Escrito  em parceria com o  Treinador Pokemon

AVISO IMPORTANTE: 

Esse sim deve ser lido após o capítulo 16 da saga principal "Amizade Estelar"

01 – O misterioso motoqueiro.

Ano: 1966

Um garoto de 6 anos à época estava voltando para casa de madrugada.

 

Ele, que no dia anterior havia levado uma bronca dos seus pais e colocado de castigo do lado de fora da casa, num ato de rebeldia, foi para longe até um parque na cidade, querendo deixar seus pais preocupados como uma forma de vingança.


Mais tarde, já de madrugada, quando estava voltando, ele nota um vulto vindo da direção da sua casa.
Devido à hora, e pensando ser um marginal ou alguém perigoso, ele se esconde atrás de uma árvore próxima.

 

Quando o vulto passa pela árvore, o garoto toma um susto: o vulto é uma criatura estranha, claramente não-humana, com uma cabeça grande e laranja, vestindo uma roupa que parecia ter saído de um filme de ficção científica.

 

Tal criatura também parecia estar carregando algo em seus braços, mas o garoto não consegue ver direito, pois estava escuro.

 

A criatura rapidamente some no meio da escuridão da noite.

 

Com medo, o garoto volta correndo para casa. O que quer que fosse aquela criatura, ele não queria arriscar dar de cara com ela de novo...

 

Ao entrar em sua residência, ele toma outro susto: seus pais estavam caídos no chão da sala, imóveis...

 

Chocado, ele tenta acordá-los...

 

Para seu alívio, não estavam mortos, apenas desacordados...

 

Mas, ao ir ao quarto onde estava seu irmão recém-nascido, só encontra o berço vazio.

 

Desesperado, ele pergunta aos seus pais onde estava Hiroki...

 

Mas, para sua surpresa, os pais simplesmente perguntam "Quem?".

 

Os pais dele, surpreendentemente, não se lembravam que possuíam um segundo filho! Diziam que ele era o único filho deles!


O garoto fica completamente desnorteado com aquela inexplicável situação.

 

Seu irmão havia sumido e os pais não se lembravam dele!

 

O que estava acontecendo?

 

O que houve com seus pais enquanto ele estava fora?

 

Onde estava seu irmão?

 

Até que ele se recorda da criatura que vira vindo da direção da sua casa...

 

E lembra que a criatura carregava algo em seus braços!

 

Ou melhor, alguém em seus braços!

 

A única conclusão possível: a criatura (ou o que quer que fosse) havia raptado seu irmão!

 

O garoto sai correndo, no meio da noite, para tentar achar a criatura, mas já era tarde: ela já havia desaparecido.

 

-------


Os anos seguintes são difíceis para o garoto...

 

Ele tenta o possível para fazer seus pais lembrarem de seu irmão, mas em vão.

 

Os dois apenas diziam que o garoto tinha sonhado tudo aquilo, e que ele simplesmente tinha uma imaginação muito ativa. Não raro, se aborreciam com a insistência de seu filho naquele assunto.

 

Ele também procura pela criatura, mas também em vão. Nunca mais a viu, ou ouviu falar dela.

 

Ele tenta fazer outras pessoas acreditarem nele, mas também em vão.

 

Os adultos simplesmente ignoravam o garoto, achando que ele apenas queria chamar atenção. Já as outras crianças riam e zombavam dele, chamando-o de mentiroso.

 

Para as autoridades, o incidente daquela noite de 1966 foi reportado pela polícia como uma mera tentativa de roubo na residência da família do garoto, nada mais.

 

No final, quem acreditaria numa criança de 6 anos dizendo que viu um monstro raptar seu irmão, o qual nem os próprios pais assumiam existir?

 

-------

 

Trecho do capítulo 014 de Amizade Estelar

Um misterioso homem de jaqueta jeans azul, com calça também jeans do mesmo tom combinando, aspecto triste e amargurado, sentado em cima de sua moto, olhava as montanhas em redor.

Assim ele permaneceu por alguns minutos, até que fala para si mesmo:

-Droga!

-Depois de tanto tempo...

-Mas, não tem jeito...

-Preciso procurá-lo...

-Que se dane meu orgulho...

-Mas, eu preciso entender certas coisas...

O homem coloca o capacete e parte...

-------

Trecho do capítulo 16 de Amizade Estelar

O rapaz de jaqueta azul, numa cabine telefônica, dizia as últimas palavras:

-Obrigado...

