Capítulo III - Antecedentes, parte II: a guerra de 1784
Mas o planeta que vem sendo o principal alvo das ações de
Mess nos últimos tempos é o Planeta Flash.
Flash na verdade consiste de um planeta principal, Red Star,
e mais quatro satélites: Green Star, Blue Star, Yellow Star e Pink Star. Até o
começo do século XVIII os cinco planetas eram independentes uns dos outros.
Cada um com seu governante e sistema político. Isso muda com a invasão por
parte do rei Bazoo do Planeta Gozma a partir de 1702. Bazoo teve sucessos
iniciais em sua invasão, chegou a conquistar Pink e Yellow Star por completo e
lá estabeleceu administração, mas graças à união das forças dos cinco planetas
o jogo virou e Bazoo teve que retirar suas tropas do Planeta Flash e satélites.
O sistema político do Planeta Flash consiste de uma grande
confederação liderada pelo planeta principal, Red Star. Em Flash existe uma
bipartição de poder, visto que é regido por uma monarquia senatorial. O poder
do rei é mais figurativo, cerimonial e simbólico, enquanto que o poder do
senado é mais efetivo. O rei faz parte da casa real governante do planeta
Flash, ao passo que os satélites, dotados de certo grau de autonomia dentro da
confederação, têm seus representantes dentro do senado e do parlamento de
Flash.
O povo do planeta Flash é bem pacífico e altamente
tecnológico. A ciência do planeta Flash é muito avançada, está em um patamar
único no universo. Talvez apenas o planeta Tecnolíquel e Amazo-Giraz estejam no
mesmo nível, ou mesmo o planeta Bio antes de ser destruído por uma guerra
intestina no século XV. E é por causa desses avanços todos que Bazoo tentou
invadir Flash nos anos 1700 e depois La Deus, já no final do século XVIII. Além
da localização estratégica próxima a rotas comerciais que passam por vários
planetas e recursos naturais abundantes. Se Mess tomar conta de Flash, terá um
poder sem igual.
Em 1784, por ordem de La Deus, um grande exército é formado
para Mess invadir o Planeta Flash e satélites. Esse exército é em sua maioria
composto por tropas de zolos, formigas humanóides de cor vermelha criadas pelo
Doutor Keflen que disparam ácido letal de suas bocas, mais alguns monstros
saídos do sintetizador de Keflen. Os zolos e monstros enviados ao Planeta Flash
somam cerca de 200 mil, liderados pelos caçadores Arslan e Okotar, dois
caçadores espaciais de alto escalão.
La Deus pessoalmente ordenou que Arslan e Okotar tomassem
parte nessa expedição militar e liderassem a hoste de zolos e monstros, sabendo
da capacidade deles. “É uma honra poder liderar tal expedição, Majestade”, diz
Arslan, ajoelhado, a La Deus no momento em que lhe foi incumbida a missão.
“Confio em você e em tua capacidade, Arslan”, diz La Deus.
Arslan é um sujeito astuto e audaz, ousado e feroz em
combate, é o comandante-em-chefe da invasão e atual líder da ordem dos
caçadores espaciais. Traja uma roupa toda marrom, armadura e um sobretudo vermelho
e azul por cima. Seu elmo possui feições felinas, com alguns dentes
sobressalentes no mesmo e os braceletes de sua armadura possuem três garras
retráteis cada uma, ótimas não só para combates corpo-a-corpo, como também para
disparar feixes energéticos das mesmas, ideias para situações de combate à
distância. Também é hábil no uso do chicote. Ele pode transformar o chicote em
qualquer arma, como adaga, espada ou lança, conforme a situação.
Já Okotar é o vice-líder da expedição. Tem uma capacidade
incrível de delinear estratégias para vencer exércitos adversários. Usa traje e
armadura de cor azul com uma capa branca por trás. Como arma ele usa uma arma
que lembra uma lança, mas com uma lâmina curvada na ponta, similar à naginata
do Japão pré-moderno e ao Guandao usado nas artes marciais chinesas. Também
possui uma arma laser, que ele como arma secundária em situações de luta à uma
distância maior. Juntos, Okotar e Arslan são uma dupla terrível, que já
mostraram seu valor em batalhas anteriores, incluindo a batalha contra Bazoo no
planeta VX e a batalha contra Satan Goss no planeta Arak.
Em um primeiro momento, a força invasora toma conta do
Planeta Flash. As forças regulares são batidas, uma a uma, no campo de batalha.
As tropas invasoras ocupam Pink, Blue e Yellow Star. Nesses planetas La Deus
instala administração e nomeia seus lugares tenentes, cuja função é auxiliar e
supervisionar a pilhagem dos planetas por parte de Mess. Partes de Green Star
também foram ocupadas e os invasores começam a bater às portas de Red Star.
A situação é tal que o rei do Planeta Flash, Gunnar,
pretende fugir para outro planeta. Ele cogita se estabelecer em Tecnolíquel,
planeta com o qual Flash tem relações cordiais faz algum tempo. E de
Tecnolíquel organizar a resistência aos invasores. Mas essa ideia é rechaçada
por um de seus comandantes militares, Titan, sobrevivente de enfrentamentos
anteriores contra os caçadores espaciais. Titan chegou a travar embates contra
Arslan, e neles foi vencido pelo líder dos caçadores espaciais, embora não
morto.
