisfeito com aquela fala, Ryuuta toma coragem e resolve expor sua
dúvida:
-Bem...
-Se é assim... vou perguntar...
-Kanoko, querida..., por acaso, dentre os seus amigos irradiados pela
luz, há alguém que tenha lapsos de memórias sobre algum evento estranho?
-Mais especificamente, sobre algumas luzes estranhas ou algum eventual
parente perdido, que as demais pessoas em volta não se lembrem?
Kanoko, apesar de compreender os motivos que levaram seu tio a fazer
aquela pergunta, não deixa de estranhar o fato.
Mas, mesmo assim, ela tenta se recordar:
-Tio... Até hoje eu tenho
muita amizade com a Kumiko, o Daisuke, o Hiroshi e a Mika...
-Que eu me recorde... bem, eu, eu...
Nesse instante, de dentro da sua bolsa de ombro, Kanoko percebe que algo
começa a brilhar, a luz piscando em um brilho dourado tão intenso que chegava a
extravasar pelos vãos da bolsa...
Em tom baixo para não chamar a atenção dos demais clientes, ela olha para
o Professor Nambara, dizendo:
-Papai..., acho que o fragmento da Bíblia Galáctica tem algo a dizer...
-Mas, tenho medo que o brilho chame a atenção das pessoas...
O Professor Nambara arregala os olhos.
O fragmento
da Bíblia Galáctica, o pedaço de rocha que Jaspion usou para identificar
as cinco Crianças Irradiadas pela Luz, e que fora deixado por ele sob a guarda
de Kanoko (por ser a mais velha dentre as cinco crianças) após sua partida, não
se manifestava desde a derrota de Satã Goss anos atrás...
Mas, naquele
exato momento, estava querendo dizer algo a eles.
Ryuuta, ao ouvir o que Kanoko disse, lança um olhar para Oozora, que
observava de longe a cena.
Experiente, o Changeman azul repara
que algo estranho está acontecendo se aproxima da mesa dos Nambara.
Discretamente, Ryuuta explica o ocorrido a Oozora, que sabiamente
sugere:
-Pelo visto, algo muito importante será revelado pelo tal fragmento...
-Sugiro que você, mocinha, vá até à toalete com a sua bolsa e veja o que
é...
-Depois disso, seria prudente conversarmos sobre o que foi revelado em
outro lugar...
-Onde teremos certeza que não seremos escutados por ninguém...
-A uns oitocentos metros daqui, há um mirante na ponta da praia...
-Lá é mais vazio e calmo...
-E ninguém pode se aproximar sem ser visto...
-O que tiver de ser revelado, poderá ser feito lá.
O Professor Nambara concorda com aquela fala providencial, dizendo:
-O senhor Oozora tem razão, filha! Vá à toalete! Faça isso!
-Certamente, o Pássaro Dourado quer te revelar alguma coisa...
-E depois, com calma e segurança, no mirante da praia, saberemos o que o
Pássaro Dourado quer...
Oozora, meio sem jeito, diz:
-Por favor, meu amigo... “senhor Oozora” não... – ele dá uma risada
de leve.
-Eu ainda nem cheguei aos trinta anos...
Enquanto discretamente Kanoko vai até à toalete, o Professor Nambara se
desculpa com Oozora:
-Me desculpe, Oozora... É força do hábito...
-Meus ambientes habituais são muito formais...
Oozora, simpático, sorri:
-Tranquilo, Professor Nambara...
-Eu só disse isso para quebrar o gelo e deixar a coisa menos tensa...
Todos na mesa sorriem.
Mas, retomando o tom sério, Oozora diz:
-Provavelmente, a sua menina possui dons paranormais que são
potencializados pela força mística que a protege...
Nambara confirma com a cabeça.
Ryuuta diz:
-Agora fiquei curioso e ansioso...
-Vamos aguardar e ver o que a Kanoko tem a nos dizer...
Enquanto isso, na toalete...
Kanoko entra no recinto feminino (que felizmente estava vazio) e tranca
a porta, para garantir que ninguém interromperia a revelação do fragmento...
