Olá Tokuleitores.

E chegamos ao segundo capítulo da minha versão do antigo desenho, os Silverhawks.

Espero que vocês gostem.



Silverhawks.

Um novo Futuro.



2. Era de longe a situação mais bizarra e surreal pela qual Betserai 5 já passara e isso se tratando de alguém que usa uma armadura de nanotecnologia para voar pelo espaço, enfrentando todo tipo de criatura para proteger o planeta Bedlan, dizia muito.

 

Ainda assim ele prestou atenção total ao que a consciência que havia controlado sua armadura estava lhe dizendo.

 

- Por fim, nossos esforços foram inúteis e o Flagelo Estelar conseguiu destruir toda a nossa realidade… Num último ato de desespero, acionei meus poderes cronais para tentar voltar a algum tempo anterior ao fim, mas, pelo visto, tudo o que consegui foi viajar para uma nova realidade, a sua…

 

- Por isso tive aqueles… Eu pensei que fosse um tipo de sonho… Mas no fim eram lembranças… Suas…

 

- Exato… Conforme sua consciência foi se sobrepondo à minha eu acabei sem poder me comunicar, pelo menos até você acionar sua armadura e eu conseguir me transferir para cá…

 

- Você sabe o quão louco isso parece certo?

 

- Acredite… Eu também estou com muitas perguntas, a maioria, acredito, não terei resposta… Mas tem algo mais urgente agora…

 

- O Flagelo Estelar…

 

- Sim… Em minha realidade ele surgiu alguns anos após a morte do Monstro Estelar e nada pudemos fazer para impedir seu avanço… Sabemos apenas que ele aproveitou o vácuo de poder deixado pelo Monstro e em pouco tempo realizou seu primeiro ataque… Mas como sua realidade é muito diferente da minha…

 

- Sim… Eu ainda sou um novato na equipe… Entrei a pouco mais de três anos, saído direto da força Aérea de Bedlan, justamente após a grande guerra contra o Monstro Estelar… Eu era apenas um piloto, mas consegui evitar que o Parador do Tempo, um dos agentes dele, matasse o presidente… Meu jato foi destruído no processo, mas deu tempo para que os sargentos Steelheart e Steelwill chegassem e derrubassem o Parador…

 

- Os Silverhawks dessa realidade parecem muito mais militarizados…

 

- Sim, eu não estranho pois cresci querendo entrar para o exército… Quando a humanidade alcançou e colonizou Bedlan, que é um planeta gigante, dez vezes maior que a Terra, não tinham certeza de como seria necessária uma força de proteção extrema… Por isso, a Força Aérea, a Infantaria e os Marines ganharam uma importância absurda na nova sociedade humana, ou Bedlana como alguns tem chamado…

 

“Por isso eu e meus melhores amigos nos esforçamos ao máximo e conseguimos nossas carreiras militares, uma das poucas maneiras de uma pessoa se tornar de verdade um cidadão... Eu demonstrei imenso potencial como piloto e logo estava na liderança de uma das mais eficientes esquadrilhas e teria aceito seguir apenas essa carreira, tornando o mundo um lugar mais seguro, envelhecendo e, com sorte, me aposentar com um belo soldo e conseguir criar uma vida comum com esposa e uns dois filhos e meio…

 

Lembra que disse que meu jato foi destruído?

 

Pois é… Não foi só ele… a Sargento Hart em pessoa levou com urgência o que havia restado do meu corpo para os laboratórios Rankin/Bass, onde fui submetido a mesma cirurgia que deu origem ao esquadrão de elite da Força Aérea.

 

Os Silverhawks.

 

A elite da elite, os melhores pilotos que, ao contrário de mim, que não tive muitas outras opções, escolheram se tornar ciborgues para poderem agir no vácuo do espaço, conseguindo assim proteger Bedlan das ameaças espaciais que cresciam a cada dia.

 

A maior delas era o Monstro Estelar.

 

Foram muitas batalhas, mas no final ele foi derrotado.

 

E morto.

 

Mas o preço foi alto.

 

O Comandante Stargazer acabou morto, deixando o papel de coordenador da equipe nas mãos de seu antigo amigo, o hoje chamado de Comandante Condor.

