Olá, pessoal.

Obrigado por estarem acompanhando o meu primeiro conto de Tokusatsu. Este episódio está um pouco menos agradável, porque a ação não foi inteiramente concluída. Espero que gostem.


3. Quando três não é o bastante

Após todo o estrago que ocorreu no centro financeiro de São Paulo, a paz pareceu reinar na caótica capital.

Apenas pareceu.

Nas sombras, um ser espreitava. Ele havia observado toda a luta, e viu com que risível facilidade os guardiões dos deuses naturais haviam conseguido eliminar seu servo, e ficou se perguntando como eles haviam conseguido um poder tão grande mesmo tendo tão poucas pessoas acreditando neles.

Sabia que, quanto mais as pessoas acreditavam em um deus, mais ele tinha poder, a devoção gerava tudo isso.

Nisso ele pensou... O que poderia ser um inimigo natural dos deuses naturais? O que poderia decretar a queda deles de uma vez por todas?

Pensando nisso, começaria pela natureza, afinal de contas, se o natural era parte do poder deles, era por aí que começaria a minar essa vantagem.

Próximo de onde ele estava havia um bueiro que exalava um cheiro de esgoto muito forte, e decidiu que usaria aquele material para construir um novo servo. Aquele lugar era seu desde tempos imemoriais, e seria seu novamente.

Outra estratégia seria atacar um lugar que estivesse mais cheio daqueles humanos nojentos, e não era muito longe dali e ele podia sentir o cheiro horroroso de aglomeração.

A rua Vinte e Cinco de Março.

...
...

Amazônia, plano mítico
Logo Aiyra sentiu uma disrupção no tempo-espaço e resolveu verificar. Olhou no pequeno espelho d’água ali próximo e se desesperou.

Um monstro havia surgido, e ele estava muito, muito perto de um lugar cheio de pessoas.

Aiyra: Tupangers, é chegada a hora de lutarem novamente.

Pedro: Mas sequer fazer 3 horas direito que lutamos contra aquele gigante!

Aiyra: Você é necessário, Guara Yellow. Vocês são necessários. Precisam derrotar aquele monstro, ou teremos uma chacina naquele lugar que vocês chamam de Rua Vinte e Cinco de Março.

Ada: Justo lá? E hoje tá acontecendo uma Black Friday, por isso tá tão cheio de gente assim!

Fábio e Pedro olharam, assustados.

Ada: O que foi? Uma garota não pode ser bem informada sobre liquidações?

Fábio: É que isso não é da sua personalidade, Ada.

Ada: Até parece que vocês não conhecem o meu lado consumista.

Os dois ficaram em silêncio e Aiyra olhou para os três com vívido interesse.

Fábio: Vamos logo antes que o monstro resolva começar a matar as pessoas ali.

São Paulo, plano dos humanos.
A sorte dos Tupangers foi que o ser enigmático havia criado seu mais novo minion a partir do esgoto. Com isso, quando o trio chegou a este, já não havia mais ninguém por perto. Assim como o outro, este não falava, mas um giro executado com o braço fez com que um pouco da lama fedorenta do qual ele era formado fosse atirado em direção dos três, e ele errou, por muito. A lama atingiu um poste e o abraçou, corroendo o concreto e os vergalhões de sustentação, o derrubando pelo peso.

Os três observaram a cena por alguns segundos e sabiam que não poderiam lutar corpo a corpo, ou poderiam acabar como aquele pedaço de poste. Logo Guara Yellow puxou sua bazooka e começou a fazer mira, quando alguns capangas daquele servo do mal chegaram.

“Pedro, foca em atingir aquele monstro que a gente te dá cobertura” - Ada disparou estes pensamentos aos amigos, e viu que Fábio concordou.

“Entendido” foi a compreensão que Pedro enviou aos amigos.

O monstro era extremamente poderoso, mas lento. Foi fácil para o Guara Yellow, mesmo não sendo o Tupanger mais rápido ele conseguia fazer rapidamente.

Enquanto isso, Tupan Blue e Ceuci Green - um pelos ares e o outro pela terra - mas infinitamente mais rápida, abatiam os minions. Eles também eram feitos de esgoto, mas não eram tão corrosivos quanto o monstro que os liderava, dava para combatê-los corpo a corpo.

E com uma rapidez estonteante os minions foram derrotados. Mas enquanto isso, Guara Yellow conseguiu subir em um poste de energia e lá, com um equilíbrio perfeito, travar a mira no monstro e disparar. O disparo foi contido, que abraçou, engoliu e derreteu o projétil. Inteiro.