Ao abrir a bolsa e pegar o fragmento da Bíblia Galáctica, conforme previsto por ela, daquela rocha uma luz amarela intensa se irradia e um pássaro dourado de pequena estatura se materializa à sua frente. (*139)
De repente, ela se recorda, com exatidão, a íntegra de uma conversa
esquecida em sua memória de anos atrás...
Antes de voltar para a mesa, ela diz para si mesma, segurando com força
o fragmento da Bíblia Galáctica em sua mão:
-Então, é isso...
-Talvez eu possa ajudar, sim, o tio Ryuuta a desvendar esse mistério...
---
Uma hora depois...
Conforme sugerido por Oozora, a familia Nambara e o próprio Oozora (que
deixou o restaurante ao cargo de um empregado de confiança) vão até ao
mencionado mirante da praia, para conversarem de maneira mais privativa.
Chegando lá, Kanoko se dirige a Ryuuta:
-Tio..., o Pássaro
Dourado me trouxe à mente uma conversa que tive um tempo atrás, e que eu acho
que pode ajudar...
Ryuuta olha para Oozora, entusiasmado.
Com o olhar, Oozora corresponde a esse sentimento.
Na mente de ambos, uma ponta de esperança surge para desvendar o
mistério sobre o passado do último Flashman, o único que ainda não sabia sobre
seu passado: Jin, o Red Flash!
Ryuuta encoraja a sua prima:
-Seja o que for, Kanoko, nos conte!
-Qualquer informação será de grande valia...
-Ainda há um dos Flashman que não sabe seu passado...
Kanoko, hesitando de início, começa:
-Bem..., tio...
-Eu me lembrei de uma
conversa que tive com uma das crianças irradiadas pela luz, anos atrás...
===INÍCIO DO
FLASHBACK====
Ano de
1985...
No “Mundo
de Edin”, uma sub-dimensão paralela localizada na própria Terra, quatro das
cinco Crianças Irradiadas pela Luz, mais Kenta Nambara e a alienígena Mia,
estavam temporariamente alojadas enquanto Jaspion buscava pela quinta e última
criança.
Tal precaução
era necessária, visto que Satã Goss, MacGaren e os demais agentes do Império
dos Monstros estavam ativamente caçando as crianças e suas famílias,
visando eliminá-las e impedir a invocação do Pássaro Dourado.
Apesar de ser
um abrigo temporário, o Mundo de Edin era um lugar muito bonito e confortável.
Um vasto jardim florido cercava uma edificação que, apesar da aparência
modesta, era altamente avançada por dentro, construída com tecnologia vinda do Planeta
Edin. O lugar inteiro era climatizado, com dias sempre ensolarados
(permitindo que as crianças brincassem no jardim) e noites sempre frescas
(permitindo um sono confortável e restaurador às crianças). As refeições
preparadas por Mia (que atuava como cozinheira e zeladora do local) eram muito
saborosas e nutritivas. Também havia um grande televisor na sala de
comunicações da edificação, para as crianças se manterem informadas sobre o que
estava ocorrendo fora do Mundo de Edin, além de poderem assistir a filmes e
outros programas de entretenimento. Livros e revistas também estavam
disponíveis para quem quisesse.
Então, apesar
da saudade de suas famílias, Kanoko, Kenta, Kumiko, Daisuke
e Hiroshi estavam bem acomodados no local e nada lhes faltava.
Numa noite,
após o jantar, as cinco crianças estavam sentadas na sala de estar, degustando
chá e alguns doces preparados por Mia. Ainda estava cedo para ir para a cama,
então elas estavam conversando entre si, contando um pouco de suas histórias
pessoais.
-Então seu
tio Ryuuta é um dos Bioman, Kanoko? – Kumiko pergunta, curiosa.
-Na verdade,
ele é meu primo. Kenta e eu o chamamos de “tio” porque ele é bem mais velho que
nós... – Kanoko
responde.
-Mas, sim,
ele é o Blue Three dos Bioman.
-Nossa, que
legal! – diz
Daisuke, entusiasmado.
-Deve ser
muito da hora ter um parente super-herói, né?
-Imagina as
histórias que ele deve ter para contar!
-Para ser
honesta, desde que o Ryuuta se juntou aos Bioman, não temos falado muito com
ele... – Kanoko
diz, um pouco cabisbaixa.
