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Flash Negativo - o herói intrépido e o monstro renegado (capítulo V)

 

                               Capítulo V - Antecedentes, parte IV: a guerra contra Amazo-Giraz

Por volta de 1810 os combates entre Mess de um lado e de outro o Planeta Flash e aliados intergalácticos se encerraram. La Deus se deu por vencido, e uma trégua entre os dois lados foi assinada. Mas não se enganem, este é apenas o primeiro round.

Mess foi vencido no primeiro round. Mas, como veremos, o segundo round é questão de tempo. E de oportunidade.

Mas, enquanto o segundo round ainda não começa, Mess invade outros planetas. Alguns com sucesso, outros nem tanto. E um deles é Amazo-Giraz. Mess em 1830 invade Amazo-Giraz com uma força de 100 mil zolos e mais uma tropa de caçadores espaciais e alguns monstros. Para essa invasão, o Doutor Keflen criou alguns monstros com base em biomoléculas que ele extraiu no Planeta Flash, em sua maioria de prisioneiros de guerra e animais locais. Por meio do sintetizador, as biomoléculas extraídas do planeta Flash são sequenciadas e combinadas com biomoléculas extraídas em outros planetas. Por meio desse processo cerca de 15 deles saíram. Tais monstros são, para Keflen, seu grande trunfo para esta guerra de conquista.

O plano de La Deus é tomar Amazo-Giraz comendo pelas beiradas: sabendo que Amazo-Giraz é uma monarquia unida, pretende-se primeiro tomar Amazo, vencer os exércitos locais em batalha, capturar a rainha (que ao mesmo tempo também é a grão-duquesa de Giraz) e assim isolar Amazo de Giraz. E com a queda de Amazo, o caminho estará livre para tomar Giraz. Xeque-mate.

Tal como aconteceu em Flash, os invasores em um primeiro momento causam devastação e caos, o medo tomou conta das cidades invadidas de Amazo. Da Nave Clone, Keflen e La Deus olham tudo com satisfação, vendo que suas criações estão mostrando serviço e rumo da guerra os favorece. “Os monstros que você criou, Keflen, são uma obra de arte. Ninguém pode com eles no campo de batalha. Você está de parabéns”, diz La Deus. “A nossa vitória é uma questão de tempo”, diz Keflen, segurando uma taça de vinho na mão. “Sim”, responde La Deus. Os dois em seguida gargalham.

Mas depois de um tempo o jogo virou. Visto que os monstros criados a partir de biomoléculas extraídas do Planeta Flash, apesar de muito poderosos no campo de batalha, possuem um ponto fraco terrível, que uma vez percebido passou a ser usado pela resistência local. Como veremos, a típica tática de usar a força do inimigo contra ele mesmo.

Mais uma vez, vemos nesse conflito o gênio estratégico de Giluke I, veterano das guerras no planeta Flash. Giluke I, um general tarimbado, tenaz e experimentado em vários campos de batalha, liderou as forças de Giraz contra a invasão ao planeta que vieram em auxílio de Amazo. Sofreu derrotas para as forças de Mess nos primeiros embates, mas ao ver os monstros criados pelo Doutor Keflen notou as semelhanças deles com os seres do planeta Flash. E logo concluiu que eles só podem ter sido criados pelo sintetizador biomolecular do Doutor Keflen.

“O que vamos fazer, Giluke? As forças de Mess avançam por toda Amazo. Logo estarão batendo às portas de Giraz. Isso é péssimo! Se nada for feito, Mess tomará conta de Amazo e Giraz!”, diz o general Tarmakan, em uma reunião de estado-maior na capital de Amazo. Outros generais de alto escalão tanto de Amazo quanto de Giraz lá estão presentes, assim como Wodenz.

“Não se desespere, caro Arakan”, responde Giluke I, com uma expressão tranquila e serena no rosto. Parece que ele tem algo em mente, como se fosse um mágico escondendo uma carta na manga. “Como assim, Giluke?! Como pode estar calmo desse jeito em uma situação dessas?!”, retruca Arakan.

