Quando a rotina é quebrada.
Olá tokuleitores.
Aqui estou novamente, com um projeto de Metal Hero, que pintou na minha cabeça a poucos dias atrás e cujo primeiro capítulo temrinei também em poucos dias.
Muitas ideias estão surgindo em minha cabeça, que podem ou não vir a ser séries longas, mas estou tentando fazer one shots e só voltar a postar quando estiverem com mais capítulos prontos ou mesmo encerrados.
No caso aqui de Prisão Hades, esse primeiro capítulo deveria ter ficado mais curto, pois esse é o meu objetivo nesse título, os próximos serão, mas nesse eu precisei contar muita coisa para tentar localizar bem o leitor.
Nos próximos dias tentarei preparar outro título, que será também exclusivo aqui do Mindstorm, mas nesse pretendo fazer capítulos curtos desde o começo.
Mas, vamos lá, chega de papo e vamos ver se vocês, queridos tokuleitores, vão gostar ou não desse novo título, portanto, sem mais delongas...
Boa leitura!
Prisão Hades.
Sentença final #1.
Rotina.
Assim que sentiu os primeiros raios de sol
aquecerem suas costas, passando através das grades da pequena janela,
localizada na parede oposta ao catre onde ele dormia, o detento 001
primeiro esticou o corpanzil, fazendo seus ossos estalarem, espalhando pelos
mais de um metro e noventa, micro pontos de dor, o que lhe dava certeza de que,
apesar de tudo que era feito para o contrário, ele ainda estava vivo.
Só então, quando a brisa matutina trouxe às suas
narinas o cheiro salgado do mar e o som distante de gaivotas substituía o
silêncio da noite, que os olhos cansados, com veias injetadas e parecendo
repletos de areia devido ao sono agitado, se abriram lentamente.
Mais dez minutos de cama, ele decidiu se dar esse
presente, pelo menos até o momento em que o cheiro forte de café preto o forçou
a levantar e, após se aliviar no vaso sanitário, que ficava inconvenientemente
perto da sua cama, colocou o macacão de cor alaranjada, que trazia uma imagem
estilizada da bandeira brasileira no peito do lado esquerdo e o número 001 no
braço, um pouco acima de uma imagem estilizada da bandeira brasileira, uma das
formas de mostrar o local de origem dos criminosos que iam para o Hades.
Depois de estar devidamente vestido e agora de
fato desperto, se colocou diante da pesada porta de aço reforçado de sua cela,
mãos abaixadas, braços cruzados atrás das costas, olhar fixado na pequena
janela da porta.
E aguardou.
Mas não foi por muito tempo.
— Bom dia flor do dia.
O guarda daquela manhã, responsável por abrir a
cela 001 e tentando controlar seu nervosismo com uma piada que não causou
nenhum efeito, era o senhor Hugo Dubois.
De origem francesa, ele era um dos muitos
funcionários contratados ao redor do mundo pela Iniciativa Segurança Total, principal projeto da agência mundial de
segurança, a Justiça S/A, formada por uma junção cooperativa entre órgãos
governamentais e a iniciativa privada, criada após anos de um crescimento
descontrolado da criminalidade ao redor do mundo.
Um sentimento de impunidade havia se espalhado
entre assassinos, pedófilos, assaltantes, todos com origens variadas, mas que,
em algum momento, perceberam que poderiam cometer as piores atrocidades e
sairiam livres, por causa dos vários grupos de defesa dos direitos humanos.
Quando um louco reuniu dezenas desses mesmos
defensores, junto de suas famílias, em um prédio próximo ao das Nações Unidas e
explodiu o local, com um total de mais de duzentos mortos, as autoridades viram
que algo precisava ser feito.
Assim nasceu, não apenas a Justiça S/A, bem como
a prisão conhecida como Hades.
Localizada em uma ilha artificial com mais de
doze hectares, foi construída com os melhores e mais resistentes materiais,
desde paredes de concreto extremamente grossas, capazes de resistir a tiros de
tanques de guerra, até barras de uma mistura única de metais, que permaneceriam
incólumes, mesmo se atingidas com granadas.
O objetivo de Hades era, primeiro, manter os
piores criminosos e psicopatas, aqueles cuja reabilitação e reinserção na
sociedade era algo impossível de acontecer, por isso foi decidido que o melhor
seria mantê-los à parte da sociedade, impedindo assim que novas mortes
acontecessem.