-Lutar contra
as forças do mal consome muito tempo...
-Papai, Kenta
e eu sabemos disso muito bem, depois desse tempo todo acompanhando o Jaspion...
-Então, com
mais essas mudanças frequentes que fizemos para fugir de Satã Goss, não temos
conseguido falar muito com o resto da nossa família...
As outras
crianças nada respondem.
Mas o
silêncio já dizia que elas entendiam perfeitamente com o que Kanoko dissera...
Afinal, desde
que foram reveladas como as Crianças Irradiadas pela Luz do Pássaro Dourado,
elas tiveram muito pouco contato com suas famílias, por questão de segurança...
Kumiko é a
primeira a quebrar o silêncio:
-Entendo bem
isso... – ela
inicia, em voz triste.
-Estou com
saudades da minha mãe e do meu irmãozinho...
-Ele tinha
acabado de nascer, da última vez o que vi...
-Queria muito
poder vê-los...
-Na última
carta, mamãe disse que ele já falou suas primeiras palavras...
-Como eu
queria estar lá para ouvir...
Daisuke
concorda, pondo a mão no ombro de Kumiko:
-Também estou
com saudades dos meus pais...
-Mas o
Jaspion e o senhor Edin disseram que temos que aguardar aqui...
-Senão,
corremos o risco de expor nossas famílias e Satã Goss fazer algum mal a elas...
Kumiko sorri,
em resposta ao apoio moral de Daisuke. Mas, curiosa, ela pergunta:
-Você tem
irmãos, Daisuke?
Daisuke
balança a cabeça em negativa:
-Não, sou
filho único.
-Eu bem que
queria ter irmãos, mas meus pais disseram que não tinham condições de ter mais
um filho.
Kumiko então
se vira para Hiroshi, que estava quieto esse tempo todo:
-E você,
Hiroshi? Você tem irmãos?
O garoto
hesita, como se estivesse pensando, mas acaba respondendo:
-Acho que
não... – ele diz,
num tom dúbio.
Aquela
resposta confunde as outras crianças. Kanoko questiona:
-Como
assim, “acho que não”? – ela pergunta num tom incrédulo.
-Você não tem
certeza se tem irmãos?
-Bem... é
que... – Hiroshi
inicia, hesitante.
-Não sei se
devo...
Ele não
continua a fala e permanece num silêncio desconfortável.
Mas Kanoko o
encoraja:
-Hiroshi...,
-Estamos
entre amigos aqui...
-Podemos não
nos conhecer há muito tempo, mas fomos todos escolhidos pelo Pássaro Dourado e
pelo Senhor Deus do Universo...
-E isso não é
pouco...
-Se tem algo
que te incomoda, saiba que pode contar com a gente para te ajudar...
-Principalmente
se for uma questão de família...
-Ninguém aqui
está julgando ninguém.
Com as
palavras de Kanoko, Hiroshi se sente mais seguro em falar:
-Obrigado,
Kanoko...
-Você está
certa.
-Todos nós
estamos aqui por uma razão e, por isso, todos são de confiança aqui...
-Eu confio em
vocês, assim como espero que vocês confiem em mim...
Ele então
respira fundo e resolve compartilhar uma questão que o perturba há anos:
-Não é que
seja um problema familiar...
-Pelo menos,
não que eu considere um problema...
-Mas essa
conversa sobre famílias e irmãos me lembrou de algo que vi, anos atrás...
Hiroshi então
engole seco e revela:
-Quando eu
tinha uns oito anos, eu acordei de madrugada para ir ao banheiro...
-No caminho,
porém, vi minha mãe sentada sozinha na varanda da nossa casa...
-Achei
estranho minha mãe estar acordada àquela hora e, sem que ela percebesse, me
aproximei dela...
-Foi quando
percebi que ela estava chorando baixinho...
-Aquilo me
assustou...
-O que teria
acontecido com ela para estar chorando sozinha, de madrugada, daquele jeito?
-Cheguei a
pensar que ela tinha brigado com meu pai ou algo parecido...
-Até que ouvi
ela murmurar, bem baixinho:
-“Shigure...
Shigure, meu filho... onde você está?”
-E, enquanto
ela chorava, segurava nas mãos um livro...