-Vou tentar localizar o Doutor Tokimura...

-Quem sabe assim, encontro as respostas que tanto procuro...

O rapaz desliga o telefone.

Suspirando, ele coloca o capacete e sobe em sua moto, partindo...

 

Quem será esse rapaz?

O que deseja com o Doutor Tokimura?

É inimigo ou aliado?

-------

Estamos agora em 1987...

Numa lanchonete de beira de estrada, um homem, enquanto bebia sua cerveja e comia o seu hambúrguer, se vê mergulhado nos seus pensamentos.

Parecia olhar para um ponto fixo qualquer em meio ao nada...

Seu olhar estava distante...

Definitivamente, sua mente não estava ali...

Entre um gole e outro de cerveja, sorvida lentamente... entre uma mordida e outra de seu lanche, sua mente fervilhava, maltratando-o de modo inclemente.

O encontro que tivera horas antes, respondeu muitas de suas perguntas...

Mas, não necessariamente, as descobertas concernentes a esse encontro o deixaram feliz...

Era visível o sofrimento em sua face...

 

Tentemos desvendar o que se passou na sua mente...

xxxxxxxxxxxxx

(Pensamentos do homem misterioso)

Então é isso...

Eu tenho, de fato, um irmão e ele foi raptado...

Por seres espaciais...

Minhas lembranças não eram coisas da minha mente...

Então, era verdade...

Hiroki...

O nome que martela na minha cabeça há anos...

Você está vivo...

E há grandes possibilidades dele ser um dos guerreiros do planeta Flash...

E pensar que nem meus pais acreditaram em mim...

Eles nunca chegaram a cogitar a existência de outro filho...

Por vezes, cheguei a pensar que tudo não passava de uma invenção da minha cabeça...

Eu próprio cheguei a duvidar do que vi...

Que coisa mais estranha!!!

A conversa com o Doutor Tokimura não me deixa dúvidas...

Meu irmão existe...

-------

(O homem dá uma risada, sem nenhum humor)

Engraçado...

Depois de tanto tempo, o Doutor Tokimura continua do mesmo jeito...

O mesmo sonhador otimista de sempre...

Ele não parece ter me reconhecido...

E eu também não lhe disse que era o garoto que ele conhecera...

Senti vergonha...

Mas, eu o reconheci logo de cara...

Lembro-me perfeitamente...

Sim! Era ele!!!

-------

(Neste instante as lembranças do homem misterioso vão para um tempo mais distante...

Mais especificamente, sua infância...)

Acho que foi no ano de 1972, se não me falha a memória...

É isso...

Eu tinha uns doze anos...

Me recordo bem...

Perto da casa para onde meus pais haviam se mudado recentemente, eu tinha ouvido falar de um cientista que pretendia construir uma máquina do tempo, para voltar para 1966.

Eu não sabia explicar o porquê, mas algo me atraía para aquele que era considerado um maluco por todo mundo...

Eu queria descobrir a verdade...

A verdade que meus pais negavam...

Toda noite, eu sonhava com aquela maldita cena...

A cena daquela criatura monstruosa...

Dos meus pais desacordados...

Do berço vazio, que meus pais insistiam em dizer que era meu, e que eles não tiveram coragem de desmontar...

Daquele nome...

Hiroki...

Não sei por que, mas decidi me aproximar daquele cientista...

Por mais maluca que fosse aquela obsessão dele, eu sentia que, de alguma forma, havia uma relação com o que presenciei...

Mesmo adolescente, comecei a acreditar firmemente nas histórias que o Doutor Tokimura contava...

Eu cheguei até mesmo a acreditar que seria possível construir uma máquina do tempo...

Engraçado...

Naquela época, eu acreditava em algo...

Em alguém...

Algo que, ao longo da minha vida, se perdeu...

Hoje, eu não acredito mais em nada...

O que dirá de mim mesmo?...

Mas,...

Eu sentia pena do Dr. Tokimura...

Ele era muito ridicularizado por querer construir tal máquina...

Mesmo assim, eu queria ajudar...

Após muita insistência, ele... acho que, mais por medo de me magoar se recusasse, acabou aceitando a minha “ajuda”...

Uma ajuda sem qualquer importância...

Afinal, o quê um adolescente tolo, com 12 anos de idade, saberia fazer de útil?