001 era o atual mais antigo “morador” de Hades,
já estava lá a mais de três anos, pouco depois da inauguração e se encontrava
no momento integrado completamente ao dia a dia da maior e, segundo os
responsáveis por sua construção, a mais segura prisão do mundo.
“Esse desgraçado é alto pra cacete.” o carcereiro Hugo não conseguia evitar o
pensamento, mal alcançando os ombros do prisioneiro que, segundo ele, devia
alcançar fácil os dois metros.
Cabelos pretos começando a ficar grisalhos nas
têmporas, vários fios brancos se espalhando pelo restante da extensão da
cabeça, associados a muitas marcas de expressão, davam ideia da idade dele, por
volta dos cinquenta e poucos.
No rosto as várias cicatrizes davam uma noção dos
motivos pelos quais ele se tornou o primeiro detento do Hades e, como raramente
algum dos funcionários o via esboçar o menor traço de um sorriso, sua fama de
assassino sem alma era amplamente disseminado entre todos.
Por isso eram poucos os guardas que recebiam com
tranquilidade a tarefa de conduzir ou mesmo apenas acompanhar o 001, pelas
instalações da prisão, pois sabiam que se ele, em algum momento, se revoltasse,
pouco poderiam fazer a não ser rezar por uma morte rápida e indolor.
Hugo então soltou o que ele achou ter sido um
discreto suspiro de alívio quando o prisioneiro entrou no refeitório,
liberando-o da responsabilidade de acompanhante, chegando esbaforido na sala
dos guardas após uma, dessa vez, nada discreta caminhada com passos rápidos,
quase uma corrida, dando graças por ter sobrevivido a mais um dia.
— AH, que medo da porra. Se o salário
não fosse tão bom…
— Mas tu é muito bundão velho. O 001 é
super de boa. Tô aqui a quase um ano e nunca vi ele levantar um dedo nem pra
uma mosca.
— Além de americano, você é moleque Jackson. Na sua idade eu também achava
que peitava o mundo, mas quero ver quando for a sua vez de acompanhar o gigante
lá pra algum lugar.
Enquanto o guarda francês discutia com
um dos novatos, que haviam chegado ao Hades a pouco mais de uma semana, outro
veterano, esse vindo do Quênia, chamou a atenção de seus colegas, sem desgrudar
os olhos dos monitores à sua frente.
— Por falar no gigante, olha lá,
talvez tenhamos alguma ação logo no café da manhã. O Carcaju tá chegando na mesa dele.
— Tá zoando Jengo! Chega pra lá pra gente ver também.
Foi o que bastou para que os dois
guardas cessassem sua discussão e corressem até a frente do monitor, olhos
arregalados, tensão e curiosidade crescendo exponencialmente, conforme crescia
a possibilidade de uma briga logo tão cedo.
Logo os guardas, aproveitando os
sistemas de tradução simultânea que cada um trazia em seu uniforme, uma das
tecnologias avançadas que eram de exclusividade da prisão, já começavam a fazer
apostas e a chamar outros colegas, todos se reunindo na sala de observação.
Enquanto isso, no refeitório o detento 008, antes conhecido como Richard Fontaine, um canadense baixinho
e com fama de ter pavio curto, que foi condenado por ter assassinado dezenas de
pessoas, sequestrando-as na cidade e então caçando uma a uma na floresta,
usando desde facas até espingardas, ia se aproximando do 001.
“Eu
simplesmente cansei de ir atrás de bichos sem cérebros. Precisava de um desafio
melhor, mas quer saber? No fim, caçar humanos foi uma imensa e completa
decepção.”
A fala, dita enquanto ele era levado
para fora do tribunal e na direção de um transporte da Prisão Hades, foi
repetida em todas as mídias por mais de três meses.
— Falaí cara! 001 né? O primeirão de
todos. Finalmente juntei coragem prá me apresentar
O outro ficou quieto e conseguiu deixar
sua expressão ainda mais carrancuda, enquanto levava um pedaço de pão com
manteiga lentamente até sua boca.
Era o que bastava, normalmente, para que
todos ao redor o deixassem em paz, mas não era o que o 008 tinha em mente.
— Cara, fala pro pai aqui como é o
esquema dessa merda de lugar. Sei que cheguei aqui a quase um mês, mas eu já
escapei de outras prisões e aqui não pode ser tão diferente assim. Tu tá aqui a
uma pá de anos, deve saber de todos os segredos dessa merda de lugar.
