Olá Tokuleitores. Cá estou com um novo título que, espero, consiga dar continuidade e, quem sabe, seguir até o fim.
Ultraman Atlas nasceu da minha vontade de fazer um Ultra com roteiro mais próximo dos recentes da franquia, sem tentar "reinventar a roda", mas fazer de uma forma que, se fosse possível, encaixaria para ser lançado oficialmente pela Tsuburaya.
Claro que alguns elementos eu precisei alterar para deixar o texto mais com a minha cara, principalmente no que diz respeito ao hospedeiro desse Ultra.
Mas, deixemos de rodeios e famos logo ao que interessa.
Boa leitura!
Ultraman Atlas.
Episódio #01.
Os novatos e o desastre.
O salão de festas do edifício se enchia com o som de dezenas de repórteres, influenciadores digitais e todos que acompanhavam aquele tipo de evento, cada um tentando elevar sua voz, fosse para entrar em contato com noticiários, ou para aumentar views e seguidores nas redes sociais.
Todos os presentes sentiam a tensão no ar, nascida da ansiedade que sempre cercava o anúncio de uma nova equipe de resgate especial, ou simplesmente RED, sigla de Rescue Elite Disaster, nome em inglês que foi adotado pelo restante do mundo.
Dez anos atrás, em 2025, uma ilha surgiu no Oceano Atlântico, ocupando um grande espaço entre os continentes da África e da América do Sul.
Até hoje as gravações dos helicópteros enviados pelas nações unidas, numa tentativa de descobrir algo a respeito do inexplicável fenômeno, é replicado em todo o mundo, de programas das poucas emissoras de televisão abertas, bem como dezenas de programas de canais pagos ou mesmo de streamings.
Foi quando a humanidade viu, pela primeira vez, um kaiju.
A criatura tinha cerca de 30 metros de altura e a envergadura das asas quase chegava aos 100 metros, um tamanho que só foi confirmado por imagens captadas por satélites, uma vez que, nesse primeiro contato com os novos habitantes da Terra, a humanidade perdeu todos os helicópteros, bem como os seus pilotos e passageiros.
Fosse algo planejado ou não, alguns teóricos da conspiração insistem em dizer que alguém estaria por trás do surgimento daquele novo continente, a verdade é que o horror dessa revelação tomou o planeta de assalto e marcou o início de uma nova era para a Terra.
Como se mostrou quase impossível destruir os novos habitantes do planeta, restou aos fracos humanos se adaptar a essa realidade devastadora com o que fosse possível.
Assim muralhas foram erguidas nas regiões costeiras de quase todos os países, principalmente os mais próximos do Continente Kaiju, como fora batizado alguns anos depois que drones espiões confirmarem que o primeiro monstro voador visto não era o único, revelando uma gama consideravelmente variada de criaturas.
O que de início causou puro e completo terror, acabou gerando nas mentes certas a fagulha de inspiração para a criação de diversos meios de defesa, que fossem mais efetivos que meros muros altos e grossos.
Nascia assim a iniciativa RED.
Um grupo com centenas de membros, vindos de vários países, os melhores especialistas em salvar vidas e encarar todo e qualquer tipo de desastre natural que, diante da presença dos monstros colossais, muitas vezes ocorriam exatamente por causa da chegada deles a outros continentes.
Bombeiros, médicos, socorristas, policiais.
Apenas os melhores dos melhores eram recebidos na RED e um grupo ainda menor se tornou responsável por lidar diretamente com os Kaijus.
Essa equipe de destemidos especialistas foi chamada de GRAM, uma homenagem à mítica espada nórdica, empunhada pelo herói Sigurd para vencer o dragão Fafnir.
Sempre que uma equipe veterana da GRAM dava lugar a uma nova, o tempo de serviço variava entre um ano ou dois, caso os membros viessem a sobreviver por tanto tempo, todo um evento era preparado para apresentar à Terra seus novos defensores.