Titan é uma figura carismática, possui grande prestígio nos
meios militares do planeta Flash, e ele convence o rei a ficar no Planeta
Flash. “Que exemplo, Vossa Majestade, dará ao nosso povo fugindo daqui como um
covarde, com o rabinho entre as pernas, bem no momento em que mais precisamos
do teu apoio e do teu incentivo?”, pergunta Titan ao rei. “A situação é
crítica, Titan. Eu sei. Mas ouça, a situação já é tal que os invasores já estão
avançando por todo...”, responde o rei Gunnar. Titan replica dizendo que as
batalhas anteriores podem ter sido perdidas, mas que o mesmo não se pode dizer
sobre a guerra. A guerra ainda não está perdida, pensa Titan. “O povo precisa
que você se mostre forte e irredutível, você precisa dar o exemplo, você
precisa servir de inspiração para o nosso povo”, diz Titan.
Titan também lembra de um detalhe de vital importância: que
se Gunnar sair do Planeta Flash e se refugiar em outro planeta como ele está
pensando, será questão de pouco tempo o organismo dele começar a sofrer com a
rejeição progressiva por parte da nova atmosfera. É o efeito Flash Negativo, fenômeno
esse registrado pela primeira vez no século VII de nossa era, quando os
flashianos começaram a fazer viagens intergalácticas, e do qual a ciência do
Planeta Flash até hoje nunca encontrou uma cura, a despeito dos esforços e
estudos de seus melhores cientistas e estudiosos. “Não podemos nos dar ao luxo
disso!”, diz Titan ao rei. Assim Titan convence o rei a ficar no planeta Flash.
Os combates persistem por cerca de um decênio. Mess chegou a
ocupar vasta extensão de terra do planeta Flash, chegou a ocupar os quatro
satélites e boa parte de Red Star. Tudo isso com o apoio de elementos
colaboracionistas dentro do próprio planeta Flash e satélites, alguns dos quais
há tempos insatisfeitos com a liderança de Red Star dentro da confederação. E
onde ele estabeleceu ocupação foi possível fazer alguma pilhagem genética e
tecnológica sobre Flash.
Pouco a pouco, após uma série de encarniçados combates, o
avanço de Mess é travado e até em parte revertido. Tudo isso graças à
resistência promovida e incitada por Titan (com o apoio do rei). Este, por seu
turno, começou a resistência por meio de uma guerra de atrito contra a força
invasora enviada por La Deus. Tática essa que no passado também foi usada
contra as forças do planeta Gozma.
Os resistentes passaram a se refugiar em áreas de difícil
acesso do Planeta Flash, que os invasores não conheciam. E entre essas áreas,
os subterrâneos do Planeta Flash. A logística dos invasores era alvo de
atentados e sabotagens, e as tropas submetidas a ataques surpresas. Para os
ataques surpresa, os flashianos normalmente se valiam de um bracelete, amarrado
ao punho de seu usuário, que produzia um clarão que cegava e atordoava por
vários segundos os inimigos. E enquanto o inimigo estava atordoado, o ataque
surpresa ocorria, com consequências devastadoras para o inimigo. Este
dispositivo foi pela primeira vez desenvolvido na época da guerra contra Bazoo,
mostrou-se eficaz, e com o passar dos anos foi aprimorado.
A guerrilha começou a causar dores de cabeça aos invasores,
e diante de uma guerra de caráter assimétrico estes tomaram uma série de
medidas para combatê-la. A despeito dos problemas, Arslan conseguiu manter a
moral das tropas. E Okotar logo revelou seu gênio e delineou estratégias para
combater a guerrilha, que se mostraram terrivelmente eficientes.
Arslan e Okotar conseguiram desbaratar algumas destas
células guerrilheiras, lograram capturar importantes pessoas dos movimentos de
resistência à ocupação. E para isso contaram com o auxílio de elementos
colaboracionistas, traidores locais que passaram a colaborar com os invasores.
Uma vez capturados, os líderes guerrilheiros eram submetidos
a terríveis torturas e mortos por Arslan. A intenção é bem clara: instigar
terror psicológico na população flashiana e fazer com que ela se renda, pare de
resistir aos invasores. E a estratégia durante um tempo deu certo. Tão certo
que durante um tempo acreditou-se que os invasores e seus colaboradores locais
enfim lograriam dobrar a resistência do Planeta Flash e estabelecer seu tacão
sobre o planeta invadido.











1 Comentários
O capitulo tem dois detalhes que eu curti bastante.
ResponderExcluirO primeiro, sobre a estrutura política do planeta Flash e sia relação amigável com o Planeta Tecnolíquel.
O segundo, fala sobre a ascenção de Deus Titã como guerreiro carismático.
É bom lembrar que, em Amizade Estelar, o Lorde Titã e bisneto de Deus Titã.
Ficou excelente!