“Já tenho a solução para o problema. Eu vi os monstros no campo de batalha. Eles lembram bastante os seres do Planeta Flash. Se eles foram criados pelo sintetizador biomolecular do Doutor Keflen e com base em biomoléculas extraídas do planeta Flash, então isso só pode significar que estes monstros também tem um certo ponto fraco fatal”, diz Giluke I em conversa com outro comandante das forças de Amazo-Giraz, referindo-se claramente ao efeito Flash Negativo. E então Giluke I delineou uma estratégia para vencer os monstros e zolos. “É uma aposta, mas tenho certeza de que isso vai funcionar”, diz Giluke I. Wodenz concorda com a ideia de Giluke. “Você é um homem bastante perspicaz, Giluke”, responde Wodenz. Este vai embora do local, mas não sem antes de desejar boa sorte a Giluke e aos demais comandantes.

Deus Titan, sabendo do que se passa em Amazo-Giraz, se propõe a ir em auxílio de Amazo-Giraz. Sabendo que na guerra anterior Amazo-Giraz veio em auxílio de Flash, ele quer retribuir. Mas Giluke recusa a ajuda. “Caro Deus Titan, eu agradeço que você queira nos ajudar. Mas se você ficar muito tempo fora de teu planeta natal, você está colocando a si mesmo em um risco desnecessário. Não acha melhor ficar no teu planeta?”, pergunta Giluke I. Não restou outra alternativa a não ser aceitar a recusa de Giluke I. Contrariado, mas entendendo o ponto dele.

Deus Titan também tentou fazer uma interlocução com Aranyas I, a então rainha de Amazo e grão-duquesa de Giraz. Ele propõe vir em auxílio a Amazo-Giraz tal como fez com Giluke I, mas Aranyas também sabe a respeito do efeito Flash Negativo. Ela agradece ao pedido, mas também aconselha Titan a ficar em seu planeta natal.

Deus Titan sente como se tivesse tomado um banho de balde de água fria. Foi tomado por um desânimo por não poder vir pessoalmente em auxílio de Amazo-Giraz, ainda mais sabendo que o Planeta Flash tem um pacto por meio do qual em caso de guerra Flash deve vir em auxílio de Amazo-Giraz. Quando eis que uma luz branca e azul aparece na frente de Deus Titan. Wodenz, o sétimo grão-mestre da ordem dos profetas galácticos, surge em sua frente.

Wodenz logo de cara sente que há algo afligindo Deus Titan. “Qual é o problema, Deus Titan? O que lhe aflige?”, pergunta Wodenz. “Ah, Vossa Santidade, é uma longa história”. Deus Titan se ajoelha em reverência e em seguida explica toda a situação a Wodenz, de que ele procurou tanto generais do alto escalão quanto a própria rainha para vir em auxílio dos habitantes de Amazo-Giraz, e esses recusaram a ajuda. Ele queria vir a Amazo-Giraz com uma força expedicionária, mas o pedido foi recusado. E Deus Titan não sabe mais o que fazer.

Wodenz então dá um conselho de amigo a Titan. “Sabe Titan, entendo a tua posição, mas saiba que você não precisa estar no front de batalha em pessoa para ajudar a causa de Amazo-Giraz. Há outras formas de ajudar a vencer Mess na atual guerra”, responde Wodenz. “Que outros meios, Wodenz?”, replica Deus Titan. “Lembra de quando eu, há vários anos, apareci na frente de alguns de teus companheiros de armas lá no Planeta Flash, pedindo para vocês não se renderem a Mess?”, pergunta Wodenz. “Sim, lembro-me muito bem, lorde Wodenz. Dias depois a guerra começou a virar em nosso favor e foi questão de tempo a nossa vitória”, responde Titan.

