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A verdadeira história do desterro do Doutor Gori (capítulo 30 - fim)

 

                                        Capítulo XXX - Making Of (parte 3/3 - conclusão)

13 – Aioros traidor: No capítulo 17 a frase dita pela torre de comando, “saiam todos, houve uma rebelião! Os traidores Gori e Karas capturaram uma de nossas naves!”, é mais uma referência ao Saga de Gêmeos da fase Mestre do Santuário. Mais precisamente, às palavras que ele disse depois que o Aioros, o cavaleiro de ouro de Sagitário e irmão do Aioria de Leão, frustrou com sua tentativa de matar a Athena bebê (e ainda por cima viu o rosto por trás da máscara).

14 – Doutor Gori é o Seu Madruga?: No capítulo 18, em que eu falo sobre as lendas que se criaram em cima do Doutor Gori após seu óbito (e depois nos capítulos em que o Comandante Ibuki e o Edin falam sobre o Doutor Gori), a lenda de que o Doutor Gori seria o Seu Madruga é uma referência ao fato de que no Brasil os dois personagens tiveram o mesmo dublador, o Carlos Seidl (que também foi o primeiro dublador do Kodžiro em Gyaban, Tao em VR Troopers, o Major Monograma em Phineas e Pherb, Lionel Luthor em Smalville e o Krusty e o Smithers em Simpsons, Roh em Dragon Ball Super, Stan Lee nos filmes da Marvel, entre outros).

A história de que o Karas seria na verdade o Professor Girafales é uma óbvia referência ao fato de que ambos os personagens foram dublados por Osmiro Campos (finado em 2015 – dublou o Dick Sargent em A Feiticeira, Zor-El em Supergirl, Richard Nixon em um episódio de Futurama, entre outros).

E Buba Seu Barriga é uma referência óbvia ao fato de que o Mário Vilela (finado em 2005) dublou ambos os personagens. Ele que no Changeman dublou o Buba com o mesmo timbre de voz que usou para dublar o Seu Barriga e dublou o Gyodai com o mesmo timbre de voz que usou para dublar o Nhonho. Depois dublou personagens como o Spika na primeira dublagem de Cavaleiros do Zodíaco, vovô Blass em Fly: o pequeno guerreiro, Rato de Boné em Bananas de Pijamas, Bactéria na primeira dublagem de Dragon Ball, entre outros. E que em 2003 se encontrou com o Edgar Vivar (intérprete mexicano do Seu Barriga e do Nhonho) no programa Falando Francamente, da Sônia Abrão.

Diga-se de passagem, o elenco de dublagem de Spectreman é bem interessante: ao mesmo tempo em que temos vários dubladores que anos depois participaram do Chaves e do Chapolin (entre eles o Carlos Seidl que dublou o Seu Madruga, o Osmiro Campos que foi o segundo dublador do Professor Girafales, o Mário Vilela que dublou o Seu Barriga, o Marcelo Gastaldi que dublou o Chaves e o Chapolin, o Eleu Salvador que foi o segundo dublador do Jaiminho e depois dublou o Doutor Brown em De Volta para o Futuro, o pai da Bulma em Dragon Ball Z e o avô da Kagome em Inuyaša e a Cecília Lemes e a Sandra Mara Azevedo, que dublaram a Chiquinha no Chaves e mais recentemente dublaram as irmãs Bilder na novela infanto-juvenil argentina Sou Luna), também há dubladores que participaram dos seriados tokusatsu e animes que vieram a partir de Jaspion e Changeman (entre eles o Marcos Lander, que dublou o Giluke no Changeman e o Wandar no Flashman e foi o narrador de O Pequeno Príncipe, o Jorge Pires, que deu sua voz ao Bazoo no Changeman, o Tip e o Bragul no Jaspion e o Aštarote no especial do Armageddon em Cavaleiros do Zodíaco, o Chico Borges, que narrou o Jaspion, o Changeman e os 10 primeiros episódios do Flashman e dublou o Hannibal em Esquadrão Classe A, o MacGaren entre os episódios 5 a 16 de Jaspion e o Capitão Oda em Cybercop, assim como o Barlock em Street Fighter II Victory e o João Paulo Ramalho, que dublou o Neroz em Metalder, o Doutor Jean Marrie em Jiban, o Grande Rei em Kamen Rider Black, o Chuck Norris em vários filmes dublados em São Paulo, o Lúcifer no especial do Armageddon em Cavaleiros do Zodíaco e o Hadler em Fly: o pequeno guerreiro – os quatro infelizmente já são finados), assim como dubladores que depois participaram de séries e desenhos dublados no Rio de Janeiro, em estúdios como a Herbert Richers e a VTI, como He-Man, Thundercats e outros (como é o caso de Francisco José, o dublador do Panthro no Thundercats e do coronel Trautman em Rambo, e Marcos Miranda, o dublador do Mentor em He-Man e do Trapaceiro em Silver Hawks).