— Quero dizer que estou me sentindo muito feliz e honrado por estar me dirigindo a todos os senhores e senhoras da impressa, neste dia, não apenas para dizer que eu, Hitori Ishida, atual capitão da GRAM, permanecerei como comandante da nova geração de protetores, bem como farei o meu melhor para que os novos agentes possam, ao final do tempo de serviço, também estar aqui para receber sua baixa honrosa.
Todos os presentes se ergueram e uma longa salva de palmas preencheu o salão de conferências, recebida com humildade pelos três agentes que finalmente poderiam se afastar da linha de frente da defesa humana contra os kaijus.
Eles trocaram um rápido, porém caloroso, abraço com Hitori, seguindo para fora do palanque, conforme quatro jovens subiam uma escada de três degraus, ocupando o lugar daqueles que iam embora.
— E aqui estão aqueles que todos vieram conhecer, a nova equipe GRAM, que ficará sob meus cuidados e que não medirá esforços na missão de proteger nosso mundo de toda e qualquer ameaça kaiju que surgir. Vou apresentá-los. Começando com o primeiro agente vindo do Brasil, o senhor Heitor de Bastos, com apenas 19 anos é também o agente mais jovem a ingressar na GRAM e…
A apresentação foi interrompida quando um conhecido alarme disparou, fazendo todos os presentes começarem a se mover de modo instintivo e automático, algo que a humanidade aprendeu no tempo em que precisou se adaptar à presença de criaturas gigantes, capazes de causar destruição e morte apenas por andar nas cidades.
Ao contrário dos convidados e repórteres, que procuravam abrigo e proteção, a nova equipe GRAM se colocou a correr na direção dos hangares principais, onde estavam os veículos especiais para enfrentar as Situações K, o código escolhido para nomear as emergências relacionadas a Kaijus.
Os antigos membros, que haviam acabado de receber suas baixas, ficaram para trás e, enquanto tentavam ajudar a controlar o caos criado pelo alarme, olhavam com esperança para as costas dos novatos, que iam se afastando rápido.
“Que você possam viver e sobreviver ao tempo de serviço. Boa sorte garotada.”
Eles precisariam mesmo de muita sorte.
— Sigurd 01 solicitando decolagem. Piloto Heitor pronto. Repito, Sigurd 01 solicitando permissão de decolagem.
Assim que a ordem foi dada pela torre de controle da base da GRAM, um jato com design parecido com o de um F-15, taxiou em uma imensa pista e em segundos já estava voando.
Ao mesmo tempo uma construção gigantesca, com três vezes o tamanho de um porta aviões comum, começava a se erguer aos céus, indo logo atrás do veloz jato, que ganhava distância cada vez maior, logo sumindo dos visores e até dos radares de curto alcance da fortaleza aérea da GRAM.
— Muito bem, subam para altitude máxima. Quero evitar a altura de tráfego aéreo padrão. A última coisa que precisamos é nos preocupar com algum avião entrando no nosso caminho. Acessem os satélites e os direcionem para a cidade de Lagos, Nigéria. Quero saber como está o avanço do S-01, situação da retirada dos civis da área de risco e exatamente o que mais vamos enfrentar hoje.
— Comandante Ishida, é totalmente absurdo um novato seguir na frente, praticamente sozinho, para enfrentar uma situação como essa!
— Devo lembrá-lo, Agente Ishida, que o senhor também é um novato? Por isso é melhor maneirar no tom de voz quando se dirigir ao seu superior.
Além de Heitor, a nova equipe da GRAM era composta justamente por Saito Ishida, filho do comandante, junto com outra japonesa, Mari Setsuna e, por fim, Soo-jin, de origem coreana.