-Estava
escuro, mas consegui ver o título...
-Era “O
Príncipe Feliz”....
-Ou era “O
Pequeno Príncipe”?
-Já não me
lembro bem, pois foi há muito tempo...
-Mas era algo
com “príncipe” no nome...
===FIM DO
FLASHBACK====
O Professor Nambara, Ryuuta e Oozora se olham de modo significativo...
Ryuuta observa:
-Hummm... “O Pequeno Príncipe”..., ou “O Príncipe Feliz”...
-Onde foi que eu ouvi falar sobre esse livro...?
Oozora coloca a mão no queixo, em dúvida:
-Eu também me
recordo de algo sobre um livro infantil... mencionado em uma de nossas
reuniões...
-Eu só não lembro quando e quem foi que disse isso...
-Teria sido o Jin...?
-O Doutor Tokimura...?
-São tantas informações nesses últimos tempos que eu me perco...
Ryuuta concorda:
-Eu também sinto
que algo importante nos escapa nesse momento...
Kanoko prossegue com o relato de sua memória:
-Hiroshi não sabia de quem sua mãe falava...
-Até onde ele se lembrava, ele sempre foi filho único...
-Então por que sua mãe mencionava outro filho, de nome “Shigure”?
-Para não
admitir que estava espiando sua mãe, e também por receio de chateá-la, Hiroshi nunca mais
tocou no assunto...
Após uma pausa, Kanoko diz:
-Tio Ryuuta...,
-Quando conheci o Hiroshi, ele me disse que nunca teve amigos na escola, e que conheceu o Jaspion quando conseguiu seu primeiro amigo, o alienígena Pep... (*140)
-O Hiroshi
sempre foi recluso e solitário, pois cresceu com pais superprotetores.
-Ele nunca
entendeu por que seus pais eram daquele jeito...
-Mas se ele
realmente teve um irmão e algo aconteceu com ele... então talvez...
-Apenas
talvez...
Kanoko pausa
para organizar seus pensamentos. Tirar conclusões precipitadas não ajudaria em
nada. Antes, ela precisaria de mais informações concretas.
Então
prossegue:
-Tio, o Pássaro Dourado me fez
sentir, de maneira muito intensa, que a senhora Satiko, mãe do Hiroshi, talvez saiba de
alguma coisa...
-Seria importante conversar com o Hiroshi e tentar convencer a mãe dele
a falar o que ela sabe...
-Se quiser, eu vou com você...
-Eu sei onde o Hiroshi mora, e posso ligar para ele, explicando a
situação...
-Se ele estiver de acordo, daí marcamos um horário...
Ryuuta sorri, olhando para Oozora:
-Meu amigo, por favor avise o Tsurugi que eu não poderei voltar para a
base amanhã...
-Uma pista
importante surgiu e precisarei investigar.
Oozora assente com a cabeça:
-Pode deixar...
-Agora, tenho uma outra sugestão...
Ante a surpresa daquela fala, Oozora pisca para Ryuuta, sorrindo e acenando para a vista do mar daquele
mirante:
-Enquanto estão aqui...
-Aproveitem o Sol e essas águas calmas...
-O mar está convidativo hoje...
-Vocês são uma família... Por que não curtem esse momento juntos?
Todos sorriem...
xxxxx
Dois dias depois...
Cidade de Ota, província japonesa de Gunma.
Conforme combinado, Ryuuta vai até a residência da família Murasaka,
acompanhado da família Nambara.
A presença
dos Nambara facilitaria muito o trabalho de Ryuuta, pois eles haviam se tornado
muito amigos dos Murasaka após os eventos de Jaspion.
O pai de Hiroshi, o senhor Kazuma
Murasaka, não estava em casa naquele
momento.
Quem os recebe é a senhora Satiko Murasaka, mãe do Hiroshi, além
do próprio garoto, que estava feliz em rever seus amigos Kanoko e Kenta após
tanto tempo.
O professor
Nambara, visando facilitar as coisas, começa o diálogo:
-Senhora Satiko,
que bom revê-la!
-Creio que a
senhora deve estar estranhando a nossa presença aqui...
Ele então
gesticula para Ryuuta:
-Esse é meu sobrinho
Ryuuta, que faz parte da Organização dos Defensores do Planeta Terra...