O assassino que fora apelidado pela
imprensa como Carcaju, recebeu apenas silêncio, conforme o 001 continuava
comendo, mas agora sem desviar o olhar do rosto do assassino à sua frente.
— Sério mesmo? Vai me dar um gelo,
campeão? Tu sabe por acaso o que tanto eu fiz para parar aqui? Ou acha que eu
tenho medo dessas cicatrizinhas de merda que você tem na cara e… Ai!
O criminoso canadense tentou tocar no
rosto do outro, que rapidamente segurou seu pulso e apertou com força, ainda
que se controlando para não quebrar nenhum osso.
Ainda não, pelo menos.
— Me larga filhadaputa.
— Richard Fontaine, vulgo Carcaju, canadense,
sequestrava pessoas, as levava para uma floresta e as caçava como se fossem
animais. A maioria das vítimas eram mulheres e crianças, meninas na maioria
esmagadora, os únicos homens cujos restos foram encontrados nas covas ao redor
da sua cabana, apresentaram, na autópsia, algum tipo de deficiência, sendo um
deles um cadeirante.
— Ai, ai, ai, ai, ai! Meu braço tá
doendo seu desgraçado.
— Ou seja, você não passa de um
homenzinho amargo e, claro, covarde, pois só conseguia se sentir “grande” ao
matar pessoas que não ofereceriam o menor perigo. Caçador, você disse aos
jornais? Que piada. Viveu como um covarde e assim vai continuar até morrer.
Quando chegar a sua hora e, se não quiser antecipar o seu fim, nunca mais volte
a falar comigo.
Com violência calculada, o detento 001
se levantou e soltou o outro homem, que acabou caindo sentado no chão, se
arrastando rápido para longe e só então, perdendo o apetite, o gigante resolveu
sair do refeitório.
Restou ao 008 limpar as feridas e sair
resmungando e xingando baixinho o colega de prisão, torcendo para não ser
ouvido, uma vez que, desacostumado a sentir dor, bastou aquele tanto de dor para
deixá-lo assustado e cheio de ódio.
“Tu
não perde por esperar filhadaputa… Isso vai ter troco.” e então, com esses pensamentos
ardendo em sua mente, ele também ia seguindo o caminho de volta para a
segurança de sua cela.
— Ele estava pedindo por isso a uns
dias. Mandou bem grandão.
Ao ouvir a frase, 001 olhou para a
direita e, apoiada de forma que acreditava ser provocante, viu que quem fala
com ele era uma prisioneira cuja placa de identificação, que ela trazia no ombro,
exibia o número 012.
Percebendo que o homem não responderia
e, sentindo-se desconfortável com a forma como ele a observava, sem o menor
sinal de desejo, como era de costume, ela tratou de caprichar no que acreditava
ser seu sorriso mais sensual.
— A gente bem que podia aproveitar as
vantagens de estarmos em uma prisão mista. Sabe como é, eu adoraria fazer uma
visitinha noturna e...
— Acha que... — antes que ela tocasse
seu peito com as pontas dos dedos de unhas grandes e pintadas de vermelho, o
homem a segurou, nem muito forte, nem muito fraco, apenas o suficiente para ela
entender o recado de que não queria ser tocado. — Se tiver um relacionamento
aqui dentro, ou, de repente, se ficar grávida, vão pegar leve com você?
Esquece, pois assim que foi condenada ao Hades, você foi submetida a um
processo de esterilização.
— O que?! Que absurdo! E como você
sabe de algo assim, seu merda?
Mais uma vez o detento 001 se afastava
em silêncio, mas conforme a porta do refeitório deslizava para o lado,
deixando-o passar e voltava em seguida, se fechando atrás dele, ela mal
conseguiu ouvir a última frase dele.
— Muito em breve, a justiça será
servida, 012.
Para se acalmar, o 001 pretendia
passar o restante da manhã na academia a céu aberto da prisão, mas seus planos
foram encurtados quando o guarda Jackson, após perder no palitinho para seus
companheiros, se viu obrigado a chamar o prisioneiro, pois ele tinha uma
visita.
— Não me diga que é ela. De novo?
Cinco minutos depois a resposta estava
sentada diante de uma mesa, até onde o 001 foi conduzido e teve seus pulsos
presos ao tampo de ferro, com grossas algemas.
— Guarda, isso não é necessário e...