— Senhor comandante, devo destacar que concordo com o Agente Ishida. O Agente Bastos praticamente chegou a menos de duas semanas, enquanto o restante de nós já estávamos em treinamento pesado há vários meses e…
— E ainda assim ele foi o único que conseguiu uma pilotagem perfeita com o Sigurd 01. Em uma equipe GRAM, temos que saber trabalhar em equipe e saber quais os pontos fortes devemos desenvolver e quais fraquezas vencer, só assim, se tudo der certo, poderei entregar todos vocês vivos na próxima cerimônia de baixa. Se eu não achasse que o Agente Bastos estava minimamente preparado para a missão de distrair e redirecionar o avanço do Kaiju para longe da cidade, eu não o teria enviado na frente com o Sigurd. Agora preciso que você se concentre no que poderemos fazer para ajudar a cidade e seus moradores
— Atenção Sigurd 01. Aqui é FAFNIR 25.3. — alheia à discussão entre seus colegas japoneses, Soo-Jin entrava em contato com o piloto brasileiro, usando o codinome da fortaleza voadora, cujo número indicava as que haviam sido destruídas antes dessa. — O kaiju é um Frozerion em estágio adulto. Repito, um Frozerion. Segundo os estudos, esse tipo de kaiju causa estragos mais pela movimentação dentro de uma cidade do que por suas fracas capacidades ofensivas, que consistem, basicamente, em deixar o ar ao seu redor mais frio. As pesquisas indicam que é fácil atrair a atenção dele usando os Faíscas, guiando-o para longe da cidade e, se conseguir que ele avance um pouco mar adentro, ele vai acabar indo embora sem maiores dificuldades.
— Perfeito base. Eu já estava preparando a distração. Iniciando operação Faísca imediatamente.
No instante seguinte o Sigurd 01 voou bem próximo da cabeça do kaiju que, levando em consideração animais conhecidos da humanidade, parecia um cruzamento de urso, com pescoço de girava, apresentando longas presas iguais às de uma morsa, mas capaz de se locomover sobre suas duas pernas traseiras.
“Praticamente uma viagem tranquila de feriado.” pensou Heitor, conforme ia apertando uma sequência de botões no painel à sua direita, resultando no disparo de dezenas de pequenos drones, todos programados para voar perto dos olhos do monstro e, após atingir um limite de aproximação, começavam a soltar pequenos fogos de artifício, por isso o nome de Faíscas.
— Operação correndo perfeitamente pessoal. Em alguns minutos eu volto e ajudo a cuidar dos procedimentos pós ataque que kaiju e…
Um urro ensurdecedor interrompeu as comunicações, pouco antes do Frozerion dar o primeiro passo de volta para o mar, com seu corpanzil exibindo diversos tremores, ele ergueu a cabeça deixando escapar da boca uma coluna de fumaça negra que se ergueu aos céus.
Ele então voltou sua atenção ao pequeno objeto voador que tentava atrai-lo para longe da cidade e, sem aviso prévio algum, cuspiu um jorro de lava incandescente, acertando em cheio a lateral do jato.
— Merda! Fui atingido! Mayday! Mayday!
Com boa parte do Sigurd 01 tendo sido derretida, sobrando metade da asa da área atingida pela lava, Heitor precisava usar de toda a sua força, numa tentativa desesperada de manter o jato no ar.
Mesmo com o capacete, a fumaça que ia enchendo o cockpit já fazia seus olhos arderem, bem como a garganta começava a ficar irritada, o que ia tirando as forças de suas mãos pouco a pouco, resultando na queda gradual de altitude.
Até o som da voz de Soo-Jin soava abafado, distante, como se houvesse uma imensa barreira entre eles, sinal claro de que Heitor estava prestes a perder a consciência.
“Lembre-se sempre filho. Não importa se o peso do mundo estiver sobre seus ombros. Faça de tudo para salvar aqueles que precisarem.”
Repentinamente, com o principal ensinamento de seu pai ressoando em sua mente e coração, as mesmas palavras que ele ouvira todo o tempo desde que revelara à família que seria um socorrista, alguém disposto a fazer tudo para salvar vidas, os olhos de Heitor se arregalaram e, trincando os dentes quase com força suficiente para quebrá-los, num último esforço, ele puxou para si o manche da Sigurd 01.