A senhora Satiko
responde, educada:
-Eu já ouvi
falar... Uma organização bem respeitada...
-Se me lembro bem
do que vi no noticiário, era a organização que dava apoio aos Changeman na luta
contra o Império Gozma anos atrás...
Nambara assente
com a cabeça e continua:
-Ryuuta, junto com
seus amigos, estão investigando sobre o misterioso desaparecimento de crianças
japonesas há cerca de vinte anos atrás...
Aquele era um
assunto sensível para a senhora Satiko.
Ela abaixa a
cabeça por alguns instantes, levantando-a em seguida, tentando despistar a
insegurança que a revelação dos objetivos daquela visita lhe causara.
Ainda
desconfiada, ela diz:
-Ah sim...
-Que bom saber que
aquela tragédia está sendo propriamente investigada...
-Mas, não entendo
o que eu possa ajudar em relação a isso...
Se a intenção era
tentava mostrar convicção, a senhora Satiko não obteve sucesso.
Seu gestual
trêmulo denunciava que ela escondia algo importante.
Tomando cuidado
com as palavras, o Professor Nambara diz:
-Senhora Satiko...,
a minha filha Kanoko afirmou ter uma lembrança de uma conversa que teve com o
seu filho há um tempo atrás...
-Ela disse que,
certa vez, o Hiroshi viu a senhora chorando na varanda da casa, dizendo um nome
desconhecido...
-Shigure...
A senhora Satiko
se surpreende ao ouvir aquilo, pois não sabia que seu filho havia escutado ela
chorar...
Nesse instante, ela
começa a marejar seus olhos e chorar.
Angustiada, ela
se senta no sofá.
Aos prantos, ela
põe as mãos sobre o rosto.
Hiroshi, que
estava ao lado dela até o momento, se aproxima e a abraça, consolando-a:
-Mamãe, a senhora está
sofrendo...
-Estamos aqui para
ajudá-la... Confie na gente...
-Kanoko é minha amiga...
-A gente jamais vai duvidar
da senhora...
O professor Nambara
corrobora essa fala de Hiroshi:
-Hiroshi tem razão...
-Eu conheço a senhora e seu
esposo há mais de dois anos...
-Sei o quanto é uma pessoa
séria...
-Jamais duvidaríamos da
senhora...
-Pelo contrário, se a
senhora confiar em nós, quem sabe tenhamos a resposta para esse assunto que
tanto a aflige...
Se sentindo um pouco mais segura com a presença
do pai de umas das melhores amigas de seu filho, a senhora Satiko finalmente decide
compartilhar o seu drama pessoal...
Ela, antes de
começar o relato, diz:
-Por favor! Me
aguardem um minuto...
-Eu vou até o meu
quarto...
-Tenho algumas
coisas que queria mostrar...
Ryuuta fita
Kanoko e seu tio, o Professor Nambara.
Os três sentiram
que teriam grandes revelações pela frente.
Depois que sua
mãe se retira do recinto, Hiroshi pergunta, ansioso:
-Kanoko, você
acha mesmo que eu possa ter um irmão?
-Que esse
“Shigure” a que minha mãe se referia é meu irmão?
Kanoko responde,
tentando não presumir nada antes de ter mais provas:
-Quando você me
falou daquela vez anos atrás, confesso que não...
-Porém, depois de
tudo o que fiquei sabendo através do meu primo, começo a achar que sim...
-Por isso estamos
aqui...
-Para descobrir a
verdade.
Porém, a
mente de Hiroshi estava um turbilhão de sentimentos com aquela possibilidade...
Expectativa,
dúvida, espanto, incredulidade, esperança, ceticismo...
Tudo isso
disputava lugar em sua inquieta mente...
Uma coisa era
certa, entretanto...
Se ele
realmente teve um irmão, e ele desapareceu como se presumia, então Hiroshi
finalmente conseguia entender o porquê de seus pais serem tão superprotetores
com ele.
Nesse momento, a senhora Satiko retorna, trazendo uma caixa de papelão
lacrada em seus braços...
Muito emocionada, a senhora Satiko abre a caixa e retira alguns objetos...
Algumas fotos...
Um chacoalho...
