Missão #2 – O Quinto Notável
Morro do Morcego – Uma hora antes
O rapaz chamado Cris conseguiu escapar dos cadetes da F.E.B., mas precisava chegar em casa antes do anoitecer, por causa do “toque de recolher” do chefe do morro, que se auto-intitulava Morcegão, por ter poderes de vampiro, assim como seus “soldados”. Chegando finalmente em sua casa, onde mora com sua mãe, Cris gritou:
- Mãe, cheguei. Trouxe comida.
A mãe respondeu:
- Que bom, filho! Já vou colocar no fogo.
A mãe de Cris era uma mulher baixa e magra e ainda jovem, mas aparentava ser muito mais velha, devido à sua estranha doença. Sua perna direita parecia um tronco de árvore, literalmente. Foi diagnosticada com a Síndrome do Homem-Árvore, uma doença rara que foi adquirida depois que Cris nasceu.
Enquanto a mãe fazia o jantar, Cris falava sobre seu “encontro” com os cadetes da F.E.B.:
- A senhora não vai acreditar, mãe. Eles eram HMs, assim como eu. Pelo menos, dois deles.
- Eles não te fizeram mal? – perguntou a mãe.
- Não, eles parecem ser gente boa. Só não gostei de uma lá com cara de japonesa. Ela quase me prendeu, mas consegui fugir.
- Que bom.
Mudando de assunto, Cris pergunta preocupado:
- Mãe, esse remédio novo que o médico passou ainda não está adiantando?
- Nada. Parece até que está piorando. Reclamei com a fabricante do remédio, mas eles só falaram que demora a fazer efeito. É… mas já está demorando um mês!
- Deixa eu ver o remédio.
Era uma ampola contendo um líquido incolor, cujo rótulo estava escrito: ARAKINUS. Fabricado nos Laboratórios da Corporação Ômega.
- A senhora ligou para essa Corporação Ômega? – perguntou Cris.
- Sim, mas só ficavam dizendo que o efeito demora.
- Eu vou lá cobrar explicações!
- Não precisa, filho. Pode ser gente perigosa. Não quero você metido nisso.
- Não vou deixar a senhora morrer aos poucos por causa desse remédio que não funciona!
Subitamente, do lado de fora da casa, ouviram-se estrondos e estampidos. Parecia estar havendo uma batalha campal.
- Outra operação da F.E.B. aqui no morro. – comentou Cris.
Ele foi até a janela da sala e avistou Tarso ser atacado por Morcegão.
- Droga, o Morcegão vai acabar com o policial da F.E.B.! Apesar de eu não gostar dela, não posso deixar o cara ser morto pelo Morcegão. Vou até lá, mãe.
- Tome cuidado, filho! – pediu a mãe.
O rapaz saiu da casa rapidamente.
BataBase – Sala do Comandante
Após a bem-sucedida operação para resgatar Tarso, o comandante Lopes demonstrava satisfação ao se direcionar aos Batarangers:
- Muito bom trabalho, Batarangers. Eu tinha certeza que obteriam êxito. Afinal, vocês foram monitorados durante muito tempo.
Em seguida, adotou um tom mais pesaroso:
- Infelizmente, tivemos muitas baixas na operação do Morro do Morcego, só restando o soldado Monteiro, que já foi levado ao Centro Médico. Já foi examinado e não há nada grave, só alguns ossos fraturados. Porém, ainda ficará em observação.
- Permissão para falar, senhor! – pediu Aline.
- Permissão concedida, Hashimoto. – respondeu o comandante.
- Nós ainda prendemos o ladrão que nos escapou mais cedo, o tal Cristiano. Ele ajudou o Tarso, digo, o soldado Monteiro, mas tem que pagar pelos seus roubos.
- Sim, de fato. Mas essa habilidade que esse rapaz tem me intrigou profundamente. Vou interrogá-lo para tentar obter algumas respostas sobre algo que me incomoda há anos. Dispensados!
Os quatro Batarangers prestaram continência e se retiraram da sala.
