A situação para a resistência flashiana é tão precária, mas
tão precária, que o desânimo começou a tomar conta até mesmo de suas lideranças.
Começaram a pensar em negociar com os inimigos, ainda que a contragosto,
sabendo qual que era a intenção deles. Entre eles, um grupo de flashianos
entocados em uma caverna.
Quando eis que uma luz com tons de azul e branco surge na
frente deles. Ao se dissipar o clarão, revela-se a imponente e divina presença
do grão-mestre da ordem dos profetas galácticos, Wodenz. Wodenz é um senhor de
longa barba branca, cabelos grisalhos, caolho e que veste uma longa túnica
branca. Carrega um longo cajado em sua mão direita.
Ele traz uma mensagem aos flashianos, os quais ficam
surpresos e atônitos com a aparição de Woden. “Ouçam, guerreiros do planeta
Flash! A luta de vocês ainda não acabou! O desânimo toma conta de vocês, mas
não desistam de sua luta. Vamos, a vitória os espera!”, exorta Woden, como
forma de incentivar os flashianos. “E quando isso vai acontecer, lorde Woden?
Essa guerra já está perdida, não temos mais o que fazer”, pergunta um dos
flashianos, cabisbaixo e desanimado. “É aí que vocês se enganam, meus caros! Pois
saibam de uma coisa, flashianos: por mais longa e escura a noite seja, uma hora
o sol sempre volta a brilhar no horizonte”, responde Wodenz. E em seguida Wodenz
some da frente deles. “O que será que ele quis dizer?”, um dos flashianos se
perguntou.
Os flashianos seguiram o conselho de Wodenz após este
injetar um pouco de ânimo neles. Alguns dias se passam após o encontro com
Wodenz, quando eis que os flashianos logram em determinado momento matar Arslan
por meio de uma emboscada.
Arslan estava fazendo uma inspeção de rotina das tropas. Com
o elmo em mãos, estava confiante de que mais cedo ou mais tarde os últimos
focos de resistência seriam esmagados, e Mess enfim teria controle sobre Flash.
Mas o que ele nem fazia ideia é que nos arbustos não muito
distantes dali havia um membro da resistência oculto, esperando o momento certo
para atacar e depois fugir dos inimigos. Vendo Arslan, com o elmo em mãos (e
assim sendo a cabeça desprotegida) e não desconfiando de nada do que pudesse
vir a acontecer, o flashiano irrompeu com um clarão de luz vindo do bracelete.
O clarão gerou confusão entre as fileiras do exército inimigo. Eles, cegados e atordoados
pelo clarão, não sabem o que fazer no presente momento.
No meio da confusão gerado pelo clarão, o flashiano acertou
Arslan com um golpe de adaga bem no pescoço. Essa adaga contém uma substância
venenosa, desenvolvida pelo povo do planeta Flash para situações como essa.
Ao ser atingido pelo golpe inimigo, Arslan fica furioso.
“Você, você, vai pagar por isso!”, diz Arslan. “Quem vai pagar é você, Arslan,
por todos os crimes que você e seu bando cometeram contra o meu povo!”,
responde o flashiano.
Passados alguns segundos, Arslan volta a enxergar, ainda que
agonizando e começando a cambalear. Arslan tenta atingir o flashiano com as
garras do bracelete direito de sua armadura, mas já é tarde demais. Já não tem
mais força se manter em pé. Tá lá mais um corpo estendido no chão.
“Não, não pode ser! Eu, eu... estou...”, diz o chefe dos
caçadores espaciais, já caído ao chão e acudido por sua tropa. “Eu sou Arslan,
o chefe dos caçadores espaciais... isso... isso... não pode estar...
acontecendo comigo!”, ele completa. Arslan é tirado do campo de batalha e
enviado a um hospital militar mais próximo. Mas ele não resistiu aos ferimentos
e minutos mais tarde faleceu.
Arslan faleceu, e de forma inglória. Ele sonhava em ter uma
batalha decisiva contra as forças dos nativos do Planeta Flash e vencê-las de
uma vez por todas. Queria vê-los se rendendo de uma vez por todas perante sua
presença e assinando um acordo de capitulação. Mas o destino acabou
reservando-lhe algo bem diferente do que ele imaginava.
O flashiano que logrou dar cabo de Arslan é um sujeito
chamado Jin. Nos estágios anteriores da guerra, Jin teve dois irmãos que foram
mortos cruelmente por Arslan e seus homens. Os nomes deles Hou e Shui. Os
irmãos de Jin foram submetidos a terríveis torturas, Arslan queria que eles
entregassem mais gente dos resistentes. Mas não conseguiu nada e no fim Hou e
Shui foram mortos pelos caçadores espaciais.
A morte de Arslan nas mãos da guerrilha flashiana injetou um
ânimo na resistência tal que a maré da guerra começou a pender para o outro
lado. Poucas semanas depois, Okotar também é morto em circunstâncias similares.
E sem o comando dos caçadores espaciais, a moral da força invasora foi progressivamente
para o ralo e a derrota de Mess virou uma questão de tempo.