E um livro infantil
já bastante desbotado pelo tempo, mas com o título ainda legível: “O
Príncipe Feliz”.
Ao se sentar no
sofá, ela diz:
-Vejam isso!
-Essas fotos...
-Elas não são do
Hiroshi...
-Elas foram
tiradas antes do nascimento dele...
-E olhem o nome
escrito nessa foto, em que eu e meu marido estamos com uma criança no colo...
Ryuuta repara...
Um susto
imediatamente toma sua mente.
Contra fatos não
há argumentos. Essa era a primeira questão a ser analisada.
Estava escrito:
“Shigure,
nosso príncipe”...
A senhora Satiko
prossegue explicando o outro objeto:
-E olhem esse
chacoalho vermelho...!
-As iniciais no
cabo...
-“S M”...
-Iniciais de
Shigure Murasaka...
Não satisfeita,
ela finalmente explica o último objeto:
-E esse livro
aqui...
Ao examinar o
livro, Ryuuta arregala os olhos.
No rodapé da
primeira página, estava escrito:
“Ao pequeno Shigure, com carinho”...
E uma assinatura indecifrável...
Mesmo sabendo a
resposta, Ryuuta pergunta para confirmar:
-Senhora Satiko...,
essa criança da foto seria o Shigure?
A senhora Satiko
assente com a cabeça:
-É estranho o que
vou dizer...
-Por isso, meu
medo em me expor dessa forma...
-Eu sei que tive
um filho antes do Hiroshi, e que seu nome é Shigure...
-Tenho até
fotos...
-Mas, não me
lembro dele...
-Do seu
nascimento...
-De tê-lo
amamentado...
-De ter visto ele
engatinhar, falar, andar...
-Meus vizinhos
sempre disseram que Kazuma e eu tivemos um filho, e que ele se chamava Shigure
Murasaka...
-Como duvidar?
-Mas, ao mesmo
tempo, por que não me lembro?
-A única coisa
que me lembro é de uma luz...
-Uma forte luz...
-Não lembro de
como e quando foi...
-Só lembro de ter
acordado na varanda da casa...
-E, ao meu lado,
esse chacoalho e esse livro...
Nesse momento a
senhora Satiko começa a chorar...
O próprio
Hiroshi, depois de ouvir em detalhes a angústia de sua mãe, também não resiste
e começa a chorar junto com ela...
O garoto, mais
uma vez, abraça a sua mãe, para apoiá-la emocionalmente naquele momento tão
vulnerável.
Ryuuta, Professor
Nambara, Kanoko e Kenta tinham expressões tristes em seus rostos, e se
mantinham em silêncio, em respeito à dor daquela mãe...
A partir daí, havia várias lacunas,
partes desconexas, perguntas sem respostas...
Mas a intuição de Ryuuta (por tudo o que ele já sabia em relação aos
demais Flashman) lhe dizia que, conforme o mantra de Lorde Titã, e pelo
presente caso seguir alguns padrões ocorridos com os demais, “não existem
coincidências no universo”...
Esse caso indicava, mais uma vez, que esse mantra, cada vez mais, fazia
sentido.
Ao final do relato, Ryuuta, após esperar que a senhora Satiko se
acalmasse um pouco, diz:
-Senhora Satiko..., Hiroshi...
-Bem..., como eu posso explicar...?
-Creio que, se minhas suspeitas estiverem corretas, esse relato, de
fato, é verídico...
A senhora Satiko
se mostra convicta:
-Só eu sei o
vazio que senti ao longo dos anos...
-Isso que você,
prezado Ryuuta, me disse, é um grande alento pra mim...
Ryuuta, para não
alimentar falsas esperanças, escolhe cuidadosamente suas palavras.
Não era a sua
intenção feri-la, caso sua suposição estivesse incorreta.
Então, com
cautela, ele explica:
-Eu ainda não posso afirmar com cem por cento de certeza, mas..., tenho
um palpite de quem essa suposta criança seja...
-Eu vim aqui justamente para isso...
Nesse
instante, ele se identifica como um Bioman e detalha a sua missão ao lado dos
Changeman. Ele relata o real motivo por trás dos Defensores estarem
investigando os tais desaparecimentos de vinte anos atrás...
