Capítulo XX: Doutor Gero, por ele mesmo (epílogo)
Um dos
maiores gênios científicos que já pisou no Planeta Terra. Esse sou eu, o Doutor
Maki Gero.
10 anos se
passaram desde que eu deixei este mundo. E de onde estou observo muita coisa. E
uma delas é a maneira como as pessoas na Terra vêm me julgando. Na verdade, já
era julgado dessa maneira desde que entrei para o Red Ribbon, e depois que
deixei este mundo passei a ser julgado assim pela história quando sou citado em
livros e outras publicações em que sou citado.
Muitos me
julgam não apenas por ter entrado no Exército Red Ribbon, como também pelo fato
de que após o fim do Red Ribbon trabalhei dia e noite, sete dias por semana, em
meus projetos para poder me vingar de Goku, depois de tudo o que ele fez. Mas
algum deles já se colocou na minha pele e viveu tudo o que vivi?
Nasci em uma
família de camponeses, na qual a despeito das condições de vida humildes nada
de essencial faltava. Depois de certo tempo fui à escola, e lá me destaquei.
Até ai tudo bem. Os problemas começaram a vir depois que me formei. Depois que
me graduei na faculdade quis ser um cientista que trabalha em algum grande
instituto científico. Só que, a despeito de meu gênio científico, as portas se
fechavam na minha cara, uma atrás da outra. E o motivo? Eu não sou filho de
gente importante! Não tinha o pedigree que os empregadores exigiam! E o que
mais me deixava irritado e frustrado nessa história toda é que enquanto eu e
tantos outros erámos barrados dessas instituições na hora de conseguir emprego
por causa do pedigree, muitas nulidades que tinham o pedigree que os
empregadores exigiam conseguiam! E isso é o que me deixava mais irritado e
frustrado.
Passei por
dias difíceis, e para poder enfrenta-los alguém muito especial foi muito
importante: Geraz, minha querida e amada esposa. Talvez, sem o apoio dela, eu
teria me matado e teria sido mais um nas estatísticas de formados que se
suicidam após se formarem. Não sei se vocês sabem, mas pessoas se matam por não
conseguir emprego e não raro ninguém se lembra deles. No máximo, são anedotas
em páginas de jornais e programas televisivos.
E alguns se
perguntarão: como que o Red Ribbon entra na minha história de vida? Pois bem, belo
dia, o comandante Red soube a respeito de mim e me ofereceu um emprego no
departamento científico do Red Ribbon. Enfim, o destino sorriu para mim, e
aceitei a oferta do comandante Red de bom grado. Ele me deu total liberdade de
trabalho, da qual fiz amplo proveito.
Uma vez no
Red Ribbon, literalmente senti-me em casa. De início, ajudei o Red Ribbon
projetando máquinas e armamentos de última geração, que foram de grande
proveito para a causa do Red Ribbon. Minhas armas ajudaram o Red Ribbon a tomar
regiões e a vencer batalhas contra o exército do rei da Terra.
Até que certo
dia o comandante Red me chamou para o projeto humanos artificiais. Segundo ele,
essa seria a arma suprema do Red Ribbon. Com tal arma em mãos, nem mesmo os
mais poderosos exércitos de que o rei da Terra dispunha seriam capaz de deter a
marcha conquistadora do Red Ribbon.
Dito e feito.
Junto com outros cientistas como o Doutor Frappé e o Doutor Glacê, trabalhei
arduamente nesse projeto. E depois de muitos esforços, muitas horas de árduo
trabalho e várias tentativas e erros, o projeto começou a dar seus frutos. De
lá nasceram os oito primeiro androides que o Red Ribbon criou. Entretanto, só o
oitavo que deu certo de verdade, já que os sete primeiros, por conta de
problemas de personalidade e/ou de mal-funcionamento dos circuitos, tiveram de
ser destruídos.
Nesse
ínterim, eu e Geraz tivemos um filho chamado Gebo. Gebo foi a nossa alegria, e
quando ele cresceu desejou se tornar um membro do Red Ribbon, já que o que ele
gostava era o campo de batalha, não o laboratório. De início eu e Geraz fomos
contra, temendo pela vida dele, mas depois não tivemos outra escolha a não ser
aceitar a escolha de nosso filho, que em pouco tempo se tornou um alto oficial
do Red Ribbon, o oficial Gold.
Tudo ia bem
para o Red Ribbon, até que certa vez o meu filho Gebo faleceu vítima de uma
bala inimiga durante um enfrentamento com o exército do rei da Terra. Foi um
evento muito traumático para mim e Geraz, que mais ou menos nessa mesma época
descobriu que contraiu um câncer. E isso era apenas o começo, pois um jovem
garoto chamado Son Goku cruzou o caminho do Red Ribbon. Ele foi vencendo os
principais comandantes do Red Ribbon um a um, e o que é pior: uma das minhas
criações, o Androide 8, tornou-se amigo dele. Nem mesmo o assassino Taopaipai,
que o Red Ribbon contratou para mata-lo conseguiu dar cabo dele.
No fim das
contas, o Red Ribbon foi aniquilado por Goku, a minha querida Geraz, debilitada
pelo câncer, morreu por conta de um desabamento no hospital em que estava e
desde então jurei vingança contra Goku pelo Red Ribbon.