 

Nós agimos em conjunto com as demais equipes especiais do exército de Bedlan, um grupo de fuzileiros e um com os mais bravos marines que, assim como nós, escolheram nomes de animais para seus grupos, e agem sempre para evitar desastres e ataques ao planeta Bedlan.

 

 Alguns desastres, entretanto, não puderam ser evitados, como a criação da Zona Espiral, uma área repleta de um gás que transforma quem o inalar em um tipo de zumbi coberto de manchas vermelhas e que se ergueu ao redor de onde o corpo sem vida do Monstro Estelar caiu.”

 

- Se o que você disse sobre o surgimento desse tal Flagelo na sua realidade estiver certo, é bem capaz dele já ter surgido na minha… Preciso reportar isso imediatamente e…

 

- Pelos deuses do Limbo! O que é isso?

 

Sem aviso a porta do quarto deslizou para o lado, dando passagem para uma irritada Evelyn, que estava a horas esperando por Betserai 5 em seu quarto.

 

- Hã… - pego num constrangedor flagra, não sobrou outras opções do que dizer. - Não é o que você está pensando e… Certo…. Tenho que te contar algo muito, muito sério…

 

XXX

 

Num asteroide a anos luz do Ninho do Falcão, um grupo de fanáticos se unia numa espécia de transe, em meio a armamento pesado e imagens profanas de deuses ancestrais e monstruosos, seres de vários planetas, sem se importar com suas origens diferentes, entoavam cânticos e, em alguns casos, infligiam pequenos ferimentos uns nos outros.

 

Enquanto o grotesco culto acontecia num imenso salão, atrás de uma parede, onde mais imagens profanas se espalhavam por vitrais de cores escuras, o responsável por aquela sede da organização, se contorcia em agonia, sentia uma dor verdadeira, não a que ele dizia para os fiéis que seria capaz de lhes trazer a verdadeira espiritualidade.

 

Ele sentia sua pele derreter e se reorganizar em outra coisa, algo inumano, que fazia o mesmo com seus ossos, órgãos, seu corpo inteiro se tornando o de outro ser.

 

Sua mente também se fragmentava, conforme o invasor ia se sobrepondo a sua existência sobre a dele, identificando e aprendendo sobre tudo daquela nova realidade.

 

A agonia se findou de repente e só então a nova criatura se colocou de pé, apreciando a forma assumida dessa vez, muito mais forte e imponente do que todas as anteriores.

 

- Hum… Sim… O poder corre por minhas veias… Estou pronto para levar mais uma realidade para a paz e quietude da entropia… Mas antes… Um pequeno teste...

 

As portas do salão se abriram dando passagem para o novo ser que acabara de nascer, interrompendo todas as ações dos fiéis.

 

Eles se ergueram vagarosamente, se aproximando daquele que, todos sentiam, era a personificação de todos os dogmas de sua religião niilista.

 

De braços abertos e sua cabeça erguida, a criatura aceitava os toques, os carinhos, até mesmo as tentativas de feri-lo.

 

“Essa realidade será... Deliciosa...”

 

Em meio ao frenesi que se espalhou pelo local, que ia escalonando até chegar ao ponto de alguns fiéis serem mortos, com sorrisos satisfação em seus rostos, a criatura sentiu algo que tirou sua atenção daquele momento.

 

- Então... – sua voz era suave, porém inumana, fazendo alguns fiéis perfurarem os próprios ouvidos, ate atingir seus cérebros e morrer em feliz agonia. – Você está aqui...

 

Um dos fiéis, que estava dando pequenas cabeçadas, nas costas da mão direita da criatura, teve até metade do corpo esmagada, por um soco desferido de cima para baixo.

 

O sangue jorrou farto, o monstro observou sua mão, coberta com o líquido esverdeado, experimentou com a ponta de sua língua e então fechou os olhos.

 

Instantes depois vários tentáculos brancos pareceram brotar de suas costas, crepitando de energia, se espalhando por todo o local.