Será que ele aceitou, também, porque estava feliz de alguém finalmente acreditar nele?

Passei então a frequentar a casa dos Tokimura, tentando ajudar no que pudesse, na construção da tal máquina do tempo.

 

Lembro-me também da esposa do Dr. Tokimura, a senhora Setsuko...

 

Uma senhora muito gentil...

 

Sinto que ela gostava de mim de verdade...

 

Ela e o doutor não tinham filhos à época, mas me tratavam como se eu o fosse...

 

Em alguns momentos, ela era até mais atenciosa do que minha mãe...

 

A bem da verdade é que, eu nunca cheguei a dizer o porquê daquela máquina do tempo me interessar tanto...

 

O doutor também nunca fez menção de perguntar...

 

Mas, hoje eu sei...

 

Seis anos haviam se passado desde aquela trágica noite...

 

-------

 

Mas, com o passar do tempo, e com a falta de progresso do projeto da máquina do tempo, comecei a perder as esperanças de um dia descobrir o que aconteceu com o meu irmão...

 

Comecei a achar que nunca tive um irmão de fato...

 

Que toda aquela história, desde o rapto do meu irmão, até a máquina do tempo, era absurda...

 

Pode-se dizer que o pessimismo e a dureza do mundo acabaram por me fazer duvidar de mim mesmo.

 

Frustrado com os sucessivos fracassos, comecei a aparecer cada vez menos na casa dos Tokimura, pagando com ingratidão a generosidade deles...

 

Passou um tempo e eles se mudaram...

 

Com a mudança deles para outra cidade, após a descoberta que a senhora Setsuko estava gestante, eu perdi o contato de vez...

 

Eu cresci e deixei de lado esse sonho de encontrar o Hiroki...

 

No fim, passei a acreditar que era tudo coisa da minha cabeça...

 

Nem isso fui capaz de fazer certo...

 

Eu também estava entusiasmado, por estar participando de um projeto de um outro homem que o destino colocou em meu caminho...

 

Um projeto em que me empenhei, e mudou o meu modo de ver as coisas...

 

Esse homem se tornou meu mentor, se é que ainda tenho o direito de chamá-lo assim...

 

Por outro lado, eu havia me esquecido completamente daquela família...

 

Do Doutor Tokimura e da senhora Setsuko...

 

Como também, esqueci daquele acontecimento...

 

Com isso, os sonhos com aquela noite pararam...

 

Tudo parecia enterrado num canto qualquer da minha memória...

 

No entanto, vez por outra, meu mentor me falava do Doutor Tokimura, pois o cientista também era um conhecido seu...

 

Como eles se conheceram, não tenho a menor ideia...

 

Eu, porém, envergonhado com a minha atitude, nunca revelei que eu também o conhecia...

Devia ter falado...

Mais um erro para minha conta...

Dos muitos que cometi...

Num certo dia, o Doutor Tokimura fez uma visita ao meu mentor...

Entrei em pânico...

Ao me ver, o Doutor Tokimura chegou a dizer que me conhecia de algum lugar, mas que não conseguia se recordar no momento...

Educadamente, o desmenti, dizendo que nunca o havia visto na vida...

Ele não insistiu...

Talvez, tenha se convencido da minha resposta...

Pedi licença e me retirei do local...

Como fui idiota!! Um tremendo idiota!!

E para piorar, meu inferno pessoal, que eu julgava superado, voltou com tudo...

Minhas lembranças...

Aquela noite...

Aquela maldita noite...

Os sonhos com aquela cena voltaram sem misericórdia...

Acabou ali a minha paz...

E não parou por aí...

As coisas só iriam piorar dali por diante...

Anos mais tarde, um triste acontecimento me colocou de vez no fundo do poço...

Quando perdi a pessoa que mais amava, por ser incapaz de defendê-la, deixei tudo para trás...

Assim como fiz com o Doutor Tokimura, anos antes...

Mais uma vez, virei as costas para quem me estendeu a mão...

Virou rotina eu fazer isso...

Abandonei meu mentor, fugindo do meu destino e, principalmente, de mim mesmo...

Eu queria esquecer tudo...

De que me serviu treinar anos a fio?

Era só o que eu pensava.

De que adiantou toda a minha dedicação?

Essa era a única certeza que tive, ao vê-la morta em meus braços...