15 – Quebra temporal: como vocês podem ver, na transição do capítulo 17 para o 18 há uma espécie de quebra temporal. Na qual eu paro a história a partir do momento em que o Doutor Gori cria o monstro Draks (e assim dando início à sua ofensiva) e no capítulo seguinte retomo para depois que o Spectreman vence nossos ilustres inimigos.

Pois foi dessa forma que eu trabalhei em minhas fanfics de tokusatsu anteriores (e que vocês podem conferir aqui na plataforma. Tenho certeza que vocês vão gostar), assim como em outras como aquelas dedicadas às histórias de amor do Siegfried com a Hilda, do Hagen com a Freja e do Aioria com a Marin de Cavaleiros do Zodíaco. Assim como também na minha história sobre o Gabriel Agreste (embora nessa eu terminei a história antes dele virar o Hawk Moth). E já vou antecipando que pretendo trabalhar dessa mesma maneira na minha próxima fanfic, dedicada ao Doutor Maki Gero, o criador dos androides e do Cell, de Dragon Ball.

Ou seja, nessa forma de trabalhar eu dou uma maior ênfase aos momentos off-screen das séries e ao que acontece tanto antes quanto depois delas. Até como forma de trabalhar mais nas lacunas que as séries e desenhos deixaram para trás.

16 – Plano zero humanos: No capítulo 18 eu cito sobre um tal plano “zero humanos” da parte do Doutor Gori. Que eu me lembre em Spectreman o Doutor Gori nunca teve nenhum plano com esse nome. No máximo a “Operação Genocídio” dos episódios 59 e 60. É na verdade uma referência ao plano de mesmo nome do Zamasu na saga Goku Black de Dragon Ball Super. Ele, que para levar adiante seu plano criou uma cópia do Goku por meio das Super Esferas do Dragão, no que deu origem ao Goku Black. Aliás, o Zamasu tem uma retórica que lembra muito a do Doutor Gori.

Diga-se de passagem, parece-me que na saga Goku Black a ideia original que o Akira Toriyama tinha para a saga do Cell foi reaproveitada, na qual os androides 19 e 20 seriam os únicos e principais vilões (lembrando que no mangá original o Trunks diz ao Goku no primeiro encontro entre os dois que os androides que devastaram o mundo dele foram os números 19 e 20). Mas os editores dele não aprovaram os novos vilões e no fim das contas ele criou os outros androides até enfim chegar ao Cell. Talvez, pelo fato de a saga Black ser uma saga mais curta é que nela tal ideia funcionou melhor que na saga Cell.

Outro vilão memorável que também tinha um objetivo similar ao do Doutor Gori e do Zamasu é o Sensui de Yu Yu Hakušo. Ele, que durante certo tempo foi um ardoroso defensor da humanidade diante dos monstros até descobrir que a humanidade podia ser tão ou mais bestial quanto os monstros que ele combatia, e a partir de então passou a almejar o fim da humanidade por meio da criação de um grande buraco que permitisse a entrada de monstros de outros mundos para o plano terreno. E eu particularmente acho a história de fundo do Sensui mais interessante que a do Toguro (outro vilão igualmente memorável, diga-se de passagem). Afinal, na saga dele, o Yusuke e seus amigos estavam na embaraçosa situação de ter que enfrentar o antecessor rebelde dele como detetive espiritual (que era uma cobra que em determinado momento se virou contra seus criadores).

17 – O judiciário de Épsilon: na parte em que falo sobre o caráter de classe do judiciário de Épsilon no capítulo 16, quis mostrar que a despeito de toda a tecnologia que existe em Épsilon, ainda assim não é lá muito diferente do judiciário que nós conhecemos e que tanto lá quanto cá um poder como o judiciário é o braço jurídico dos poderosos de plantão, e que tanto lá quanto cá o juiz é um político que veste toga.

18 – A lorota da meritocracia: Também no mesmo capítulo em questão quando falei sobre o judiciário do planeta dos simióides quis fazer uma crítica ao conto da carochinha da meritocracia quando falo que os juízes de Épsilon se vangloriam do fato de que chegaram à posição em que chegaram ao mesmo tempo em que omitem ao mundo toda a teia de relações de amizade e parentesco que eles possuem que ajudam a abrir muitas portas para eles, e que lorotas como meritocracia, self-made-man, trabalhador de aplicativo que se acha empresário de si mesmo e tantas outras existem tanto lá quanto cá.