E a maré da guerra passa a favorecer a resistência local
ainda mais quando forças vindas de Tecnolíquel, Aman e Amazo-Giraz vieram em
auxílio dos flashianos.
Tecnolíquel é um tradicional aliado de Flash, e seu rei,
sabendo sobre o que se passa em Flash, resolveu vir em auxílio. Ele tem plena
consciência de que se Flash cair seu planeta natal pode vir a ser o próximo
alvo da sanha de La Deus. Os soberanos de Aman e Amazo-Giraz também pensam o
mesmo.
Prontamente, os flashianos saíram de suas tocas e se juntam
às tropas de auxílio vindas de Tecnolíquel [1],
Aman [2]
e Amazo-Giraz [3].
Os recém-chegados foram recebidos como libertadores, e nas batalhas campais que
se seguiram, as tropas de zolos e monstros que ainda sobravam em Flash foram
vencidas de forma fragorosa e expulsas uma a uma do Planeta Flash e satélites.
Os lugares tenentes colocados por Mess para pilhar o Planeta Flash igualmente
encontraram destino amargo, muitos deles foram julgados e executados a
posteriori, assim demolindo a administração por lá instalada.
Não restou outra saída a Mess a não ser retirar suas tropas
de ocupação do Planeta Flash. Foi uma derrota amarga para o Monarca La Deus,
mas não o fim de suas tentativas de conquista do Planeta Flash, como veremos
mais adiante. Mas, muito embora tenha sido derrotado e sofrido grande prejuízo
com essa guerra, isso não significou que Mess não tenha conseguido pilhar
algumas amostras vitais no planeta Flash. Keflen e La Deus pretendem usar o que
eles conseguiram pilhar em Flash em suas próximas guerras intergalácticas.
Com o fim da guerra, muitos foram aqueles que se sagraram
como heróis dentro do Planeta Flash. Entre eles o já citado Titan, e o
flashiano Jin, todos eles receberam medalhas e honrarias por parte do rei do
Planeta Flash.
Jin era um dos flashianos que estava na caverna junto com
outros flashianos e perante o qual o profeta Wodenz apareceu. “Não fosse por
Wodenz e o ânimo que ele nos injetou, não sei o que teria sido de nós”, disse
Jin quando foi agraciado pelo rei do planeta Flash.
Séculos mais tarde, os flashianos batizaram em honra do
herói de guerra Jin, o mesmo Jin que matou o caçador Arslan em uma tocaia que
foi decisiva para o resultado final da guerra, um dos terráqueos por eles
acolhidos, aquele que nos anos 1980 veio a se tornar o Red Flash, o líder dos
Flashman.
Também foi condecorado como herói um flashiano chamado Dan [4].
Dan também estava na caverna durante a aparição de Woden. Dan se notabilizou por
sua grande força física e por ter se destacado nos embates com os zolos. Mas
seu maior feito foi ter dado cabo de Okotar, também por meio de tocaia. Muitos
anos mais tarde Dan, o futuro Green Flash e vice-líder dos Flashman, foi
nomeado em sua homenagem.
Os comandantes de Tecnolíquel, Aman e Amazo-Giraz também
receberam honrarias por seus feitos no campo de batalha. E entre estes
comandantes está um nativo do planeta Giraz chamado Giluke I. Após a guerra Giluke
I deixou descendência em seu planeta natal. E entre seus descendentes, Giluke
V, o mesmo Giluke V que conspirou contra Bazoo nos anos 1970 e foi o
comandante-em-chefe da invasão do império Gozma nos anos 1980.
Titan, por seu turno, se destacou de tal modo nessa guerra
que ganhou um status heróico no Planeta Flash [5].
Dali em diante passou a ser chamado de Deus Titan, título honorífico dedicado
aos heróis do Planeta Flash, além de ser agraciado com o cargo de general
supremo das forças do Planeta Flash. Nessa mesma época, a esposa de Titan
engravidou e ele teve um filho, ao qual ele deu o nome de Titan. Uma verdadeira
dádiva depois de todas as atribulações que ele e seu povo passaram durante anos
de guerra contra um inimigo implacável.
[1] No
original Planeta Rigel. Para quem não se lembra é o planeta de origem da Nana
em Changeman. A título de curiosidade, Rigel também é o nome da estrela mais
brilhante (ou seja, a estrela alfa) da constelação de Orion.
[2] No
original Planeta Amanga. Para quem não se recorda é o planeta de origem da
Shima em Changeman. Claramente rebatizado como Aman na dublagem brasileira por questão de cacofonia.
[3]
Para quem não se lembra, Amazo é o planeta de origem da Ahames e Giraz o
planeta de origem do Giluke, respectivamente.
[4]
Dai no original. Claramente rebatizado de Dan no Brasil por motivo de
cacofonia.
[5] Lembrando que no original em japonês o personagem se chama Hero Titan. Provavelmente, por acharem que traduzir como Herói Titan soaria genérico e redundante demais é que a dublagem brasileira alterou o nome do personagem. Ao que tudo indica, por decisão de Líbero Miguel, o diretor de dublagem de Changeman, Flashman e Jiraya (até o episódio 16) aqui no Brasil.











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