Eu tinha um talento, e por que não, até um certo poder... e esse poder não conseguiu salvar aquela que tanto amava...

Covarde!!!

Fraco!!!

É isso que sou...

É isso que sempre fui...

Até incapaz de dar cabo da minha própria vida eu fui...

E olha que eu tentei por diversas vezes...

Nem para ter um final digno eu servi...

-------

Atormentado com os sonhos recorrentes...

Com aquela cena que voltava com força aos meus olhos, a me maltratar, a me judiar, eu decidi ligar para aquele que acreditou em mim... um dia...

Quanta ironia...

Não consegui, nem ao menos, pedir desculpas pelo que lhe fiz...

Eu só queria saber sobre o paradeiro do Doutor Tokimura...

Logo ele, o cientista maluco de quem me esquivei por tantas vezes...

De uma hora para outra, passei a considerar que ele, e somente ele, me daria a resposta...

Mais uma vez, quanta ironia...

O mundo realmente dá voltas...

Para minha surpresa, meu antigo mentor me deu o paradeiro do doutor, sem hesitar...

Não me disse mais nada...

Nem deveria...

Eu é que falhei com ele...

Mas, agora já é tarde...

O que fiz, está feito...

Não tem volta...

Não tem perdão...

No final das contas, aquele a quem desprezei, estava certo...

De fato, o Doutor Tokimura descobriu a verdade...

Ele conseguiu descobrir quem é a sua filha...

Sim, filha... Não um filho como a vida inteira ele supôs...

Mesmo que não seja possível vê-la pessoalmente...

Ele, o tempo todo, estava com a razão...

Acho que não cabem mais tantas ironias na minha vida...

Se eu não tivesse optado em trilhar o caminho que escolhi, e continuasse a ter contato com o doutor, eu teria uma reação diferente... da que estou tendo agora...

Mas, sinceramente...

Não consigo me sentir feliz com isso...

Com tudo isso que ele me contou...

xxxxxxxxxx

Nesse momento, esse homem misterioso interrompe seus pensamentos, pedindo mais uma garrafa de cerveja.

Já era a terceira...

E, pelo jeito, não seria a última...

xxxxxxxxx

Essa descoberta só aumentou a minha dor...

A verdade é uma só...

Mesmo sem conhecê-lo, Hiroki foi muito mais do que eu...

Fez muito mais do que eu...

Ele, ao menos, lutou... enquanto eu fugi.

Ele, ao menos, defendeu a Terra... mesmo a Terra o rejeitando...

 

Coisa que eu fui uma vida inteira preparado para fazer... e não fiz...

O que estou falando?

Idiota!!!

Nem quem eu mais amava consegui defender...

Fracassei em tudo...

Todos aqueles que um dia depositaram sua confiança em mim, se decepcionaram...

Eu sou um fraco...

Um tolo...

Um ninguém...

Vivo a morte em vida...

Uma existência sem sentido...

Por isso, durante a conversa, exigi que o Doutor Tokimura não contasse a ninguém sobre a minha existência...

Ele, obviamente, não concordou e temo que ele dê com a língua nos dentes para os dois Esquadrões que ele está tendo contato, e que estão juntos com ele, para ajudar os guerreiros do planeta Flash...

Entre eles, meu irmão...

A sorte é que eu não tenho paradeiro fixo...

Mesmo se quiser, ele não poderá me encontrar...

Nessas condições que me encontro, não serei de ajuda alguma...

Sou um errante por essas estradas...

Não quero me tornar um estorvo para ninguém...

Hiroki não precisa de um irmão como eu...

É melhor deixar as coisas como estão...

Mesmo que um dia ele reencontre nossos pais, eu não farei parte disso...

Não tenho o direito de ser parte disso.

Que você seja feliz...

Hiroki...

-------

De volta à realidade, à sua dura realidade, o misterioso homem paga a sua conta na lanchonete e segue o seu destino, sem um rumo certo...

Sua moto era sua única companheira...

Antes de subir nela, ele contempla o horizonte.

Queria agir diferente.

Queria voltar a lutar por algo maior.

Queria tomar a decisão certa...

 

Porém, mais uma vez, o medo, a vergonha e a culpa eram mais fortes que ele...

Mais uma vez, ele opta em tomar a decisão errada, numa constante fuga...

Uma fuga de si mesmo...

Seu nome?

Quem sabe um dia descubramos...

Respeitemos sua decisão...