— Ele está fazendo o trabalho dele senhora Madison, por isso não tente
ensinar aos guardas de Hades o que eles devem ou não fazer.
— Senhor Salvador, eu...
— Senhora Madison, eu já lhe disse, as
outras várias vezes em que esteve aqui, para me entrevistar e, seja lá o que
estiver caçando para seu blog de notícias, ou para qual portal jornalístico
esteja trabalhando atualmente, que eu não sou inocente e mereço estar aqui.
A mulher ficou alguns instantes em
silêncio, mas logo tirou de seu terninho, um gravador antigo, bem como um bloco
de notas, ligou o aparelho e se colocou a ler suas anotações.
— Natanael
Salvador. Todos no Brasil conhecem a história do menino de dezessete anos
que, por causa de dívidas de um tio a um traficante, teve toda a família morta
em retaliação. Passou por diversas instituições até finalmente completar 18
anos e ser considerado adulto e capaz de se virar sozinho. Logo depois disso se
transformou em um fantasma. Foi visto em diversos conflitos mundiais,
demonstrando força e coragem para salvar inocentes, atuando praticamente como
um "mercenário do bem", até finalmente voltar ao país, depois de anos
longe, invadindo a favela onde ficava a casa do traficante e, após uma longa
batalha, onde diversos criminosos morreram, terminou por explodir a casa dele.
O julgamento foi curto e, ao final, acabou vindo parar em Hades, três anos
atrás, se tornando o primeiro prisioneiro da, amplamente alardeada, maior e
mais segura prisão do mundo onde, por estar em águas internacionais, sem
pertencer a nenhum país, parece imune a qualquer inspeção da ONU ou de qualquer
outro órgão regulamentador dos direito humanos e... Natanael!
O detento fingia estar dormindo,
tentando deixar claro que nada no discurso da repórter lhe era novidade ou
mesmo de seu interesse.
— Não vou desperdiçar fôlego repetindo
tudo o que já lhe disse antes senhora Madison...
— Senhorita.
— Como é?
— Me divorciei a alguns meses. Agora
pode me chamar de senhorita.
— Isso é algo que me interessa ainda
menos do que essa sua obsessão para com minha condenação. Eu matei todas
aquelas pessoas, homens, mulheres, até mesmo alguns moleques com quinze ou
dezesseis anos. Todos que tentaram se colocar no meu caminho eu matei. E
confesso que faria tudo de novo, apenas para rever a cara do desgraçado que
matou minha família, depois que eu o torturei e enfiei uma bala em sua cabeça.
Agora, por favor, suma da minha vista e não volte mais. — ele se voltou para a
porta e, mesmo deixando clara a raiva na voz, enquanto falava com a repórter,
ao erguer o tom, foi apenas para fazer o guarda o ouvir. — Jackson! Acabamos
aqui. A Senhora Madison está de saída.
— Isso não acabou Natanael. Eu ainda
vou descobrir a verdade sobre seu caso e o que te liga à essa prisão. Não
importa como. Eu prometo.
— Tô nem aí.
O detento então foi levado novamente
até o refeitório, pois a hora do almoço se aproximava e os guardas achavam
melhor que ele e o 008 não se esbarrassem mais pelos próximos dias.
A tarde transcorreu de forma lenta e
calma, com o 001 indo para a biblioteca logo após sua refeição, depois mais
algumas horas de academia, dessa vez sem ser interrompido e enquanto jantava,
percebeu com o canto dos olhos que, exatamente às oito da noite, havia a troca
de turno dos funcionários de Hades.
— Detento 001. Como está? Já se
recuperou da última Incursão?
— Estou praticamente recuperado, madame Jang. O suficiente para o que
vier pela frente.
— Perfeito. Me acompanhe.
A mulher trazia uma imagem estilizada
da bandeira coreana no uniforme usado pela direção da prisão e, sem demonstrar
medo ou receio, como os guardas do turno anterior, abriu a porta da cela e deu
as costas para o detento 001, que logo a estava seguindo pelos corredores da
prisão, até chegarem em uma parede da sala oeste, onde ficavam os depósitos de
materiais.
— A justiça deve sempre prevalecer.
A senha foi dita de forma monocórdica,
sem emoção, exatamente como precisava ser para acionar uma série de outras
medidas de reconhecimento, facial, das digitais, escaneamento de retina e até
identificação por análise de DNA.
Só então duas portas escondidas se
abriram, deslizando uma para a direita e outra para a esquerda, com um leve som
de chiado.