 

Um dos fiéis, em meio ao frenesi religioso se jogou contra um dos tentáculos e, assim que o tocou, urrou de agonia, antes de ser totalmente consumido, desaparecendo sem deixar vestígios.

 

Exatamente o que acontece quando matéria se choca com antimatéria.

 

A criatura sorriu de forma obscena e então seus tentáculos se expandiram ainda mais.

 

XXX

 

- Se eu não estivesse vendo a sua armadura nessa forma bizarra andando e falando, aparentemente, sem ninguém dentro, eu não acreditaria nessa história… Ru juro que, se for um tipo de brincadeira...

 

- Sargento... – Betserai 5 também achava extremamente difícil acreditar em tudo o que lhe fora contado, pior ainda era tentar convencer outra pessoa. – Eu... Também estou desconfiado... Mas se houver uma chance, seja pequena ou não, de algo tão perigoso estar à espreita em nosso universo...

 

- Sim... Eu sei... Uma ameaça desse porte deve ser investigada... – ela mantinha as mãos na cintura, a cabeça levemente abaixada, considerando suas opções. – Vamos todos falar imediatamente com o comandante Condor e...

 

A frase foi interrompida quando luzes vermelhas se acenderam pela base, acompanhadas por um estridente alarme.

 

- Eu vou na frente. – A sargento Hart já assumia o que os colegas chamavam de estado Defcon, se preparando para enfrentar qualquer situação, assumindo o comando. – Assim que você... Hum... decidir como vai usar a sua armadura... Me encontra na sala de guerra.

 

E então ela se foi.

 

- Então... – Betserai se voltou para Flashback, coçou a cabeça e, sem graça e claramente desconfortável, continuou. – Como resolvemos isso?

 

- Uma ótima pergunta... Eu... Confesso que não faço ideia de como exatamente as coisas funcionam nessa realidade... Alguma sugestão?

 

- Hum... Na verdade... Tenho sim...

 

Na sala de guerra Steelheart, já trajando sua armadura, recebia as informações do centro de controle das missões, quando Betserai entrou.

 

- Você... – a sargento não disfarçou a estranheza de ver o colega devidamente uniformizado. – Por favor, não me diz que você...

 

Flashback ergueu o punho direito, de onde uma projeção holográfica surgiu, na forma da cabeça de sua contraparte de outra realidade.

 

“Por sugestão de Betserai, mesclei minha consciência com a IA da armadura, assumindo o nome do meu companheiro Falcão. Pode me chamar de Backlash.”

 

Silêncio.

 

Em seguida, dando de ombros e aceitando a bizarrice da situação, Steelheart voltou sua atenção para a emergência atual.

 

- Parece que uma anomalia surgiu numa área perto do planeta Saritan... Vamos enviar uma equipe para investigar.

 

- Você quer que eu fique de prontidão então?

 

- Não... Hotwing foi promovida para a equipe principal semana passada e foi, no meu lugar, com eles para a capital Lorimar, é o dia do desfile do aniversário do fim da Guerra Estelar... – Ela então se voltou para uma das portas da sala de guerra, que deslizou para o lado dando passagem para duas pessoas entrarem... – Nessa missão seremos só nos quatro...

 

Flashback não conseguiu disfarçar o misto de decepção e surpresa ao ver quem estaria naquela equipe.

 

XXX

 

Enquanto planos eram feitos no Ninho do Falcão, na cidadela de Lorimar, uma reunião mais sombria estava em andamento.

 

- Tudo está definido?

 

- Claro... Todos já estão em posição, cada um com sua função e devidos apetrechos bem... Definidos...

 

- Já temos o itinerário?

 

- Só com as pessoas certas, desse modo se alguém for capturado antes não vai revelar tudo e será fácil qualquer mudança de última hora.

 

- Ótimo. Então o primeiro passo será dado... No dia da Celebração da Vitória de Bedlan… Eles saberão o que é o desespero e depois a glória da… Entropia.

 

Só então o grupo de pessoas ganhou as ruas, cada um indo para seu posto, nos corações a empolgação pelo que estava por vir.

 

Dor e sangue.


Continua.

Galeria de Imagens.

Equipe principal dos Silverhawks.