“Eu não me envolvo diretamente nos conflitos que ocorrem no universo. Na condição de grão-mestre da ordem dos profetas galácticos, isso não cabe a mim. Mas posso, por exemplo, treinar guerreiros ou prestar suporte moral e logístico a um dos lados da guerra. Como eu fiz há 20 anos”, diz Wodenz. “Então o que posso fazer, lorde Wodenz?”, responde Titan. “Pense um pouco, reflita sobre o que eu lhe disse e você encontrará a resposta”, responde Wodenz, o qual em seguida some da frente de Deus Titan.

Após pensar um pouco, Deus Titan resolveu ajudar de forma indireta Amazo-Giraz, por meio de um grande envio de armas, mantimentos e víveres aos aliados vindos de seu planeta natal. E ele foi peça central para que tais recursos fossem mobilizados e em seguida enviados a Amazo-Giraz. E dessa vez tanto Giluke I quanto Aranyas I aceitaram a ajuda.

Uma nave foi enviada a Amazo-Giraz, com escolta para o caso de eventuais escaramuças indesejadas com as forças de Mess, trazendo quilos e mais quilos de armas, comida e mantimentos para os resistentes. Deus Titan foi lá em pessoa, junto com os também veteranos de guerra Jin e Dan e alguns técnicos para ajudar os habitantes de Amazo-Giraz a manejar as armas flashianas.

Uma vez feito o serviço, os flashianos voltaram ao seu planeta natal. Mas não sem antes de, no caminho de volta, travarem uma escaramuça com uma nave de caçadores espaciais que veio no encalço deles, que terminou de forma inconclusiva. Os flashianos conseguiram se livrar dos adversários por meio de um grande clarão que os atordoou por alguns minutos. Tempo mais que suficiente para perder os flashianos de vista.

Giluke I literalmente armou uma armadilha para cima das forças invasoras. Durante certo tempo, evitou-se confrontos diretos com as tropas de Mess. No máximo, ataques à logística de Mess e a soldados desgarrados eram feitos. Calmamente, Giluke e os comandantes de Amazo-Giraz jogaram com o tempo. E as coisas aconteceram como ele previu. Deixou-se que os zolos e monstros avançassem por grande parte de Amazo, ao mesmo tempo em que as regiões por onde eles avançavam eram previamente esvaziadas pelos nativos.

No fim, aconteceu aquilo que Giluke I previu. Os monstros que Mess trouxe para esta expedição, apesar de muito fortes e intimidadores, também estão sujeitos ao efeito Flash Negativo. E foi questão de meses tais monstros começarem a ser flagelados pelo efeito Flash Negativo. A atmosfera começou a rejeitá-los, e em seguida a água, o solo, a vegetação, tudo começou a rejeitar os monstros de forma progressiva. Até mesmo o contato com os zolos prejudicava os monstros. E foi questão de tempo os monstros criados por Keflen começarem a serem apanhados e mortos pelos locais.

Da Nave Clone, La Deus não gostou nada disso. “Keflen, como você me explica isso?! O que é isso que está acontecendo com os monstros que VOCÊ criou?!”, pergunta um La Deus enfurecido. “Perdoe-me, meu senhor, deve ter acontecido algum problema”, o cientista terráqueo responde.

Sem o apoio dos monstros mutantes criados por Keflen, o jogo começou a virar em favor das forças locais. As tropas de zolos restantes não se mostraram páreo para as tropas lideradas por Giluke I. Também se destacou no conflito Aranyas I, a então rainha. Aranyas I é tia-bisavó de ninguém menos que a futura rainha Ahames IV, a última rainha de Amazo e grão-duquesa de Giraz.

A guerra se estendeu por três anos, e em 1833 as últimas forças de Mess em Amazo foram retiradas. Como na guerra contra Flash, um acordo foi assinado entre os lados beligerantes. Por sorte do destino, as forças de Mess não conseguiram adentrar em Giraz. E tal como no Planeta Flash, La Deus também tomou prejuízo em Amazo-Giraz, mas não sem antes conseguir pilhar amostras vitais do planeta. Amostras essas que serão usadas em invasões futuras, como veremos.

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