19 – Conexões com outras séries: Quem leu a minha história viu que há alusões a personagens de outras séries, e até mesmo aparições deles. Há tempos faço isso em minhas histórias, mais precisamente, desde 2011, quando escrevi “Cruzador Imperial Mess”, e depois aprofundadas nas histórias que escrevi depois. E que agora estão sendo continuadas com essa história, dentro dos marcos do projeto tokuverso expandido, junto com o Mestre Pokémon e Jirayrider.

20 – Sebastianismo e mamutes: no capítulo 19, a parte em que existem lendas urbanas que acreditam que o Spectreman um dia voltará para proteger a Terra em um momento de extrema necessidade é uma alusão ao mito sebastianista, que surgiu em Portugal no fim do século XVI depois que o Rei Dom Sebastião de Avis foi vencido e morto na batalha de Alcácer-Quibir, travada no atual Marrocos, em 1578. O corpo do rei nunca foi encontrado, e como ele não tinha herdeiros isso gerou uma crise que culminou com o estabelecimento da União Ibérica, a união das coroas espanhola e portuguesa em uma só, em 1580. Como também deu origem margem ao surgimento de uma crença na qual um dia ele voltaria para ajudar Portugal em um momento de grande necessidade, que foi importante tanto em Portugal quanto no Brasil.

E sobre o paradeiro dele, eu me inspirei em lendas que existem em lugares como a Sibéria a respeito do mamute lanudo (Mammuthus primigenius), aquele parente peludo dos atuais elefantes que um dia vagaram pela Europa, norte da Ásia e América do Norte. Na Sibéria existem várias lendas a respeito dos mamutes e o que aconteceu a eles, nas quais a imagem do mamute varia de povo para povo. Em tais lendas o mamute geralmente é retratado como um habitante dos subterrâneos que geralmente vive no fundo de lagos e rios e que são capazes de feitos como criar leitos de rios, fazer terremotos e outros. O que faz todo o sentido, visto que no subsolo do permafrost siberiano foram encontrados inúmeros corpos de mamutes em ótimo estado de conservação que puderam ser estudados em museus e laboratórios.

21 – Ibuki, Edin e Odagiri sobre o Doutor Gori: Entre os capítulos 20 a 23 vemos primeiro o comandante Ibuki, depois o profeta Edin e por fim a comandante Odagiri de Jetman falarem sobre o Doutor Gori. Acho bem razoável supor que eles tivessem algum grau de conhecimento a respeito do Doutor Gori. Ibuki e Edin, por terem um amplo conhecimento sobre diversos planetas ao redor do cosmos. E a comandante Odagiri, não só por ser a comandante do esquadrão Jetman, como também por ter lembranças vívidas do ataque de Gori e Karas e ter as fontes dela, por assim dizer.

22 – Janus, o senhor do Lácio: No capítulo 22, no sonho do Jaspion em que ele se encontra com o Spectreman, o Chapolin e o Spielvan, eu trabalho com um simbolismo relacionado ao deus Janus, o deus supremo do panteão romano, que geralmente era retratado em esculturas, bustos e pinturas com duas faces – uma voltada para o passado e outra para o futuro. Nessa cena em questão, com a reunião do herói de hoje (Jaspion) com os heróis de ontem (Spectreman e Chapolin) e o herói de amanhã (Spielvan). A propósito, o elmo da armadura de Gêmeos em Cavaleiros do Zodíaco é uma clara alusão a Janus e suas duas faces.

23 – Aparição do Spielvan: no fim do capítulo 22, temos uma aparição do Spielvan. E escolhi o Spielvan ao invés de heróis mais populares como o Jiraya e o Kamen Rider Black pelos seguintes motivos. Primeiro que o Spielvan é o herói que sucede diretamente ao Jaspion e que tal qual o Jaspion e os Policiais do Espaço é um herói que enfrenta ameaças vindas do cosmos.

E também é uma alusão ao fato de que o Spielvan foi chamado no Brasil de Jaspion 2, como forma de alavancar o sucesso do 5º Metal Hero no Brasil (da mesma forma que na França Maskman foi chamado de Bioman 2 e Liveman foi chamado de Bioman 3). Tanto que até criaram uma imagem de um LP na qual o Jaspion e o Spielvan aparecem juntos. E sobre o Chapolin, ele apareceu mais para esclarecer o rumor a respeito do Tripa Seca e também dar uma forcinha ao Jaspion e ao Spielvan.