Carceragem da BataBase
O comandante se encaminhou à carceragem da BataBase para interrogar Cris. Como foi dito, algo nele o intrigava. “Será que é ele?”, pensava com os seus botões.
Chegando à carceragem, pediu ao carcereiro para levá-lo à cela onde estava Cris, e o carcereiro abriu-a.
- Sou o comandante Roberto Lopes. Não tenha medo, rapaz. Vim aqui para lhe fazer algumas perguntas.
- Sobre o quê? - perguntou Cris.
- Sobre você e sua família.
- O que o senhor quer saber?
- Você tem uma mãe chamada Lídia e ela tem a Síndrome do Homem-Árvore, certo?
Cris ficou surpreso.
- Como o senhor sabe disso?
- Vejo que a resposta é sim. Outra pergunta: sua habilidade envolve desenvolver as habilidades de todos e tudo que toca, incluindo objetos inanimados?
- Não sei como o senhor sabe de tudo isso.
- Então, você é aquele que procuro há anos! O quinto notável!
- Quinto notável?
- Sim. Você e os Batarangers eram os Cinco Notáveis, porque vocês eram crianças HMs criadas no nosso laboratório há 20 anos, para termos a equipe de Batarangers perfeita. Os outros foram gerados por gestação artificial, enquanto sua mãe se voluntariou para ser barriga de aluguel.
Cris não acreditava no que o comandante dizia. Ele comentou:
- Então, eu sou um “bebê de proveta” e minha mãe era barriga de aluguel... Por isso que nunca conheci meu pai, porque nunca tive pai!
Em seguida, perguntou ao comandante:
- E os Batarangers, eles sabem?
- Ainda não, mas contarei a eles em um momento oportuno. Bem, continuando: sua mãe o gerou, mas teve um efeito colateral, que foi desenvolver a Síndrome do Homem-Árvore. Quando você nasceu, perdemos vocês de alcance, até o dia de hoje.
- Nós moramos a vida toda no Morro do Morcego. De uns tempos para cá, a doença dela piorou bastante. Ela até injeta um remédio, chamado Arakinus, mas não adiantou de nada, até agora.
- Espere... você disse “Arakinus”?
- Sim, por quê?
- Nada... é que a chefe da DCT, a Divisão de Ciência & Tecnologia, na época em que vocês nasceram, chamava-se Dra. Rosicler Araki. Faz anos que não a vejo, desde quando ela saiu da DCT e deu lugar à nossa atual chefe, Dra. Gomes.
- Será que o remédio é dessa tal Dra. Araki?
- Talvez sim, talvez não.
- Desculpe perguntar, senhor, mas o senhor conhece a Corporação Ômega?
De repente, o semblante do comandante mudou. Parecia preocupado.
- O que tem?
- É que essa tal corporação fabricou o Arakinus. Minha mãe chegou a reclamar por lá, mas não teve resposta. Cheguei até a me voluntariar para ir até à Ômega, mas ela não queria que eu me envolvesse.
- Hum, interessante... Aliás, a última informação que tive sobre a Dra. Araki é de que ela foi contratada pela Ômega, mas isso foi há muito tempo. Sobre o tal Arakinus, vou comunicar com meus contatos na ANVISA e depois com os meus contatos na Polícia Federal para ver ser há alguma irregularidade com a Ômega.
- Obrigado, senhor.
- Mas vamos retomar a nossa conversa. Tenho uma proposta para você, meu caro: quero que se junte aos Batarangers. Junte-se a nós e terá sua pena perdoada.
- Sério? Mas os outros não vão gostar, principalmente a japonesa.
- Eles vão entender, eu creio. Qualquer tipo de diferença deve ser resolvida, porque temos que nos preparar para um inimigo que pode ameaçar a harmonia entre os humanos e HMs.
Cris ouvia tudo aquilo impressionado. Olhando firme para o comandante, disse:
- Comandante, entenda... Eu só roubava comida porque minha mãe e eu não tínhamos dinheiro. Já fiz diversos trabalhos, mas o dinheiro não era o suficiente.