O nariz da nave ergueu, conforme ela ia realizando um arco no ar, seguindo na direção do oceano Atlântico e, ignorando os gritos de “ejeta!” vindo de sua colega coreana, Heitor fechou os olhos, se despediu mentalmente de quem ele sabia que sentiria sua falta e fez uma última prece, não para que ele sobrevivesse, mas para que alguém salvasse os inocentes da cidade de Lagos.
Antes de perder a consciência ele viu as águas gélidas se aproximando rápido e então um brilho surgiu, forçando-o a fechar os olhos e ingressar em uma profunda escuridão.
A equipe GRAM, junto a todos os agentes da RED que faziam a base flutuante funcionar, chegaram ao local da invasão do Kaiju a tempo de ver a explosão da nave, segundos depois da colisão com o mar.
No entanto, um novo urro do Frozerion, agora deixando claro que até mesmo o anterior fora provocado por uma dor agonizante, acabou chamando a atenção da GRAM, cujos membros não tiveram nem mesmo tempo de pensar em uma tentativa de resgate do colega caído, pois o kaiju voltara a andar na direção da cidade, na verdade ele mais cambaleava, os passos trôpegos indicando que algo estava realmente fora do comum.
O motivo do comportamento errático logo se mostrou, quando imensas feridas irromperam por toda a extensão do corpanzil do monstro, de onde escorria verdadeiros rios de lava que, além de deixar rastros fumegantes pelas áreas de pele ou pelo por onde escorriam, causavam uma destruição inimaginável, causando incêndios e derretendo tudo o que tocavam.
— Não temos escolha. — o comandante Ishida tentava assumir o controle da situação, que se tornara um pesadelo em poucos minutos, mas que, ele nunca poderia esquecer, era sua responsabilidade encarar e resolver. — Choraremos pelo Heitor depois. No momento quero todos os técnicos fazendo o possível e o impossível para analisar o que diabos está acontecendo com o kaiju, preciso também ampliar os esforços de evacuação, além de…
— Vejam!
As ordens foram interrompidas quando o grito de um dos pilotos responsáveis pelo avanço da FAFINIR, chamou a atenção de todos os presentes.
Algo que lembrava uma esfera luminosa estava voando ao redor do kaiju que, novamente tendo uma distração até mesmo da dor que sentia, deu alguns passos hesitantes na direção do mar, justamente quando um carro repleto de jovens, que tiveram a péssima ideia de tentar gravar mais de perto o ataque do monstro, se encontrava no caminho.
A pata gigantesca, naquele momento soltando verdadeiras bolas de lava conforme se movia, seguia para cima do veículo, com seus ocupantes gritando em desespero e se despedindo da vida.
Foi então que aconteceu.
A luz que rodeava o kaiju desceu dos céus, ficou entre o monstro e o carro, crescendo de tamanho, o suficiente para empurrar e afastar o Frozerion, conforme foi aumentando de tamanho e mudando de forma, assumindo proporções que lembravam um corpo humano, uma cabeça, dois braços, duas pernas, um tronco.
Quando a luz se dispersou, em seu lugar estava um gigante, a cabeça parecia envolta por um capacete metálico, pela extensão de sua pele era possível ver estranhos desenhos, em vermelho e prata e, no centro do peito, algo que lembrava um cristal emitia um brilho azulado, igual à energia que se projetava das costas da mão esquerda, onde se estendia um tipo de peça de armadura, que lhe cobria o braço quase que por inteiro.
O gigante então, após assumir rapidamente uma posição de combate, o punho direito estendido diante do corpo, enquanto o outro era erguido até a altura de deu rosto, começou a avançar rapidamente contra o Kaiju.
Dez anos após o evento que transformara o mundo, todos que viam aquela situação de agora, fosse presencialmente, nas ruas da cidade ou através dos monitores de uma fortaleza flutuante, ou ainda pelas redes sociais ou noticiários nas televisões espalhadas pelo mundo, tiveram uma certeza.
A certeza de que, mais uma vez, tudo mudaria.
Continua.
Galeria de imagens.
Ultraman Atlas.
Kaiju Frozerion.















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