E sobre a parte em que o Jaspion pensa que o Spielvan é o Boomerman, isso é uma alusão ao fato de que ambos os personagens foram interpretados pelo ator Hiroši Watari, que também interpretou o Den Iga/Šarivan na série homônima e depois disso participou dos episódios 25 e 26 de Metalder e mais trabalhos menores em séries posteriores.

24 – Jetman: Sobre as referências a Jetman, o 15º Super Sentai e o último que não virou Power Rangers no Ocidente (as cenas de membros dos 15 primeiros Super Sentais que apareceram na temporada Super Mega Force para mim não contam, já que não foram criadas temporadas baseadas nessas séries), escolhi essa série pelo fato de ser uma série muito bacana (e que bem que poderia ter vindo ao Brasil) e que tal como Changeman e Flashman é visto um império invasor vindo do cosmos. Portanto, se encaixaria perfeitamente para essa história. E mais o fato de que Jetman foi produzido em 1991, ou seja, 20 anos depois do Spectreman.

Também é uma forma de em matérias de Super Sentais não ficarmos presos às quatro séries que tivemos a honra de ver na TV brasileira, dubladas. Eu, que eu uma das minhas fanfics anteriores escrevi uma história juntando dois vilões de séries Sentai inéditas no Brasil e que fizeram muito sucesso na França, o Doutor Man de Bioman e o Grande Professor Bias de Liveman (vulgo Bioman 3).

25 – Gori, Saru e Wonsung – a continuidade entre os três: como vocês devem ter visto, depois do Doutor Gori surgiram outros políticos similares a ele no planeta Épsilon: primeiro o Doutor Saru e depois o general Wonsung. Nessa parte quis mostrar que Épsilon reunia todas as condições possíveis e imagináveis para o surgimento de tais tipos, e que depois do desterro de Gori seria uma questão de tempo o surgimento do próximo Gori no planeta natal dele.

E a minha principal inspiração para a Épsilon retratada nessa história sobre o Doutor Gori é nada menos que Gotham City, a cidade na qual bandidos como o Coringa, o Crocodilo, o Duas Caras, o Pinguim, o Charada e outros inimigos do Batman proliferam como ervas daninhas. Digamos que é uma espécie de Gotham City, só de alta tecnologia e com simióides no lugar de seres humanos, e com a mesma desigualdade social e corrupção generalizada em altas esferas de poder, mais a questão do pacifismo exacerbado que prejudicava a capacidade de Épsilon de se defender de ameaças vindas do cosmos. Resumindo a ópera, quis aqui mostrar que Gori, assim como Saru e Wonsung, nada mais são que as ervas daninhas que surgem no terreno chamado Planeta Épsilon.

26 – Mensagens finais: quis terminar essa história com mensagens póstumas do Doutor Gori, destinadas primeiro aos habitantes de Épsilon, seu planeta natal; depois aos terráqueos que ele quis eliminar em seus planos de conquista; ao Spectreman, o herói contra o qual ele lutou; e por fim à rainha Ahames, que ceifou a vida da esposa dele e raptou os filhos dele. É como se fosse uma seção espírita na qual o espírito dele surge e comenta sobre o que aconteceu tanto na Terra quanto em Épsilon depois que ele morreu. Como vocês devem ter visto, ele não está gostando nem um pouco do rumo que ambos os planetas vêm tomando.

E na parte em que ele fica enojado com o fato de que os seres humanos hoje em dia se destroem por meio de certas cirurgias e mutilações corporais, é uma referência a tipos como o Homem-Tigre (finado em 2012), Homem-Dragão e outros do tipo, que mutilam seus corpos de tal modo que ficam parecendo versões caricatas dos animais que eles acham que são. E mais outras cirurgias (que estão mais para mutilações corporais) de caráter no mínimo duvidoso. Se o Doutor Gori ficou indignado com a destruição do Planeta Terra nas mãos da humanidade por meio da poluição lá no começo dos anos 1970, é razoável supor que ele ficaria ainda mais indignado hoje se ele se deparasse com esse tipo de coisa por parte dos terráqueos.

1 Comentários

  1. E assim termina a saga de Gori ,o desterrado de Épsilon.


    Nesse teu esforço criativo ,podemos conhecer ,nessa realidade proposta por você ,as entranhas da alma atormentada de Gori e suas muitas facetas.

    Ainda que alguns encontros sejam um pouco de assimilar num primeiro momento.

    Mas ,faz parte desse universo que tu criou onde todos podem se encontrar...


    O importante é que eu pude entender como pensava esse personagem tão icônico que marcou a geração do meu pai.


    Parabéns pelo trabalho!!!

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