— Boa sorte Magistrado.
— A justiça nunca tem a ver com sorte,
madame, mas agradeço mesmo assim.
O detento exibiu um sorriso fraco, que
nem serviria para se convencer de que estava confiante quanto mais a outras
pessoas, mas não se permitiu hesitar, por isso atravessou logo as portas, que
se fecharam atrás de si, revelando que ele entrara em um moderno elevador, cujo
painel eletrônico mostrou que estava descendo vários andares.
Quando o símbolo da letra Ômega piscou
em vermelho no painel, novas portas se abriram, dando passagem para um imenso
octógono, com paredes aparentemente feitas de concreto, que iam do chão ao
teto, sem nada além de algo que pareciam várias câmeras dispostas por todos os
lados.
O 001 entrou com passos confiantes,
parou a pouco metros do elevador, que se fechou de imediato, exibindo apenas o
característico som das portas deslizando e então esperou, mas não por muito
tempo.
Poucos minutos depois, portas do lado
contrário de onde ele estava se abriram e, totalmente o oposto do homem, uma
mulher entrou com passos hesitantes no octógono, mãos com os dedos cruzados, a
postura de alguém que parece apenas esperar por um ataque surpresa.
— Você? Mas que merda tá acontecendo
aqui?
Ao reconhecer o detento que resistiu
às suas investidas mais cedo, a mulher que recebera o número 012, mudou de
atitude, agora demonstrando extrema agressividade.
— Que merda é essa? O pessoal do turno
da noite invadiu minha cela e praticamente me arrastaram prá cá. E o que você
tá fazendo aqui? Espera aí... — ela então olhou ao redor e percebeu as câmeras.
— É sério isso? Finalmente vão me apagar e nem tiveram coragem de arranjar um
executor de verdade?
— Emma
Laurent. Vinte e nove anos. Culpada pelo crime de ter ceifado a vida de
mais de quinze bebês recém-nascidos a cerca de cinco meses. Condenada sem
direito a apelação, mas a corte, sem poder condená-la à pena de morte, achou
que em Hades, finalmente, teria seu merecido castigo. Chegou a hora da justiça
ser feita.
Conforme ia falando, o detento 001 ia
tirando as roupas da prisão, o que fez a criminosa se exaltar mais uma vez.
— Ah! Você acha que antes de me matar
vai me comer seu desgraçado? É por isso que tem tantas câmeras por aqui? É
assim que vocês conseguem grana prá manter esse lugar? Aposto que tem um bando
de velho broxa que paga milhões para vocês transmitirem isso e... Hã?
A verborragia foi interrompida quando
a mulher viu que o 001 agora vestia um tipo de traje que lhe cobria todo o
corpo, uma malha da cor vermelho escuro que deixava apenas sua cabeça à mostra.
— A justiça sempre prevalece, mesmo no
inferno do Hades. — ele então ergueu seu punho direito, onde uma pulseira azul,
que parecia ser de alta tecnologia, foi se formando pouco a pouco sobre seu
pulso. — Metanoia!
Assim que gritou a palavra grega para
"transformação", peças metálicas azuladas, com detalhes prateados,
foram se formando sobre o traje, até que todo o corpo do detento 001 estivesse
recoberto por uma armadura.
— Eu sou... O Magistrado Íxion!
Ele não conseguiu evitar os
pensamentos sobre como sua vida havia se transformado para se ajustar àquela
rotina tão fora do comum, mas, enquanto ele pensava nisso, conforme a armadura
ia injetando em seu corpo vários compostos para que ele se tornasse apto ao que
estava por vir, finalmente aconteceu o que ele estava esperando de verdade.
Conforme a 012 continuava a desfiar
uma lista interminável de ofensas e ameaças, sem que ela percebesse, uma luz
forte começou a brilhar atrás de seu corpo e, quando ela finalmente notou,
terminando por olhar por sobre seu ombro direito, era tarde demais.
Repentinamente seu corpo mergulhou em
um mundo de dor, agonia e desespero que, em segundos, tornaria a rotina do
detento 001 ainda mais bizarra.
Sem outra escolha, ele ergueu os
punhos e avançou.
Ele sabia da terrível verdade e a
abraçou.
Aquele era, afinal, seu destino.
Apenas o começo.
Galeria de imagens.
Magistrado Íxion.
sem cacacete.













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