- Eu entendo perfeitamente, meu rapaz. Contudo, aqui você terá que aprender sobre foco, disciplina, hierarquia e, principalmente, companheirismo. Você será bem-vindo à F.E.B. Aliás, se você aceitar, sua mãe será acompanhada pela nossa equipe médica. Pense sobre isso.
Dizendo isso, o comandante se retirou da cela.
Sala do Comandante
No dia seguinte, o comandante chamou os quatro Batarangers para sua sala. Ele estava acompanhado de Angélica e de mais alguém que estava de costas para eles.
- Batarangers, chamei-os aqui para que deem boas-vindas ao seu novo companheiro – disse, voltando-se para a outra pessoa na sala – Cristiano Ribeiro.
Cris voltou-se para os outros, vestido com o uniforme preto da F.E.B. Os quatro ficaram surpresos, e Aline foi a primeira a falar:
- E-e-ele?! Com todo o respeito, comandante, mas como pode admitir que um ladrão entre na nossa equipe?
- Acalme-se, Hashimoto. Cristiano e eu fizemos um acordo para que sua pena fosse perdoada. Sua contribuição, além de sua bravura na operação de resgate no Morro do Morcego, foram determinantes para que ele faça parte da equipe.
- Bem-vindo à equipe, Cristiano. – disse Jéssica, sorrindo – Eu sou Jéssica Nascimento.
- Jefferson Nascimento. – apresentou-se o irmão.
- Mateus Souza.
- Prazer em conhecê-los. Pelo menos, vocês são educados, diferente de certas pessoas... — disse Cris, olhando para Aline.
- Humpf... Você pode ser da equipe, mas não espere que eu seja sua amiga. – disse Aline, com os braços cruzados.
- Liga não, Cris. – disse Jéssica. – Ela sempre foi assim, mas depois ela se acostuma, né, amiga?
- Não enche, Jéssica. – respondeu Aline, rispidamente.
O comandante pigarreou, interrompendo aquele momento de descontração.
- Ribeiro, assim como seus colegas, você receberá o BataMorpher, que acionará a BataFarda. Doutora, por gentileza.
Angélica mostrou o BataMorpher a Cris, que estava na mesma caixa prateada da outra vez, e explicou:
- Aperte esse botão aqui em cima e vai acionar o traje.
Cris apertou o botão, e seu corpo começou a brilhar, assim como aconteceu com os outros. Ele surgiu com a BataFarda vermelha.
- Uau! Essa roupa é demais! Me sinto poderoso!
- Cristiano Ribeiro, você é o BataRed. – declarou o comandante.
- Obrigado, senhor! – respondeu Cris com uma reverência.
- Bem, agora que a equipe está completa, vou passar-lhes mais uma missão. Quero que voltem ao Morro do Morcego e capturem Morcegão. Ribeiro vai liderar a equipe, já que ele tem o conhecimento da área.
- Com todo o respeito, senhor, - protestou Aline – mas por que ele será o líder, se nem passou pelo treinamento?
- Hashimoto, sabemos do seu espírito de liderança, contudo, um bom líder precisa ser liderado. Isso vale para todos.
- Sim, senhor! – responderam em uníssono.
- Porém, Hashimoto levantou algo importante: eu designei Ribeiro para liderar a operação, mas ele precisar adaptar-se à nossa força e passará pelo mesmo treinamento intensivo do resto da equipe. Para isso, a operação será realizada na próxima semana.
- Acho que dou conta com uma semana de treino. – disse Cris.
- Vamos ver. – desafiou Aline – Aqui na F.E.B., não tem nenhuma moleza.
- Bem, acho melhor começar o treinamento por agora, Ribeiro. – disse o comandante – Não há tempo a perder. Dispensados!
Os Batarangers prestaram continência e retiraram-se.
Eles terão uma semana para mais uma batalha importante.











2 Comentários
Grande Israel!
ResponderExcluirFeliz Ano Novo!
Estou adorando essa releitura com as novas abordagens que você está inserindo no texto original.
Além de matar a saudade, a gente vê nitidamente os acréscimos, fruto do seu amadurecimento como fictor.
Parabéns!
Obrigado pelo feedback de sempre. Abraço e Feliz Ano Novo.
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