Ele começa
explicando a origem terráquea dos Flashman (dos quais a senhora Satiko
também já ouvira falar, através do noticiário) e o motivo pelo qual eles
tiveram que deixar a Terra...
Depois,
Ryuuta explica que o Império Mess havia sobrevivido à batalha e,
aproveitando-se da ausência dos Flashman, estava tentando uma nova investida
contra a Terra, cabendo aos Bioman e dos Changeman fazer a defesa do planeta,
enquanto os Maskman combatiam o Império Subterrâneo Tube.
Durante a
luta contra Mess, algumas descobertas extraordinárias foram realizadas, dentre
as quais os familiares de quatro dos cinco Flashman, que surpreendentemente
estavam relacionados aos outros três Super Esquadrões: Bioman, Changeman e
Maskman.
E, se o
padrão fosse seguido, é provável que o quinto e último Flashman também viesse
de alguma família em que um de seus integrantes tivesse vínculo com alguma
força mística...
O que era o
caso de Hiroshi e sua conexão com o Poder do Pássaro Dourado!
Por fim, Ryuuta a convida, assim que fosse possível, para que ela fosse
com seu esposo e com Hiroshi à base dos Defensores, para comprovar o vínculo
familiar com o último Flashman.
A senhora Satiko, visivelmente emocionada, diz:
-Então, um daqueles jovens e tão sofridos guerreiros, que lutaram pela
Terra, pode ser o meu filho?
-Pode ser o
Shigure?
Ela então leva a mão ao rosto, tentando conter as lágrimas que já
fartamente fluíam, e prossegue com a voz embargada de emoção:
-Mesmo que não seja o Shigure... essa notícia alentou o meu coração...
-Passei anos com isso dentro de mim...
-Meu esposo, embora não se lembre disso tudo, sempre acreditou em mim...
-No entanto, ele ponderou que seria melhor que não divulgássemos isso,
pois dificilmente alguém iria acreditar nessa história...
-Saber que eu não estou louca e que vocês acreditam em mim, renova
minhas energias...
Ela então finalmente controla suas emoções e, com a voz mais resoluta,
afirma:
-Eu vou, sim, à base dos Defensores...
-Podem contar com isso!
Ryuuta fica satisfeito com aquela resposta.
Com a conversa parecendo ter chegado ao fim, ele, juntamente com a
família Nambara, faziam menção de irem embora, quando o telefone da residência
toca e chama a atenção de Ryuuta...
Hiroshi é quem atende:
-Alô...?
-Ah, é você, tio...?
Ao ouvir o nome pelo qual Hiroshi chamou de tio, Ryuuta se espanta e pensa:
"Não é possível...!"
"O tio dele é...?"
Quem será essa pessoa?
Façam suas apostas!
Ryuuta Nambara e Yuuma Oozora
Kanoko, Kenta e Ken'ichiro Nambara
Pássaro Dourado e as Cinco Crianças Irradiadas pela Luz
Satiko Murasaka e Hiroshi Murasaka
Notas do Autor:
(*138) Conforme narrado na obra “Jaspion e Changeman: O Grande Encontro”, disponível na plataforma Mindstorm.
(*139) Considerar tocar nesse momento a música “Neppu Yarou Jaspion” da trilha sonora de Jaspion, que tocava toda vez que o Pássaro Dourado aparecia na série.
(*140) Personagem que aparece no episódio 42 de Jaspion, intitulado “A história de Pep e Hiroshi”.
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2 Comentários
Grande Pokemom!
ResponderExcluirA partir desse episódio, você assume as postagens desse projeto que fizemos em conjunto.
Seus acréscimos ao texto original, feito por mim já há algum tempo, tornaram o texto mais denso.
O encontro de Ryuuta com os Nambara foi muito bem conduzido e elevou as expectativas em relação ao possível parentesco de Jin com Hiroshi, a quarta criança irraduada pela luz do Pássaro Dourado.
Algumas pistas sutis foram dadas há alguns episódios e, creio, não deve ser surpresa para o leitor mais atento.
Nessa reta final não tem como esconder.
Mandou muito bem!
Parabéns, meu amigo!
O tio em questão com certeza é algum conhecido nosso. Até imagino quem seja.
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