Quando Ceuci Green e Tupan Blue se juntaram a Guara Yellow...

“Pessoal, ele engoliu o tiro e derreteu a bala”. Era possível notar o assombro nas sensações de Pedro. E ele quase não acreditava, porque um tiro daqueles foi passível de mandar longe o monstro anterior. E aquela sensação também foi enviada.

“Pedro, nos resta a acreditar que este chefe está de alguma forma ligado com os monstros. Ele aprendeu a nossa tática. E agora nos deu esta situação para lidar. O que podemos fazer? Você é fogo, a Ada é madeira e eu sou raio.”, iniciou Fábio.

“Meninos, pensem no que o Fábio disse agora. Somos todos de elementos diferentes. E percebam, como os primeiros, somos parte de uma roda elementar, resta saber o que devemos fazer”, complementou Ada.

Aiyra percebeu que o raciocínio de seus comandados estava no caminho certo, mas a fagulha que os faria tomar uma ação estava longe de chegar onde deveria. Com isso, mandou aos três um insight.

O primeiro a entender, desta vez, foi Fábio.

“Mas é claro! Obrigado, Aiyra. Temos que procurar alguém que possa integrar nossa equipe, alguém que aceite ser Tupanger como nós somos”.

“Mas no meio de uma luta? Este monstro pode ir para outro lugar e acabar com pessoas! Veja, enquanto conversamos ele está vindo pra cima! Não é rápido, mas é poderoso o suficiente para nos conter!”, disparou a ideia de urgência para os três.

“Sabemos disso. Mas acho que o que Fábio disse também é correto. Como você é rápida e eu tenho artilharia mais pesada, somos os mais indicados para continuar, e Fábio, porque pode voar, pode procurar e levar a pessoa escolhida para o plano Amazônico.”, disparou Pedro.

“Melhor que nada. Então vá, Fábio.  Nós seguramos o monstro para você. Mas lembre-se: não conseguiremos fazer por muito tempo.”, concordou Ada.

Com isso, Tupan Blue saiu voando pela cidade enquanto os dois seguravam o monstro como podiam.

“Ada, faz o seguinte, dispara as suas flechas ao redor dele, e corre ao redor do círculo, com a maior velocidade que você puder. Tenho uma ideia.”, enviou Pedro.

“Se isso foi nos ganhar tempo, tô dentro.”, enviou Ada.

E assim Ceuci Green disparou as flechas, formando um círculo perfeito ao redor do monstro e em seguida começou a correr ao redor do círculo com a maior velocidade que podia, criando um tubo de ar. Guara Yellow, com seus cálculos mentais, puxou a bazooka e disparou para cima, fazendo com que o tiro sofresse uma parábola perfeita atingindo o monstro por cima. Se impactos frontais não eram bons, era bom coloca-los em extremos.

O impacto foi imenso, mas ainda assim, só serviu para retardar o monstro... Que passou a ser vigiado pela Ceuci Green e pelo Guara Yellow. Enquanto a luta ocorria, Tupan Blue seguia em sentido à Rua Santa Ifigênia, e lá encontrou uma velha namorada, Amanda. Antes que ela o visse, ele restaurou sua pedra, desfazendo a transformação e chegando perto dela.

Claro que Fábio não sabia se ela poderia ser ou não uma escolhida, mas queria tentar.

Chegou perto dela andando calmamente e deixou com que ela notasse sua presença.

Amanda: Fábio, é você? - Perguntou a jovem, desconfiada.

Fábio: Amanda! Quanto tempo! - Exclamou o jovem. - Como você tá?

Amanda: Estou bem. E você?

Fábio: Estou perfeito! Eu queria poder te mostrar algo!

Amanda: Eu sabia. Você só me acha quando precisa de algo.

Fábio: É sério, Amanda. Vem comigo.

Amanda: Então vamos.

Os dois entraram em uma rua estreita, daquelas que não entrava ninguém. Nisso, Fábio puxa sua pedra.

Amanda: Que pedra linda, Fábio. Mas o que ela tem a ver com o que vamos conversar?

Foi quando Fábio se concentrou e, com a pedra, abriu rapidamente um portal.

Amanda: Desde quando você faz isso?

Fábio: Há algumas horas, somente. Mas acho que você vai poder fazer a mesma coisa.

Amanda: Sério isso aí, produção? Eu vou poder abrir portais dimensionais com pedras preciosas?

Fábio: Eu penso que sim. Vem comigo.

Os dois atravessaram o portal.