As pessoas
também me julgam por ter passado longos anos planejando e trabalhando duro para
me vingar de Goku e acham que eu fiz isso por um mero capricho de minha parte. Algumas
elas já pararam para pensar o que era o Red Ribbon e o que foi o fim do Red
Ribbon para mim? Eu acreditava na causa do Red Ribbon, trabalhei duro para que
ela se concretizasse e então chega um garoto com cauda e ele acaba com tudo,
como se fosse um castelo de cartas. A frustração foi imensa, tantos anos de
dedicação ao Red Ribbon e sua nobre causa sendo jogados no lixo de uma hora
para outra!
Mas isso não
ia ficar sem resposta. Após o fim do Red Ribbon me estabeleci em um laboratório
secreto nas florestas montanhosas próximas à capital do norte, e de lá dei
continuidade ao projeto humanos artificiais iniciado pelo Red Ribbon. E, uma
das coisas que fiz após o fim do Red Ribbon foi espionar Goku e seus amigos nos
combates subsequentes.
Desde o
início já sabia que Goku não era um garoto qualquer. Um garoto qualquer não
faria o estrago que ele fez, a ponto de vencer Taopaipai e os mais altos
oficiais do Red Ribbon. E qual não foi a minha surpresa que eu tive quando
descobri que ele não é um terráqueo, quando analisei o DNA dele após o 22º
torneio de artes marciais?
As pesquisas
continuaram, observei Goku e seus amigos nas batalhas contra Piccolo Daimaoh,
no 23º torneio de artes marciais, e depois contra Raditz, Nappa e Vegeta.
Infelizmente, não foi possível para mim enviar o meu inseto-espião ao Planeta
Namek, por conta de problemas relacionados à logística e o transporte
interplanetário dele. Mas, por sorte, meu inseto espião conseguiu obter células
de Freeza e de seu pai, o Rei Cold, quando da vinda deles ao Planeta Terra.
Extrai DNA de todos esses lutadores em todas essas batalhas, que eu utilizei
para criar a minha arma suprema: Cell, o ser perfeito.
E, de forma concomitante
ao projeto Cell, eu desenvolvi novos androides. Depois de vários projetos
fracassados, criei o número 16 com base na aparência de Gebo, enquanto que os
números 17 e 18 eram delinquentes cujos corpos eu aprimorei por meio de
implantes cibernéticos e o número 19 é um modelo totalmente sintético, baseado
em uma boneca que era um troféu de guerra que meu filho capturou nos tempos do
Red Ribbon. E, com a ajuda do número 19, eu mesmo me transformei em um
androide, o androide número 20.
Fui lutar
contra Goku e seus amigos e assim consumar minha vingança, mas estes se
mostraram mais fortes do que esperávamos. O número 19 foi destruído por Vegeta,
e eu, após ter o braço direito arrancado por Piccolo em uma tentativa de drenar
a energia dele, não tive outra escolha a não ser fugir para o meu laboratório,
de onde ativei os androides 17 e 18. E estes armaram uma cilada e me mataram!
Aqueles ingratos! Não fosse por mim, esses dois não passariam de uns
delinquentes provincianos! Hoje eles são mais fortes até mesmo que o Super Buu,
e isso foi possível graças aos implantes cibernéticos e modificações a nível
celular que eu fiz neles. Do contrário, até mesmo o fanfarrão do Mister Satan
seria capaz de vencê-los!
De onde
estou, foi delicioso poder ver a minha arma suprema, Cell, não só absorver
esses ingratos malditos, como também matar Goku. Ah o doce sabor da vingança.
Como diz o ditado, a vingança é um prato que se come frio. Depois de Goku ter
arruinado com o Red Ribbon e a nossa causa, nada melhor que poder vê-lo sendo morto
pela minha criação suprema.
Por outro
lado, também vejo que os anos se passaram e as coisas na Terra não mudaram
nada. Continua no essencial a mesma coisa do meu tempo: os grandes institutos
científicos e tecnológicos continuam desperdiçando muitos talentos por não
terem o pedigree que eles exigem ao mesmo tempo em que dão espaço para
nulidades científicas que têm o pedigree que os mesmos empregadores exigem.
Nulidades essas que muitas vezes só pesquisam coisas inúteis e que acrescentam
em nada.
Até quando as coisas vão ficar desse jeito? Até quando potenciais gênios continuarão sendo marginalizados, enquanto que cientistas medíocres que nada produzem e nada têm além de pedigree e relações com pessoas influentes são alçados a gênios? E até quando vocês vão chamar de descobertas científicas as inutilidades que esses filhinhos de papai, muitas vezes nascidos em berço dourado, produzem? Que vocês não se surpreendam e nem derramem lágrimas de crocodilos na hora em que surgir um próximo Red Ribbon que dê o devido valor a gênios como eu. Ou quando um desses aparecer morto depois de saltar de um prédio de 20 andares ou depois de ter estourado os miolos com um tiro de um revólver.
1 Comentários
Uma visão do outro lado da vida ...
ResponderExcluirUma visão de dor...
Sofrimento...
Mesmo tendo muita razão, seus erros não se justificam.
A verdade é que Gero fez escolhas erradas e pagou um preço por causa isso...
Melancólico!